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Notícias | Região São Leopoldo

Grafiteiros concluem trabalho em entidade pichada com símbolos nazistas

Ofensas foram cobertas com desenhos coloridos que enaltecem a diversidade

Por Alecs Dall' Olmo
Última atualização: 10.07.2020 às 11:19

Rostos ganham espaço e traços nas paredes da Associação de Moradores Antonio Leite Foto: Diego da Rosa/;GES/Diego da Rosa/GES
Xamã, Valter Aums, Bart, Silvio Arapa e Iam Persona esperaram a chuva dos últimos dias passar para colocar traços e cores sobre as paredes do prédio da Associação de Moradores da Vila Antônio Leite, no bairro Campina, em São Leopoldo. E eles criaram rostos. A ideia é mostrar que todos fazem parte de uma mesma família: a humana. E que ataques há um membro dessa família plena de diversidade é um ataque a todos. Na última semana, a instituição foi pichada com ofensas racistas e homofóbicas, além de suásticas. O caso foi denunciado à Polícia Civil. A investigação está sob a responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia, que tem como titular o delegado Rodrigo Zucco.

Resposta

No último sábado, o grafiteiro e artista visual Mateus Xamã decidiu, junto com outros colegas, cobrir tudo com tinta e preparar uma grande tela no concreto para a arte. Xamã decidiu que era necessário mobilizar amigos para apagar e fazer arte."Entrei em contato com amigos grafiteiros de toda a região e todos logo concordaram que tínhamos que tapar isso. Esperamos, então, um dia de sol para poder fazer o trabalho", conta Xamã. E o sol permitiu a ação ontem.

"Foi um ataque numa quebrada e isso se responde com arte", enfatiza. O titular da Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SEDHU), Dudu Moraes, repudia o ato e está articulando ações de conscientização por meio das redes sociais para tratar de temas sobre igualdade racial e diversidade.

*Colaborou: Priscila Carvalho

De todas as cores

O ataque ocorrido há uma semana parece ter com alvo a diretoria da associação, cuja a presidente é uma mulher transexual e o vicepresidente é negro. “Eu não queria aceitar. É um misto de medo e terrorismo. Achei que não ia sentir isso, mas estou. Estou com medo e agora fico atenta a qualquer movimento”, relata a presidente Sara Gonçalves, a Sarita, como é conhecida na comunidade.

Xamã foi ao local no último sábado e, com material e doações de tintas e amigos, fez o primeiro trabalho, pintando sobre a pichação. Para o artista Iam Persona, de Canoas, a mobilização é essencial. “É o certo. Precisamos nos juntar contra essas pessoas que pensam assim. E a arte está aí para mostrar cores e valores. E a arte não tem uma cor. Ela tem todas cores. O tom de pele tem todas as cores.”

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