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Notícias | Rio Grande do Sul Agro

Mosca das frutas: uma praga da citricultura

Armadilhas são uma solução para combater o inseto que ataca os pomares. No Vale do Caí, região produtora de citros, a preocupação com os insetos é constante

Por Débora Ertel
Publicado em: 30.06.2020 às 03:00 Última atualização: 30.06.2020 às 10:16

Armadilhas com garrafas pet são utilizadas nos pomares pelos citricultores para captar as moscas da fruta Foto: Derli Bonine/Emater
O assunto das pragas que assolam a agricultura ficou em evidência na semana passada por conta da nuvem de gafanhotos que veio da Argentina e se aproxima do Brasil. O tamanho gigante da nuvem, com cerca de dez quilômetros, causou espanto e deixou muita gente apreensiva. Mas para o agricultor, o combate às pragas nas plantações é parte do trabalho diário. Na região, uma das pragas que mais dá trabalho e causa estrago é a mosca das frutas. Especialmente no Vale do Caí, onde a citricultura é o carro-chefe da produção rural. Nesta região, segundo a Emater, há 3 mil famílias que produzem 171 mil toneladas por ano, numa área plantada de 9.587 hectares, o que, para as moscas, é um verdadeiro banquete.

Segundo o agrônomo da Emater Derli Bonine, as moscas virão, é inevitável. "É natural, principalmente nas frutas nativas. Durante todo o ano tem, embora no inverno diminua um pouco", explica. Não faz tanto tempo, o citricultor que queria garantir uma produção orgânica ensacava uma a uma cada fruta, protegendo-a da ação dos insetos. Bonine comenta que essa tecnologia era muito complicada por causa da mão de obra. Sendo assim, o defensor agrícola era a opção mais utilizada em muitas colheitas.

Bergamotas são símbolo do Vale do Caí Foto: Juarez Machado/GES
No entanto, a Emater tem feito um trabalho intenso junto aos produtores para trabalhar com técnicas de manejo menos agressivas. Inclusive, os encontros de Dia do Campo têm tido essa temática na região. Atualmente, as armadilhas feitas com garrafas pet têm sido a técnica mais utilizada. Bonine explica que as primeiras misturas colocadas dentro dos recipientes eram à base de vinagre ou com água e açúcar. A armadilha ajudava, mas não acabava com o problema.

Há cinco anos, surgiu no mercado um produto que é importado da Espanha, com fontes protéicas, com capacidade de atrair cinco vezes mais as moscas. "Têm tido ótimos resultados essas armadilhas", conta. Já no caso dos produtores que não querem colocar uma quantidade grande de armadilhas, é possível fazer uma combinação com inseticida. Nesta situação, o produtor pulveriza determinadas partes do pomar, nos arredores das árvores, poupando as frutas. Assim, a mosca é exterminada pelas duas maneiras.

O profissional explica que, neste ano, as pragas têm dado um pouco mais de trabalho no controle em razão do calor. O frio, em especial as geadas, é um aliado pois ajuda a diminuir a incidência de moscas.

Anastrepha fraterculus

A mosca das frutas pode voar até 135 quilômetros Foto: Pixabay
O nome científico da mosca das frutas é Anastrepha fraterculus, a mesma que ataca as goiabas. O inseto faz parte das 20 piores pragas que atacam o Brasil, segundo uma lista elaborada pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura. Algumas características da mosca favorecem a ocorrência de prejuízos: alta variabilidade genética, alto potencial reprodutivo e alta adaptabilidade a diferentes ambientes. Algumas espécies de Anastrepha podem voar até 135 quilômetros. Portanto, o movimento natural pode ser um meio importante de dispersão. Já no comércio internacional, o principal meio de dispersão para áreas não infestadas é o transporte de frutas contendo larvas vivas.

 

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