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Plano de bacia do Rio dos Sinos poderia minimizar os efeitos em períodos de seca

Ações que não foram cumpridas desde 2014 dependem de uma série de agentes; reservação de água, por exemplo, pode ser a solução quando a chuva não vem Reportagem: Bianca Dilly

Há alguma forma de evitar a estiagem? É possível minimizar os seus efeitos? E a região está fazendo a lição de casa para que isso seja concretizado? Não, sim e talvez. Com o verão muito seco e de poucas chuvas que atinge o Estado, voltam à tona velhos questionamentos sobre a melhor utilização dos recursos hídricos. Até o momento, não foi registrada a falta de água para abastecer a população ocasionada por esse motivo, porém, como bem finito, é preciso olhar para a frente e projetar o futuro. Em um primeiro momento, um passo fundamental é verificar a execução do Plano de Bacia do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos), formulado há mais de cinco anos, em 2014.

Pelo menos dois pontos abordam o gerenciamento das águas: o programa de otimização de demandas de água e o programa de aumento da disponibilidade hídrica. De acordo com o presidente do Comitesinos, Anderson Etter, o primeiro deles está em "pleno andamento". O segundo não depende apenas dos esforços do Comitê. "A condução desses programas está vinculada a uma série de atores. Ao Comitê, cabe o papel de trabalhar como articulador, para que sejam colocados em prática e para que as ações sejam cumpridas", explica. Entre os componentes, podem ser citadas as operadoras de água, indústrias, produtores rurais, prefeituras e suas secretarias, além dos próprios consumidores domésticos.

1) Otimização

Aqui, entram como pontos principais a racionalização do uso da água, elaboração de estudos sobre o reuso hídrico nos diversos processos, redução de perdas nos sistemas de abastecimento de água, ações para equilibrar o balanço de água e melhor manejo na transposição. "A contratação de corpo técnico para possibilitar a ação está vinculada a recursos oriundos do fundo estadual", destaca. De acordo com Etter, no plano de ação inicial havia uma previsão de que isso fosse executado nos dois primeiros anos do plano, o que não se consolidou. "Agora, com a eleição no último mês de outubro, apresentamos nosso programa de sugestão para os próximos dois anos e o estudo de regularização da vazão está entre as pautas", acrescenta.

Sobre as outras ações relacionadas à otimização, o presidente do Comitesinos afirma que estão progredindo. "Em dezembro, tivemos um seminário na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Nele, as três operadoras apresentaram ações para redução de perdas no abastecimento de água. Além disso, houve apresentações sobre a transposição envolvendo os rios Caí, Sinos e Paranhana", descreve. Esta proposta fica a cargo da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE).

 

2) Disponibilidade

Três ações constituem este capítulo do plano de bacia: reservação de pequeno porte, incentivo ao uso de cisternas em lotes urbanos e rurais e elaboração de estudo comparativo de alternativas de intervenções de regularização de vazões e para equilíbrio do balanço hídrico. "Também temos um acordo de alguns anos, entre agricultores e operadoras de água, que prevê que quando determinados níveis de captação forem atingidos em épocas de seca, há a suspensão de irrigação", ressalta Etter. Até o momento não foi necessário aplicar a medida.

Para Etter, o estudo é fundamental. "Ele possibilitaria comparativos e implementados sistemas que permitam a ampliação de recursos hídricos", conclui.

Nível de água do rio ainda permite captação

Em Novo Hamburgo, segundo o coordenador da Defesa Civil, tenente Claudiomiro da Fonseca, o nível do Rio dos Sinos estava em 2,23 metros na manhã de segunda-feira desta semana. Ele ressalta que o índice ainda está dentro da normalidade para esse período. "Em janeiro e fevereiro o índice sempre oscila entre 2,5 e 3 metros. A Comusa consegue captar com níveis mais baixos do que isso, em 1,5 metros eles ainda conseguem captar água", destaca. Na região, outros órgãos salientam que nível ainda não atingiu limite em rios.

é a média nacional de perda hídrica

A Comusa diz que conseguiu reduzir suas perdas de 50 para 35%, abaixo dos números do País. "Parte expressiva desta perda é por submedição. Com ações como a substituição de redes e investimentos na infraestrutura, garantimos economia de 15%", frisa o diretor de relacionamento com o cliente da autarquia, Silvio Klein.

Reservação de água como solução

De acordo com o docente do Programa de Pós-Graduação em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fernando Spilki, a falta de disponibilidade de água tem um motivo principal: está estreitamente relacionada com a falta de chuva. "Com estudos que foram feitos anteriormente, principalmente durante o plano de bacia, se comprovou que a chuva é o grande determinante. Faltou chuva, não tem água", destaca.

Nesse sentido, uma possível solução é a reservação de água. Porém, ele afirma que ainda não há estratégias adequadas para isso. "Não estou falando de barragens, mas de proteção de banhado. Na região, especialmente nas zonas rurais e pequenas propriedades, esse seria o grande mote para preservação, porque já constatamos que a bacia do Sinos conta com um grande volume de água que pode ser contingenciado", diz.

Para isso, as áreas úmidas serviriam de reserva para manutenção da disponibilidade de água. "Permitindo que elas sejam inundadas adequadamente, poderíamos garantir a continuidade do volume de vazão do rio e seguramente teríamos água sobrando nesse momento", descreve. Segundo Spilki, outras questões atravancam o andamento da proposta. "Ela demanda esforço de todos e, inclusive, de regulamentação fundiária, de proibição de delimitação de áreas... É um esforço que já foi feito no passado, a partir do Ministério Público e do Comitê de bacia, mas que talvez precise ser intensificado ao longo dos anos", salienta.

O uso racional da água pelas famílias é outro ponto importante, destaca Spilki. O que não deve deixar de ser feito, também, é a cobrança das autoridades para um sistema mais sustentável.

Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos

É formada por 32 municípios, em uma área de 3.693 km², integrando a Região Hidrográfica do Guaíba. O Sinos nasce a 600 metros de altura do interior do município de Caraá e tem sua foz em Canoas, com 190 quilômetros de extensão.

Otimização dos processos para economizar água

Com o Programa de Eficiência Hidroenergética Semae Sustentável, a autarquia de São Leopoldo deixou de retirar 3.923.336 metros cúbicos de água do Rio dos Sinos nos últimos três anos. Foram R$ 2 milhões em ações.

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