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Notícias | Região Meteorologia

Entenda por que o Rio Grande do Sul vive a pior seca dos últimos 35 anos

Sem influência do El Niño e de La Niña, 2020 deve ser marcado pela estiagem

Por Débora Ertel
Última atualização: 23.04.2020 às 15:45

Açudes, rios e córregos usados como fonte de água para irrigação estão com níveis muito baixos Foto: Divulgação/Prefeitura de Bom Princípio
O Rio Grande do Sul enfrenta o quinto mês de estiagem e não para de acumular prejuízos pela falta de chuva. Dados da Estação de Climatologia de Campo Bom apontam que é a seca mais rigorosa que a região enfrenta desde 1984. E ainda há previsão que a pouca chuva se repetida na primavera.

Neste mês de abril choveu apenas 22,4 milímetros, enquanto que a média é de 138,9 milímetros. Ou seja, choveu 83,87% a menos que o esperado. O problema, é que a precipitação é menor desde dezembro. De lá para cá, enquanto que a média histórica projetava 677 milímetros, choveu 226 milímetros, quase 67% a menos.

A tendência é que abril termine com baixo volume de precipitação, pois a chuva só deve chegar entre quinta e sexta-feira da próxima semana. Mas qual é a explicação para a falta de chuva por tanto tempo, sendo a mais grave em 36 anos?

Conforme a meteorologista da MetSul, Estael Sias, as razões para essa condição não são tão simples de explicar. “O primeiro ponto é que a seca ocorre num período de neutralidade climática, sem El Niño ou La Niña”, diz. Ou seja, não há resfriamento e nem aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Estael explica que, quando há neutralidade, outros vetores que são secundários ganham mais peso.

Segundo a profissional, estiagens regionalizadas nos meses de verão são normais. “É a condição típica uma vez que a chuva no verão é resultado de pancadas associadas ao calor. Mas o quadro é mais grave agora e começou em novembro”, comenta.

Umidade da Amazônia

A meteorologista observa que o canal de umidade da Amazônia ficou concentrado na área central do Brasil e provocou excesso de chuva no Sudeste, especialmente nos meses de verão. Assim, a umidade não veio até a região Sul para contribuir com a chuva no Rio Grande do Sul. “Isso deverá ocorrer nas próximas semanas com a redução da chuva por lá”, projeta.

Apesar de prever uma chuva mais intensa a partir da segunda quinzena do mês de maio, alcançando a média de 108 milímetros, o cenário futuro não é nada animador para a agricultura e o abastecimento. Isso porque nas próximas semanas o Oceano Pacífico está passando por uma transição importante, saindo da neutralidade para o resfriamento rápido. “Isso poderá configurar um episódio de La Niña, o que para o Rio Grande do Sul significa menos chuva”, destaca.

Influência do La Ninã

Conforme Estael, há expectativa de chuva regular no inverno, mas preocupa no segundo semestre os meses de primavera e, talvez verão, que poderá ter a influência do La Niña , provocando chuva abaixo a média. “O cenário é nada animador para agricultura e abastecimento de água, que já é problema em muitas cidades”, finaliza

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