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Notícias | Região Falso tratamento

Foram meia dúzia de mulheres abusadas sexualmente por terapeuta, segundo a Polícia Civil

À frente da investigação, a delegada Clarissa Demartini espera que outras busquem a Delegacia da Mulher de Canoas para relatar abusos e somar denúncias contra o suspeito preso nesta segunda-feira (29)

Por Leandro Domingos
Última atualização: 30.06.2020 às 11:50

Delegada Clarissa Demartini coordenou a apuração que terminou na prisão do terapeuta Foto: Paulo Pires/GES/PAULO PIRES
Além das denúncias, temos fotos, vídeos e documentos que comprovam a suspeita de que ele abusava das vítimas. Este homem foi preso preventivamente e nossa ideia é que ele continue preso", explica o delegado Mario Souza, feliz pelo que classificou como uma das mais importantes prisões do ano: a captura do terapeuta holístico executada na manhã desta segunda-feira, no bairro Igara, em Canoas. Conforme o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana [DPRM], a Polícia Civil tirou de circulação um homem que se aproveitava do status para enganar e abusar de mulheres.

A investigação foi conduzida pela delegada Clarissa Demartini, da Delegacia Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Canoas, culminando na chamada Operação Sete Chakras. Conforme ela, através de depoimentos, a polícia descobriu que o tal terapeuta submetia as clientes à terapia sexual como forma de tratamento. Somente um artifício para atrair e abusar das vítimas. "Em maio deste ano foram registradas as primeiras ocorrências relatando o crime envolvendo violência sexual praticada pelo suspeito", aponta.

Foram pelo menos meia dúzia de vítimas, segundo a polícia. De acordo com a delegada, elas relataram que, quando tinham algum problema íntimo, o terapeuta iniciava a aproximação física, evoluindo para o contato sexual. Durante as sessões, ele conversava com as vítimas e, ao longo da conversa, começava com toques no corpo das pacientes, sugerindo também que elas o tocassem em suas partes íntimas. Em pelo menos uma das pacientes o contato resultou em ato sexual, conforme a apuração.

Bastante conhecido em Canoas, o homem de 35 anos, através da terapia, dizia que faria crescer profissionalmente cada vítima. Este tipo de "conversa", segundo Clarissa, acabava lesando financeiramente algumas. Só uma, teve gastos em torno de R$ 25 mil reais com o falso paciente. "Esperamos que a partir desta investigação, outras mulheres se sintam encorajadas a denunciar possíveis abusos sofridos por ele."

Fazia inclusive ameaças contra as mulheres

Conforme o delegado Mario Souza, as vítimas que chegaram até a Polícia Civil estavam bastante fragilizadas emocionalmente. É que o suspeito era visto como um "mestre" por elas. Para manter o tratamento em sigilo, ele inclusive ameaçava que algo de ruim poderia acontecer com a vítima, caso ela levasse o assunto para outras pessoas. "O suspeito insistia para que suas pacientes continuassem o tratamento com ele e não procurassem outros profissionais, dizendo para acreditarem no tratamento proposto e não contarem a ninguém a terapia sexual aplicada. Em pelo menos uma das pacientes, houve penetração e o inquérito também aponta sexo oral e masturbação", aponta o delegado. "Ele se valia da condição de guru espiritual para manter contato sexual com as vítimas", continua. "É um caso chocante, que causou um grande sofrimento às vítimas."

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