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Notícias | Região Feminicídio

Perícia aponta que mulher assassinada em Ivoti levou 33 facadas no carro

Desorientado, chorando e com a arma do crime na cintura, namorado foi preso após se esconder no mato em Estância Velha

Por Silvio Milani
Publicado em: 26.08.2021 às 21:39 Última atualização: 26.08.2021 às 21:41

Um homem com ciúme doentio, possessivo e fora de si. Uma mulher acuada, que tenta terminar o relacionamento abusivo sem pedir ajuda. E mais um feminicídio, desta vez em Ivoti. Rosa Maria Vargas, 53 anos, foi encontrada esfaqueada no carro dela, um Palio, na Avenida Bom Jardim, bairro Cidade Nova, na manhã desta quinta-feira (26). Aírton Basílio Adams Henke, 57, foi preso duas horas depois escondido em um mato. Chorava com frases sem sentido.

Palio da vítima passou por perícia na Avenida Bom Jardim na manhã desta quinta-feira (26) Foto: Polícia Civil

O Corpo de Bombeiros, que fica na mesma avenida, foi avisado sobre uma mulher ensanguentada em um carro, por volta das 8 horas. Os socorristas tentaram reanimar a vítima, sentada no banco do motorista com perfurações no peito e pescoço, mas não conseguiram. Ela morreu ali e o local foi isolado para a perícia, que constatou 33 facadas.

O telefonema

Não foi difícil descobrir o assassino. Um jovem chegou ao local e contou que recém havia recebido telefonema do pai, Aírton, em que ele disse ter matado Rosa e pedia para o filho ir buscá-lo nas proximidades. E as buscas começaram, com cerco policial nas imediações, pois a fuga teria sido a pé. Por volta das 10h30, o namorado foi preso em Estância Velha, pela Guarda Municipal da cidade, à margem da Rua Presidente Lucena, próximo ao limite com Ivoti.

Guarda usou drone nas buscas pelo mato

Em apoio a policiais civis e militares, a Guarda Municipal usou um drone nas buscas ao fugitivo, conforme relatou o comandante da corporação, Everton Morschel. “Um dos nossos agentes visualizou o indivíduo no mato, mas como é muito fechada, o acabou perdendo de vista”, comentou. Depois, segundo ele, veio ligação de parente do procurado com a informação da intenção de se entregar. “Uma equipe em viatura da Maria da Penha o viu saindo do mato, numa curva a cerca de 800 metros do local do crime, percebeu uma faca na cintura e o prendeu.”

"Quantas vezes eu falei pra você se acalmar"

Na altura da “curva da pedreira”, o procurado saiu do mato e ergueu as mãos, mas um guarda pediu para ele coloca-las para trás. Já desarmado e algemado, Henke começou a chorar e falar frases desconexas quando chegaram parentes. “Quantas vezes eu falei para você se acalmar”, disse um filho, ajoelhado ao lado do pai. Outra parente falava na necessidade de um tratamento.

“No hospital de Ivoti, foi constatado no atendimento, e ele mesmo disse, que tentou se ferir com duas facadas na barriga. Eram cortes superficiais”, conta o comandante da Guarda de Estância.

Delegada vai averiguar como casal parou no local

A delegada da Mulher de Novo Hamburgo, que responde pela DP de Ivoti, Raquel Peixoto, vai apurar como o casal foi parar naquele ponto em Ivoti. “O que estavam fazendo ali vamos ter que averiguar, pois os dois são de Estância Velha. Há algumas semanas, após nove meses de namoro, ela tinha terminado com ele por causa de ciúmes, mas acabou o aceitando de volta e acabou acontecendo isso”, relata a delegada. Raquel acredita que não houve premeditação. “Não há como dizer agora, mas parece ter sido discussão momentânea.”

 


Insanidade e delírios

Segundo a delegada, somente o indiciado poderá contar as circunstâncias. “Vamos ter que ouvir dele, mas hoje não será possível. Está completamente fora de si, troca nomes, palavras.” Num dos delírios, Henke falou na delegacia: “Estou esperando a Rosa para tomar café”. A delegada não descarta, mas acredita que não seja fingimento. “Não sou especialista, mas acho que realmente entrou em choque.”

Familiares do preso falaram dos ciúmes

A delegada frisa que também não foi possível tomar depoimentos dos familiares, em razão do abalo emocional. “Serão ouvidos no decorrer do inquérito, mas o filho do indiciado nos comentou que o pai era muito ciumento, que estava agressivo e falava besteira. Assim, o que sabemos é que ele vinha de quadro depressivo e de muita agressividade em relação a ela.”

No entanto, conforme Raquel, a vítima não tinha feito ocorrência ou pedido medida protetiva. “O relacionamento abusivo começa na agressão verbal, vai para agressão física, passa por pedido de perdão, de retorno, e volta o ciclo. A agressão aumenta até chegar ao feminicídio. Temos dados que 95% das vítimas não registraram ocorrência e não tinham medida protetiva. É preciso denunciar", salienta a delegada. O número de WhatsApp para denúncias é o (51) 98444-0606. O preso também não tinha antecedentes por violência contra a mulher.

 

Nas redes sociais, pareciam felizes

Apesar das tensões no relacionamento, os moradores de Estância aparentavam felicidade nas redes sociais. São fotos sorridentes, muitas em família, curtidas por amigos. Henke, com emprego em Ivoti, também mostra a paixão por futebol.

 



No mesmo dia, operação para combater violência

Enquanto Rosa era brutalmente assassinada, Brigada Militar e Polícia Civil faziam operação integrada, em todo o Estado, de combate à violência contra a mulher. Quase 400 policiais saíram, em 130 viaturas, para cumprir 39 mandados de prisão e 82 de busca e apreensão durante o dia.

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