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Notícias | Região É crime do colarinho branco

Empresários de Canoas entram na mira da polícia em ação contra organização criminosa

Suspeitos de fraudes milionárias viraram alvo da Operação Union, lançada na manhã desta terça-feira (04), reunindo agentes da Polícia Civil, Polícia Federal Ministério Público e Contadoria e Auditoria-Geral do Estado

Publicado em: 04.05.2021 às 15:51 Última atualização: 05.05.2021 às 08:18

Operação reuniu 515 agentes da lei desde as primeiras horas desta terça-feira (04) Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
Foi lançada, na manhã desta terça-feira (4), a batizada Operação Union, em dez cidades da Região Metropolitana e também no Litoral Norte. O alvo é uma organização criada há mais de 30 anos, que participou de dezenas de licitações em órgãos federais, estaduais e prefeituras. O grupo investigado tem pelo menos dez empresas de Segurança Privada vinculadas. E o prejuízo chega a R$ 1 bilhão aos cofres públicos, conforme a investigação. Quatro suspeitos foram presos.

A apuração foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Combate à Corrupção, em parceria com a 8ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, identificou uma verdadeira organização criminosa, disfarçada de grupo econômico, responsável por múltiplos contratos com órgãos públicos no Rio Grande do Sul.

O esquema criminoso foi orquestrado para fraudar licitações e a execução dos contratos, tendo provocado prejuízos em todo o Estado, além de violações de direitos trabalhistas das pessoas contratadas para realização dos serviços.



'Sócios laranjas' alimentavam o esquema

Segundo o delegado Vinicios do Valle, o inquérito policial identificou que a organização criminosa era composta por aproximadamente 70 pessoas, que exploravam 50 empresas, incluindo restaurantes, lotéricas e sociedade de gestão de ativos. Percebeu-se ao longo dos anos o crescimento da organização criminosa por incrementos de técnicas de aquisição e de criação de empresas de fachada, bem como pela cooptação de “sócios laranjas”.

As empresas manipuladas concorriam nas disputas de licitações no RS, levando ares de legalidade e respeito ao caráter competitivo das disputas. Contudo, na prática, faziam ajustes prévios de preços, formatavam atuação nos certames eleitos e desenvolviam execução dos objetos dos contratos de forma fraudulenta, além de abusar do poder econômico, tentando eliminar a concorrência no respectivo mercado de prestadores de serviços.

Tinham até servidores públicos envolvidos

O Ministério Público aponta que, por atuar junto a empresas de ramos diversos (prestadoras de serviços de limpeza, vigilância, restaurante, lotérica e sociedade de gestão de ativos), a organização foi aperfeiçoando a forma de agir, passando a criar empresas de fachada.

As empresas integrantes da organização chegavam a concorrer entre si nas disputas de licitações no Estado, fraudando tranquilamente a licitação. Assim, eliminavam a concorrência no mercado de prestadores de serviços e garantiam vantagens decorrentes das adjudicações dos objetos contratados. A fraude também alcançava a execução dos contratos.

A investigação chegou a identificar a participação de servidores públicos em alguns crimes.

Organização figura como ré em 11 mil ações judiciais trabalhistas

Estima-se que a organização criminosamente tenha obtido dos cofres públicos o montante de R$ 1 bilhão e figure, como ré, em aproximadamente 11 mil ações judiciais, notadamente no ramo trabalhista, bem como tenha gerado prejuízo em tributos na ordem de R$ 150 milhões.

Foram 515 agentes mobilizados durante a ofensiva

Ao todo, 515 homens e mulheres da lei participaram da ofensiva, que reuniu agentes da Polícia Civil, Polícia Federal Ministério Público e Contadoria e Auditoria-Geral do Estado. Eles cumpriram 230 ordens judiciais em Canoas, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Gravataí, Alvorada, Capão da Canoa, Eldorado do Sul, Porto Alegre, Viamão e Xangri-lá. Foram oito mandados de prisão preventiva. O restante foram mandados de busca e afastamento de sigilo bancário, fiscal e econômico, bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de veículos e imóveis.

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