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Notícias | Rio Grande do Sul POLÍCIA

Quadrilha da região movimentou cerca de R$ 5 milhões com golpe dos nudes

Bandidos mandavam dinheiro a líderes do esquema que estão em presídios

Por Jauri Belmonte
Publicado em: 30.09.2021 às 08:37 Última atualização: 30.09.2021 às 17:39

Chantagem, pudor, vítimas e muito dinheiro envolvido. Na manhã desta quinta-feira (30), ao menos 17 bandidos de uma quadrilha que aplicava o 'golpe dos nudes' foram presos na Operação X-Con da Polícia Civil, afirmou a delegada responsável pela operação, Luciane Bertoletti. 

A operação faz referência a pornografia, com a letra 'X'; e o 'COM' a “com man”, que é a gíria usada pela Polícia a para golpistas. São cumpridos 44 mandados de busca e apreensão, 32 prisões preventivas, 25 quebras de sigilo bancário, um sequestro de imóvel, 12 sequestro de veículo e 32 bloqueios de contas bancárias, com 200 contas bancárias. 

Polícia Civil faz operação contra quadrilha que aplicava golpe dos nudes na região
Polícia Civil faz operação contra quadrilha que aplicava golpe dos nudes na região Foto: Polícia Civil

A operação combate os crimes de extorsão, estelionato e associação criminosa; os bandidos praticavam o golpe há mais ou menos um ano. Inicialmente, eles faziam o primeiro contato ou por uma rede social ou pelo aplicativo Whatsapp, instigando a vítima a trocar mensagens de cunho sexual e fotos intimas. Segundo a delegada, alguns atuavam na aplicação do golpe, fazendo contato com as vítimas, enquanto outros se passavam por delegados e agentes penitenciários. Tinham, ainda, aqueles que se passavam por supostos pais de adolescentes, acusando as vítimas de pedofilia após a troca de mensagens. 

Para não denunciar

Para não denunciar o caso à Polícia, o suposto pai exige depósitos em dinheiro. Na maioria das vezes, após o recebimento de valores, o estelionatário continua exigindo dinheiro dizendo que haverá a necessidade de submeter sua filha a tratamento psicológico ou, ainda, exigindo o depósito de valores. Como em um dos casos analisados nessa investigação, para o enterro da adolescente que, em razão dos graves danos psicológicos sofridos atentou contra a própria vida, praticando suicídio. 

"Estima-se que o golpe começou em outubro de 2020. Até pelo fato dos bandidos usarem o PIX, que é uma ferramenta que facilitou a vida de todos, mas também das organizações criminosas. Um dos presos que prestará depoimento ingressou na quadrilha em novembro."

Origem

Bandidos mandavam dinheiro a líderes do esquema que estão em presídios
Bandidos mandavam dinheiro a líderes do esquema que estão em presídios Foto: Polícia Civil
Segundo a Polícia, a investigação durou cinco meses e o crime era praticado no Rio Grande do Sul e em outros seis Estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins e Pernambuco. A delegada Luciane afirma que, em território gaúcho, a base da quadrilha ficava na região metropolitana: Esteio, Porto Alegre, Canoas, Charqueadas, Montenegro, Novo Hamburgo, Alvorada e Viadutos. 

Mais de 250 policiais civis atuam na ação. "O núcleo dessa facção era em Esteio, estendendo-se a presídios da região e outras cidades da redondeza. Aqui de fora, esses criminosos mantinham contato com presidiários que estão nas penitenciárias de Sapucaia do Sul e Montenegro, por exemplo", detalha a delegada.

Número de casos pode ser maior

Luciane afirma que, até o momento, são 19 vítimas identificadas, mas esse número pode ser bem maior. Isso porque, segundo ela, há casos que não chegam ao conhecimento das autoridades públicas, demonstrando que os níveis de criminalidade são maiores. "Pelo valor de dinheiro movimentado neste crime, acreditamos que o número de pessoas atingidas é muito maior. Até mesmo, porque em meio a esta chantagem que acontece, muitos ficam com vergonha de registrar a ocorrência."

Arrecadação

Estima-se que o valor arrecadado pelos bandidos gire em torno de R$ 5 milhões. "As exigências variavam de acordo com o perfil da vítima. De alguns, os bandidos exigiam R$ 2,5 mil, de outros R$ 200 mil. Muitos dos valores eram exigidos pagamentos por meio do PIX."

 

Divisão do dinheiro

As vítimas eram extorquidas até que o dinheiro caísse nas mãos dos líderes da quadrilha. "Pessoas soltas faziam as encenações com chantagens e, posteriormente, repassavam o dinheiro a sub-chefes que, por fim, mandavam o dinheiro para líderes que estavam presos."

 

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