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Pesquisadores encontram poluição por resíduos plásticos no litoral e no Rio dos Sinos

Na região, foram três pontos de coleta de água do Sinos para a pesquisa: São Leopoldo, Parobé e Caraá

Poluição preocupa pesquisadores no Rio dos Sinos Foto: Universidade Feevale
Assim como as queimadas que atingem o País, outras preocupações com a natureza têm alertado aos ambientalistas. Os resíduos plásticos, por exemplo, podem, desde sua produção, acabar atingindo os ecossistemas naturais. Estes materiais podem ser transportados até as áreas oceânicas através dos rios. Com o objetivo de detectar a presença destes resíduos, tanto na região litorânea média do Estado, quanto no Rio dos Sinos, pesquisadores da Universidade Feevale desenvolveram projetos de pesquisa na área. Foi constatado, após coleta de amostras de água e sedimento ao longo do Rio dos Sinos, a presença de microplásticos.

Acadêmicos do mestrado em Qualidade Ambiental localizaram diversos resíduos nos três pontos de coleta, nos municípios de São Leopoldo, Parobé e Caraá. A pesquisa Microplásticos no Rio dos Sinos: ocorrência, caracterização e avaliação dos potenciais efeitos ecotoxicológicos é orientada pela professora Vanusca Dalosto Jahno, da Feevale, pelo professor Günther Gehlen e pela professora Paula Sobral, da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa – FCT-NOVA, de Portugal. Um dos objetivos é, também, analisar quais os potenciais efeitos ecotoxicológicos que essa contaminação pode causar aos seres vivos e à saúde humana.

O Rio dos Sinos nasce nos morros do município de Caraá no litoral norte gaúcho (distante 130 quilômetros de Porto Alegre) em altitudes superiores a 800 metros e percorre um percurso de cerca de 190 km, desembocando no delta do Jacuí, no município de Canoas, numa altitude de apenas 5 metros. Ele banha diversas e importantes cidades do Estado.

Alerta também no litoral

Com o objetivo de diagnosticar a poluição por resíduos de origem antrópica no litoral médio leste do Rio Grande do Sul, os pesquisadores também têm realizado coletas dos resíduos encontrados em outros três pontos distribuídos em uma faixa de praia de, aproximadamente, 30 quilômetros do litoral médio do Estado. Abrangendo as cidades de Mostardas e Tavares, a região tem um dos pontos de coleta inserido em uma Unidade de Conservação de importância internacional, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe.

Nesta região o diagnóstico da poluição se dará por meio da quantificação dos itens e objetos coletados e da sua classificação em tipo de material, tais como plástico, tecido, vidro/cerâmica, metal, papel/papelão, borracha e madeira, e prováveis fontes, tais como pesca, uso local ou doméstico. Apesar do enfoque ser nos macrorresíduos, o trabalho também aborda os grandes microplásticos, que variam de 1 a 5 mm de tamanho, são visíveis a olho nu e encontrados durante as coletas em campo, em especial os pellets, plástico virgem em formato de esferas e utilizado como matéria-prima pela indústria.

Até o momento, o trabalho já pôde identificar o plástico como o material de maior abundância, a pesca como uma das maiores fontes dos resíduos amostrados e os pellets como os grandes microplásticos mais encontrados. O trabalho conta com o apoio do Parque Nacional da Lagoa do Peixe e com a parceria do Instituto Curicaca, organização não governamental que desenvolve projetos de educação ambiental, gestão de resíduos sólidos, ecoturismo e desenvolvimento sustentável na região. 

O Parque Nacional da Lagoa do Peixe possui importância internacional devido as aves migratórias que fazem uso do local para descanso, alimentação e reprodução, como os Flamingos. 

 

Saiba mais

De acordo com a professora e pesquisadora Vanusca Dalosto Jahno, os resíduos encontrados no meio ambiente podem ser de vários tamanhos, formas e cores e são provenientes de muitos tipos de produtos plásticos, utilizados no dia a dia em nossas atividades sociais. Desde a indústria e antes mesmo de ser consumido, um produto feito de resinas poliméricas provenientes de recursos naturais fósseis, como é o caso do plástico virgem (que é fabricado a partir do petróleo), pode contaminar os recursos hídricos e o seu descarte incorreto, após o consumo, configura mais uma fonte de contaminação. “Da mesma forma, as redes de pesca, por exemplo, ao serem descartadas em alto mar ou mesmo na areia da praia, podem causar problemas aos organismos vivos”, explica.

De modo geral, os resíduos maiores e que são facilmente visíveis são os chamados macroplásticos (maiores que 2.5cm); já os microplásticos são micropartículas menores que 5mm. Menores em tamanho existem, ainda, os nanoplásticos. Os microplásticos são divididos em duas categorias, dependendo do tamanho: grandes ou pequenos. Podem, também, ser primários ou secundários, dependendo da sua origem. Os primários referem-se aos que são gerados pela indústria, por exemplo, no momento da produção e chegam até os recursos hídricos via efluentes industriais, como é o caso das fibras têxteis, também chamadas de microfibras.

Já os microplásticos secundários são aqueles provenientes da fragmentação (ou quebra) a partir de plásticos maiores por meio de processos e fatores abióticos (como radiação solar, oxidação e força mecânica, entre outros). Portanto, todo e qualquer material plástico pode ser interpretado como uma potencial fonte secundária. Juntamente com outros materiais gerados pelas atividades humanas, como madeira processada, cerâmica, metal e borracha, são chamados também de macrorresíduos, pois são de fácil visualização nos centros urbanos, em corpos d’água e em diferentes ambientes da região costeira.


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