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Notícias | Região CHURRASCO SALGADO

Saiba por que a queda no preço da carne bovina ainda não é sentida pelo consumidor

Moradores da região têm trocado a carne bovina por frango, ovos e carne de porco. Empresários apostam em promoções para atrair clientes

Por Joceline Silveira
Publicado em: 05.08.2022 às 15:13 Última atualização: 05.08.2022 às 15:15

Ainda que a exportação brasileira de carne bovina tenha apresentado crescimento de 24% no primeiro semestre de 2022 em relação a 2021, com alta de 53% no faturamento - segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) -, a lentidão no escoamento da produção no mercado interno e o avanço das escalas de abate dos frigoríficos devem contribuir para a continuidade da pressão de baixa no mercado do boi gordo no "curtíssimo prazo", aposta o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs).

Preço da carne bovina cai, mas diferença ainda não chegou ao consumidor
Preço da carne bovina cai, mas diferença ainda não chegou ao consumidor Foto: Joceline Silveira/ GES-Especial
"A tendência é que haja maior espaço para redução dos preços no próximo período de virada de mês", assinalou a entidade em nota.

Conforme pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a bovina teve queda de 0,5%, e a de frango subiu 1%, um ritmo de alta inferior ao registrado nas semanas anteriores. Apesar da queda, o efeito ainda não foi sentido pelo consumidor. Quando o valor sobe, a alta nas prateleiras do mercado é quase imediata, mas quando desce, o recuo pode levar até oito semanas. 

Comércio e consumidor se adaptam

Há três anos à frente dos negócios da família no bairro Rio Branco em Novo Hamburgo, a empresária Vanessa Lopes aposta em promoções para atrair os clientes. "Nos finais de semana, quando a procura aumenta, conseguimos reduzir os preços porque compramos uma quantidade maior do frigorífico. Com um volume maior dá para negociar um descontinho", comenta. Redução, conforme Vanessa, que pode chegar de 3% a 5%. "O consumidor sempre nos responsabiliza (açougue) como responsável pelo reajuste de preço, quando na realidade, não somos nós quem fazemos o preço, e sim, a indústria e o setor produtivo em geral", afirma.

Paulo Roberto Fernandes
Paulo Roberto Fernandes Foto: Joceline Silveira/ GES-Especial
Para garantir o prato na mesa, o consumidor faz jogo de cintura. "Está horrível. A gente precisa se virar para não ficar sem", diz o motorista, Paulo Roberto Fernandes. Nas mudanças que fez no cardápio da família, ele explica que as carnes suínas e de frango ganharam mais espaço nos últimos meses. "Hoje mesmo, estou levando carne de porco para a lentilha e vai ser esse o almoço".

No lugar das tradicionais carnes de primeira, muitos consumidores têm recorrido aos produtos considerados menos nobres: frango, ovos, carne de porco e partes menos demandadas do boi, como acém, lagarto e músculo. Mudança de hábito que é sentida nos açougues da cidade.

Rudinei Vieira
Rudinei Vieira Foto: Joceline Silveira/ GES-Especial
Em um supermercado no bairro Liberdade os açougueiros já decoraram o questionamento dos clientes, "Pessoal já chega perguntando qual é a promoção", pontua o açougueiro Celso Abreu. "Tá quase impossível para um assalariado consumir carne bovina. Se der pra levar, eu levo, senão, trocamos por outro corte ou por frango", afirmou Rudinei Vieira, 45 anos, enquanto aguarda na fila do açougue.

Churrasco salgado

E deve vir mais aumentos por aí. É o projeta a empresária Gilmara Nunes. Há quatro anos no setor, a proprietária de uma casa de carnes no bairro Ouro Branco prevê que poderá haver uma majoração nos preços da carne bovina, com a aproximação do Dia dos Pais. "O churrasco, que já é tradicional de todos os domingos, provavelmente ficará mais salgado neste Dia dos Pais. O quilo já chega ao revendedor com o preço mais elevado nestas datas comemorativas", projeta.

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