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Notícias | Região Saúde

A vida pós Covid: reabilitação pneumofuncional

Associação Canoense de Deficientes Físicos trabalha em projeto piloto com reabilitação pneumofuncional para pacientes que tiveram coronavírus

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 04.11.2020 às 08:38 Última atualização: 04.11.2020 às 08:38

Eliane faz reabilitação pneumofuncional na Acadef por conta de sequelas da Covid-19 Foto: PAULO PIRES/GES
Em junho deste ano, a Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef), ganhou uma nova missão: a de iniciar um projeto piloto de reabilitação pneumofuncional para pacientes que venceram a Covid-19, mas ficaram com sequelas. Uma das seis pessoas atendidas pela instituição em decorrência das consequências do coronavírus é Eliane Maria Martiny, 61 anos, moradora de Nova Santa Rita.

Em agosto, ela começou a sentir febre, mas achou que era uma gripe comum. “Só fui ao médico uns quatro dias depois, já com muito cansaço também. Fiquei 13 dias internada, sendo 5 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), só descobri o positivo para coronavírus lá”, contou ela, que está em uma décima sessão de fisioterapia pulmonar.

Ativa, trabalhadora, Eliane afirmou que não gosta de ficar parada. Por isso, ao ouvir o médico dizer que cerca de 50% de seus pulmões ficaram comprometidos e que ela não poderia voltar às atividades habituais, teve dificuldade para lidar com a situação. Do Sistema Único de Saúde (SUS), foi encaminhada para a Acadef a fim de ingressar no tratamento de reabilitação. As esperanças, confessa ela, não eram muitas.

“Não acreditava que a fisioterapia podia ajudar, pois eu sai do hospital sem conseguir caminhar 10m. Muito cansaço, fraqueza e falta de ar. Mas agora estou feliz, os resultados têm sido positivos, já consigo caminhar melhor, tomar banho em pé e sozinha, lavar uma louça”, disse.

Reforço

Conforme a fisioterapeuta Gabriela Rocha, ainda há pouca literatura a respeito da Covid-19 e suas consequências no organismo humano. Contudo, a Acadef está engajada em criar um programa de tratamento que facilite para os próximos pacientes e instituições que venham a precisar aplicar fisioterapia pulmonar. O fisioterapeuta e gestor da Associação, Jivago Di Napoli, ressaltou que a importância desse piloto. “Pelo que temos observado, a demanda pela reabilitação pneumofuncional deve crescer exponencialmente e por isso estamos nos Por conta da falta de experiência com a situação atípica, os profissionais não estão dando prazo para o encerramento dos tratamento, avaliando caso a caso para verificar os impactos em cada pessoa. “Estamos aplicando reforço muscular global e padrões respiratórios para facilitar a entrada e saída de ar, pois o principal sintoma pós-covid tem sido a falta de oxigenação dos tecidos”, explicou Gabriela.

Ingresso no centro de reabilitação

Para receber tratamento na Acadef, que é uma entidade particular, conveniada com o Ministério da Saúde e que atende 100% pelo SUS, a pessoa deve procurar sua unidade de saúde de referência e solicitar ao médico um formulário especificando o tipo de tratamento e o equipamento necessário para tal. Depois, o paciente deve anexar à prescrição dada pelo médico com cópias dos seguintes documentos pessoais: RG e CPF, Cartão do SUS (Cartão Nacional de Saúde), comprovante de residência com CEP e um telefone para contato. Por fim, tudo deve ser entregue no protocolo ou Secretaria de Saúde do município onde a pessoa reside. Após esses três passos, a Acadef reforça que o cidadão deve aguardar a chamada da Secretaria Municipal de Saúde, que informará o dia e hora da sessão. A agenda da Associação é regulada pelo Estado.
Por conta da Covid-19, o local, que fica no Bairro N. Sra. das Graças, em Canoas, está seguindo uma série de protocolos de saúde e segurança. Para ingressar, a pessoa deve estar de máscara, permitir a aferição de temperatura e lavar as mãos com água e sabão, em uma pia na entrada.

Dias difíceis e um imenso desejo de viver e seguir em frente

Exercícios físicos ajudam a reestabelecer atividade pulmonar dos pacientes Foto: PAULO PIRES/GES
Na manhã desta terça-feira (3), quando a reportagem acompanhou a sessão de tratamento de Eliane, ela chegou cansada e ofegante. Os dias difíceis ainda não passaram, mas o pesadelo, sim. Da UTI, Eliane não tem muitas recordações, mas lembra de ficar sem reação a tudo que estava acontecendo. “Eu não sei explicar direito, mas parece que todos os meus sentimentos sumiram, nem Deus mais eu entendia”, recordou ela, enquanto caminhava lentamente na esteira, que complementou: “Quando e fui para o quarto e me dei conta, chorei. Vi pessoas morrendo do meu lado e aí me deu uma força para querer viver. Cada coisa que eu podia voltar a fazer, tomar banho, comer, tudo me dava muita felicidade”.

Boa parte do tratamento, segundo o fisioterapeuta Alexandre Ferreira, que também coordena as sessões de Eliane, é o comprometimento do paciente em continuar os exercícios em casa para ajudar no aceleramento da melhora. “É uma união entre os médicos, fisioterapeutas e a própria paciente”, comentou. Em acompanhamento com pneumologista, a suspeita agora é de que esteja com trombose pulmonar mas, agora, se tratamento, Eliane tem uma nova perspectiva. “Todo o esforço tem feito diferença”, afirmou.

Com a demanda, a Acadef tem como ideia e objetivo montar um grupo com os pacientes da reabilitação pneumofuncional para estudar melhor os impactos da Covid-19 nas pessoas, seus diferentes impactos, as melhorias oportunizadas pela fisioterapia e para proporcionar um espaço de convivência entre os vitoriosos que passaram pela doença e saíram com vontade de seguir em frente.

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