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Notícias | Região Dor crônica

Fibromialgia: doença que os olhos não veem, mas o corpo sente

Pessoas com este diagnóstico sofrem com dores constantes e com o preconceito. Em Canoas, elas têm direito a atendimento preferencial

Por Bruna Aquino
Publicado em: 29.07.2020 às 09:00

Com dificuldades para andar devido à fibromialgia, Daniela usa uma bengala e toma diversos medicamentos para minimizar os efeitos da doença que a incapacita Foto: Daniela Costi/Arquivo pessoal
Técnica em enfermagem e servidora do município de Canoas, Daniela Costa Costi, 40 anos, viu sua vida mudar radicalmente há um ano e sete meses, quando teve confirmado o diagnóstico de fibromialgia. Desconhecida pela maioria da população, a doença é uma síndrome caracterizada por dor muscular generalizada crônica, dor à palpação da musculatura, alterações do sono, cansaço e problemas com humor, concentração e memória, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.

"Percorri vários médicos, Eu tinha muitas dores, principalmente nas pernas e nas mãos e, em função disso, parei de trabalhar. Fiz uns exames e um reumato constatou", conta Daniela sobre a descoberta. Hoje, ela gasta cerca de R$ 2 mil em medicação todos os meses e convive com a dor diária - até para pentear o cabelo. "Tomo até morfina e nem posso receber um abraço. É muito difícil, é uma doença que ninguém vê."

Como precisou parar de trabalhar devido às dores, Daniela, conta com o marido - que trabalha em dois empregos - e com a ajuda da filha mais velha, de 19 anos, para as tarefas domésticas. Afastada pelo INSS, hoje a técnica em enfermagem recebe um salário mínimo. "Tenho laudos do psiquiatra, do reumato e do médico da dor. Os peritos dizem que fibromialgia não é doença. Os peritos do INSS acham que eu tô bem. Eu não usaria bengala se eu tivesse bem."

O preconceito é sentido na pele por quem tem fibromialgia: "É bem grande o preconceito. As pessoas acham que estou bem por não enxergar a doença. No momento que eu estou na fila preferencial, tenho que carregar meu laudo. Não sou gestante, não sou idosa, e porque estou com a bengala não complicam. As poucas vezes que saio ainda tenho que lidar com essa situação." Para Daniela, o que falta em Canoas é um reumatologista que atenda pelo SUS. Procurada, a Prefeitura afirmou que o HU conta com reumato. "A equipe que cuida desses pacientes é multidisciplinar, composta pelos seguintes profissionais: fisioterapeuta, neurologista, enfermeiro, reumatologista e clínico geral", afirma a Prefeitura.

Atendimento preferencial

Desde 18 de abril do ano passado, os portadores de fibromialgia que residem em Canoas têm direito a atendimento preferencial em concessionárias públicas e privadas de serviços - como bancos, supermercados. São os mesmos direitos de idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo.

Autor da lei, o vereador Dario Francisco da Silveira comenta: "A Dani meio que liderou esse processo. Ouvi que essas pessoas sofriam muito. É uma doença muito séria, que tem atingido um número muito grande de pessoas no Brasil. Só quem sente mesmo que consegue saber".

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