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Notícias | Ser Educação ORIENTAÇÃO VOCACIONAL

Como escolas e familiares podem auxiliar os adolescentes na escolha da carreira

A vocação profissional de cada um passa por uma autodescoberta, com o apoio de professores e pais

Por Marcelo Kenne Vicente
Publicado em: 31.08.2021 às 10:47 Última atualização: 31.08.2021 às 10:57

O segundo semestre significa para muitos estudantes um período de decisões pessoais, que podem influenciar um longo período de suas vidas. Quem está no final do ensino fundamental tem a oportunidade de ingressar no ensino médio em escolas técnicas que oferecem cursos profissionalizantes.

Já para os estudantes do ensino médio a vida adulta está chegando e com ela a necessidade de ingressar no mercado de trabalho e, para quem tem condições, a possibilidade de prestar o vestibular. Aí entra a dúvida de qual curso fazer e qual profissão seguir. Claro que nada é definitivo, mas, em uma sociedade em constantes mudanças, é preciso ter um ponto de partida.

Ana Luiza Ferraz, de 21 anos, faz Medicina na Unisinos e diz gostar das atividades práticas em unidades de saúde Foto: Arquivo pessoal
A estudante Ana Luiza Ferraz, de 21 anos e moradora de Ivoti, até perto do final do ensino médio não tinha certeza do que queria fazer, mas, com pesquisas próprias e apoio da escola onde estudava – o Instituto Ivoti –, conseguiu direcionar melhor seu caminho.

A escolha: o curso de Medicina. “Demorei bastante para decidir qual profissão seria a melhor. Medicina não era um sonho de criança e, durante o ensino médio, pensei em várias opções. Comecei a pesquisar os diferentes cursos, o que iria aprender e como seria a minha rotina no futuro”, relembra.

Foi então que a área da saúde lhe chamou atenção. “Assisti a vídeos e acompanhei relatos de pessoas já formadas. Demorei para admitir para mim mesma que era essa a minha vocação. E tinha medo de não conseguir entrar na faculdade”, explica e estudante.

Em 2019, relata Ana, ela entrou no curso de Medicina da Unisinos e hoje já está no sexto semestre. “Sinto-me feliz com a escolha. Não me vejo em outro curso. Minhas experiências preferidas são, com certeza, as aulas práticas, nas quais atendemos pacientes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e ambulatórios. Conversar com os pacientes, examiná-los, olhar exames e discutir os casos com meus professores e colegas são os momentos em que consigo entender, na prática, a teoria que estamos aprendendo.” A previsão de conclusão do curso é 2024.

Estudante dá dicas para os indecisos

Ana Luiza Ferraz, de 21 anos, faz Medicina na Unisinos e diz gostar das atividades práticas em unidades de saúde Foto: Arquivo pessoal
Ana comenta que a decisão é, sim, difícil e ficar em dúvida é parte do processo. “O que você pode fazer é pesquisar bastante, conhecer quais são os cursos que existem e o que você irá aprender em cada um deles.” Outro ponto é procurar entender as oportunidades que o curso irá trazer: “Após a formatura, com o que você pode trabalhar? Onde? Qual será sua rotina profissional? Como é o mercado de trabalho nessa área na sua região?”. A estudante de Medicina ainda dá como sugestão falar com pessoas que já trabalham com a profissão desejada. Também é fundamental, segundo ela, se preparar para o vestibular, descobrindo como será a prova, fazendo simulados e questões de anos anteriores.

O papel da escola

Giovani Meinhardt Foto: Divulgação
Segundo o psicólogo educacional do Instituto Ivoti, Giovani Meinhardt, a escola deve contribuir com a orientação vocacional dos alunos, ouvindo-os e identificando suas motivações, como preferências por disciplinas acadêmicas ou em atividades extras. “Há uma riqueza de experiências que podem ser desvendadas no cotidiano pessoal e acadêmico do estudante. O relato do adolescente importa para sua autoafirmação diante de pressões familiares e sociais de todo o tipo”, destaca.

Ele observa que o fenômeno da indecisão profissional é saudável, e a família não deve se alarmar, pois é através das incertezas que se desenvolve o gradativo conhecimento de si mesmo. “Desconfie daquela pessoa altamente convencida sobre o futuro. Normalmente, são as que entram em crise mais tarde na própria profissão. Quem não se permite ter dúvidas pode estar se iludindo.” E sobre uma possível pressão dos pais, o psicólogo cita a relação de pessoas de projeção mundial que não seguiram a profissão sugerida pela família. “Einstein deveria ser violinista; Goethe, advogado; e a premiada escritora brasileira Ruth Rocha, que estudou sociologia política, migrou para a literatura infantil”, lista Giovani.  “Às vezes, o conhecimento que buscamos sobre nossa vocação não está nos pais, mas nos professores. Mesmo pais abastados financeiramente podem carecer de um melhor entendimento sobre o assunto. Alguns percebem, por exemplo, só a Medicina ou o Direito como as melhores alternativas. Já a escola tem a capacidade de fazer os jovens sonharem”, completa.

Profissionais contam suas experiências para estudantes

Bárbara Vier Mengue Foto: Divulgação
Um exemplo de como as escolas podem contribuir com o processo de escolha da profissão é o Projeto Vida, do Instituto Ivoti. Desenvolvido pela equipe de orientação educacional da escola, o Vida realiza palestras, vivências, painéis com ex-alunos, simulados de preparação para o Enem, teste vocacional, entre outras ações, além do evento Encontro com as Profissões, em que são promovidos bate-papos com profissionais das áreas de interesse dos estudantes.

A coordenadora pedagógica do ensino médio, Bárbara Vier Mengue, informa que, além das atividade específicas do projeto, o Instituto Ivoti oportuniza outras experiências, desde o ensino fundamental, que ajudam os jovens na construção do seus projetos de vida. “A escolha profissional é uma decisão difícil para os adolescentes e, por isso, consideramos essencial que os estudantes possam ter diferentes vivências a fim de ampliar seu repertório cultural, contribuindo para essa importante decisão. Muitos pais são convidados a participar do Projeto Vida, do Instituto Ivoti, para relatarem suas experiências profissionais aos alunos.”

Projeto Ser Educação

Refletir sobre o futuro da educação e difundir as melhores soluções adotadas pelos profissionais e instituições de ensino é a propota do projeto Ser Educação, que, neste ano, está em sua segunda edição. Realizado pelo Grupo Sinos, a iniciativa promove ações e compartilha conteúdos especiais que se propõem a incentivar melhorias no ensino.

O projeto tem o patrocínio máster do Instituto Ivoti, Colégio Espírito Santo, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e Unisinos, com o apoio institucional das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), da Universidade Feevale e da Fundação Liberato.

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