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Projeto de educação valoriza o patrimônio cultural de Picada Café

Atividade capacita professores e incentiva estudantes a refletirem sobre os espaços culturais e históricos do município

Por Marcelo Kenne Vicente
Publicado em: 27.07.2021 às 10:47 Última atualização: 27.07.2021 às 16:25

A preservação da história e da cultura de uma determinada comunidade passa por vários aspectos, entre eles, a valorização do patrimônio material e imaterial construído com muito esforço pelos antepassados. E esse conhecimento não pode ficar restrito a grupos específicos, mas, sim, difundido a toda a população local. E existe lugar melhor para compartilhar essa ideia de preservação e valorização do que a escola? E os estudantes não seriam o público ideal para direcionar o conhecimento?

Um dos locais visitados no inventário foi uma casa do Bairro Kaffeck Foto: Marco Dieder/Especial

Com essa proposta, foi criado em 2020 e concluído agora em julho o projeto Picada Café - Educando pelos Caminhos do Patrimônio Cultural, que apresentou uma série de ações para valorizar a educação patrimonial já desenvolvida no município.

Coordenada pela arquiteta urbanista e mestre em preservação do patrimônio cultural PEP/IPHAN, Ingrid Arandt, essa iniciativa teve como principal objetivo promover o sentimento de pertencimento ao local, o reconhecimento e a valorização dos bens culturais de Picada Café. O projeto foi uma realização da prefeitura municipal com financiamento da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac).

O projeto, explica Ingrid, se desenvolveu a partir da realização de dois eixos de atuação: a capacitação em paisagem e patrimônio cultural, de professores de toda a rede de ensino de Picada Café; e a realização de um inventário participativo do patrimônio cultural local. “O curso de capacitação instrumentalizou educadores, amplificando os conhecimentos já adquiridos por eles ao longo dos anos”, informa.

O programa do curso foi montado para incentivar a reflexão e o diálogo entre o patrimônio material e o imaterial (saberes, tradições), possibilitando costurar junto com os professores a necessidade de reinterpretar constantemente o passado para mantê-lo vivo no presente.

“A ideia do curso foi incentivar o espírito crítico dos educadores, fazendo com que percebessem que a educação patrimonial não é uma disciplina, e sim um campo de construção de saberes, de pesquisa e debate.”

Essa capacitação foi composta por cinco módulos, sendo quatro realizados de forma remota e um presencial com palestras e debates com o público. Técnica construtiva enxaimel, paisagem cultural da imigração alemã no Rio Grande do Sul, educação patrimonial em Picada Café e metodologia de inventários participativos foram assuntos que fizeram parte da capacitação dos professores.

Alunos ficaram mais próximos dos bens culturais

Pinguela também fez parte do roteiro do Inventário Participativo Foto: Alexandre Derlam/Especial
O segundo eixo do projeto, o Inventário Participativo, procurou estimular que a própria comunidade buscasse identificar e valorizar as suas referências culturais. “A atividade do inventário registrou dois locais de bens culturais de muita importância para o município: uma casa na técnica construtiva enxaimel, no Bairro Kaffeck, e uma pinguela localizada no Centro da cidade”, conta Ingrid. Participaram dessa etapa alunos e professores das escolas municipais Santa Joana Francisca e 25 de Julho. Além de incentivar o protagonismo de um grupo de alunos e professores da rede escolar, o Inventário Participativo possibilitou o desenvolvimento de suas capacidades metodológicas e científicas na sistematização das informações.

Oficina de sensibilização e Roda da Memória

A coordenadora do projeto, Ingrid Arandt, orientando os alunos participantes Foto: Marco Dieder/Especial
Além dos eixos de capacitação de educadores e inventário do patrimônio com a ajuda de estudantes e professores, foram realizadas outras atividades, dentro do Educando pelos Caminhos do Patrimônio Cultural, como a Oficina de Sensibilização “Referências Culturais e suas Aplicações” e a Roda de Memória.

Ingrid conta que a oficina de sensibilização foi realizada em dezembro de 2020, sendo ministrada pela artista plástica Ariadne Decker que levou para Picada Café suas experiências culturais. Na atividade, os participantes tiveram a possibilidade de entender conceitos de
paisagem e patrimônio cultural e suas possibilidades de aplicações em arte e artesanato.

Em relação à Roda da Memória, essa já é uma atividade do programa existente de educação patrimonial do município e, em junho deste ano, teve como tema “Cotidiano e a Paisagem Cultural: as Pinguelas de Picada Café”. Fora todas essas ações, foi desenvolvido o Livro de Colorir da Paisagem e Patrimônio Cultural, com desenhos da artista plástica Ariadne Decker e versos da pedagoga Patricia Rosina Stoffel Hansen. Também há um Jogo da Memória com imagens da paisagem, da arquitetura e dos saberes e fazeres da comunidade, além de um minidocumentário. “Esse grande projeto se destacou pela importância de se preservar o patrimônio material e imaterial e valorizar a identidade de Picada Café e seus moradores. Envolveu professores e estudantes que participaram e divulgaram suas pesquisas à comunidade”, complementa a secretária municipal de Educação e Cultura, Cristiane Backes Welter.

Para conhecer mais sobre o projeto educacional, acesse a página no Facebook /educacaopatrimonialpicadacafe.

 

Oficina com a artista plástica Ariadne Decker Foto: Alexandre Derlam/Especial

*Reportagem publicada originalmente no caderno Estação Plátanos, que é encartado às sextas-feiras no jornal NH. O caderno destaca notícias das cidades de Dois Irmãos, Estância Velha, Ivoti, Lindolfo Collor, Morro Reuter, Nova Petrópolis, Picada Café, Presidente Lucena, Santa Maria do Herval e São José do Hortêncio.

 

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