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Notícias | Região Pesando no bolso

Gasolina fica mais cara a partir desta quarta-feira

Impostos representam a maior porcentagem na composição do preço do litro da gasolina que chega ao consumidor final

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 15.09.2020 às 07:42 Última atualização: 15.09.2020 às 13:33

Com queda no faturamento durante a pandemia, postos de gasolina de Canoas enfrentam dificuldades para se manter Foto: PAULO PIRES/GES

A partir desta quarta-feira (16), os preços de pauta dos combustíveis - ditados pelo Governo Estadual para a cobrança do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) - sobem no Rio Grande do Sul. O aumento tributário, conforme o presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua, impacta diretamente o valor final que é repassado ao consumidor nas bombas. “O posto paga os impostos já quando compra o combustível da distribuidora, não tem como escapar”, comenta ele. Esse custo é revisto a cada 15 dias pelo governo e pode apresentar diferenças para mais ou para menos, seguindo pesquisa própria.

Com queda no faturamento durante a pandemia de Covid-19, que reduziu a demanda por combustíveis devido às regras de distanciamento social que levaram muitas pessoas ao trabalho remoto e diminuição de atividades fora de casa, os postos de gasolina de Canoas vem enfrentando dificuldades para se manter. A baixa margem de lucro disponível, por conta da composição do preço envolver diversos fatores, tem levado estabelecimentos ao prejuízo e até mesmo fechamento.

Composição do custo

Para entender as oscilações nos preços dos combustíveis, que mexem com o orçamento de famílias e empresas, é necessário conhecer a composição do valor da gasolina, por exemplo. De acordo com Dal’Aqua, 30% do custo é de produção da Petrobras, seja de combustível produzido aqui ou importado de outros países. Após essa etapa, as distribuidoras adicionam 27% de álcool à gasolina A para formar a gasolina C, vendida nos postos, e isso representa mais 10% de despesas. Depois, somam-se os tributos governamentais, sendo 30% de ICMS no RS, mais cerca de 17% de impostos federais, a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (CIDE), Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ou seja, 47% do preço que o consumidor paga é apenas de tributos, o que pressiona os postos a aumentarem constantemente o valor do litro que, conforme a última pesquisa feita pela reportagem na cidade, na última semana, estava chegando a R$ 4,55. Até aqui, o custo total fecha 87%. “O resto, 13%, é dividido entre logística, margem da distribuidora, que pode vender para os postos a preços diferentes, e margem do próprio posto que além de cobrar o lucro no litro, precisa tirar todas as suas despesas básicas de manutenção”, explica Dal’Aqua. Também motivo de dúvidas dos motoristas, faz-se essencial esclarecer que os principais fatores que levam a acréscimos no preço do litro estão ligados ao mercado internacional, que determina o valor de produção e venda dos barris de petróleo por parte das refinarias, além da cotação do dólar, que muda frequentemente e atinge o mercado de combustíveis.

Como solucionar

A solicitação da Sulpetro para o Governo Estadual é que na Reforma Tributária, que deve ter decisão até o final deste ano, o percentual do ICMS volte a 25%, diminuindo 5% do tributo praticado atualmente. “A solução é o Governo fazer reformas administrativas para diminuir seus custos, baixar o peso do Estado na conta do contribuinte, rever os privilégios do funcionalismo. Sabemos que é um processo, que as mudanças não acontecem da noite pro dia, mas precisamos caminhar nesse sentido, porque os postos sozinhos não conseguem resolver a questão do preço que o consumidor paga”, enfatiza Dal’Aqua.

Nova tabela de preços de pauta

Gasolina C – De R$ 4,3613 passa para R$ 4,5331
Gasolina Premium – De R$ 6,8905 passa para R$ 6,9428
Diesel S 10 – De R$ 3,3835 passa para R$ 3,4738
Diesel S 500 – De R$ 3,3268 passa para R$ 3,4182
Etanol (AEHC) – De R$ 3,9478 passa para R$ 3,9738
GNV – De R$ 3,5413 passa para R$ 3,5419

“A gente reclama pra quem?”

Aumento deve elevar custos de entregador em 20% Foto: PAULO PIRES/GES
Entregador autônomo, Paulo Santi circula de carro de segunda à sábado pela Região Metropolitana para carregar e descarregar encomendas. Por semana, o gasto com gasolina já está em R$ 600,00. Com o aumento previsto, ele acredita que terá que desembolsar pelo menos 20% a mais para continuar trabalhando. “Aumenta toda hora, vou precisar repensar o trabalho, porque começa a ficar inviável. Deixei de ser motorista de aplicativo porque não compensava”, conta ele. Dos valores que recebe pelas entregas, sem contar seu custo de vida fora o carro, Santi precisa, além de abastecer pagar a prestação do veículo, seguro, rastreador e manutenção. Sempre de olho nos preços, o local onde tem encontrado no momento o valor do litro mais em conta é na cidade de Sapucaia do Sul, a R$ 4,16. Entretanto, o motorista é ciente de que o mercado dos combustíveis afeta toda a economia, a níveis municipal, estadual e federal. “A gente reclama pra quem? Quando a gasolina sobe tudo sobe, é complicado”, desabafa ele.

Entrevista

João Fernandes, economista da Quantitas Foto: Divulgação
João Fernandes, economista da Gestora de Fundos de Investimento Quantitas explica como o preço dos combustíveis é determinado, tira dúvidas sobre a nova gasolina e a oscilação sentida pelos canoenses nas bombas de gasolina nos últimos meses. Especialista ainda faz previsão sobre o mercado de combustíveis com a melhora dos cenários econômicos a partir das flexibilizações da pandemia de Covid-19.

DC: Como é determinado o preço para as distribuidoras?
A Petrobras utiliza o preço internacional de importação da gasolina e a cotação do dólar. Quem mais varia o preço é a distribuidora, que tem total liberdade para decidir por quanto vende. Os postos acabam com menos margem, mas também podem decidir o valor final após a contabilização dos custos.

DC: Como explicar as oscilações dos combustíveis nos últimos meses?
Depois da queda forte do início do ano por conta da pandemia, as cotações internacionais e o dólar começaram a subir e isso aumentou o preço para a Petrobras. Os postos se viram numa situação ruim, porque o valor subiu e a demanda diminuiu, então o consumidor precisa ficar atento que esses últimos aumentos ainda não representam toda a previsão por ano. Os postos estão repassando de forma progressiva para manter a clientela.

DC: A nova gasolina interfere no valor da bomba?
Esse é um terceiro fato, todo aumento que vimos até agora veio do preço internacional e do dólar. No meio disso tudo, surgiu a nova gasolina, que se apresenta como mais eficiente, mas que custa mais. Mas se pensarmos que com a mesma quantidade de combustível o carro vai rodar mais quilômetros, o motorista sai no zero a zero em relação ao investimento. O aumento é distribuído entre outros fatores e de forma progressiva, então se sente pouco no bolso sobre a gasolina nova especificamente.

DC: Quais os efeitos da pandemia?
A situação tem melhorado, principalmente a nível global e o Brasil não é exceção. As economias estão sendo reabertas, as regiões estão conseguindo controlar a curva de casos com outras medidas, permitindo a flexibilização para as atividades econômicas. Com a melhora na economia dos Estados Unidos também, a tendência é melhorar para o mercado de combustíveis.


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