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Notícias | Região NFL em Canoas

Touchdown! Gigantes e ligeiros do Canoas Bulls sonham com a elite

Equipe de Futebol Americano daqui contrata head coach mexicano para temporada 2020 e quer consolidar nome no esporte gringo praticado por 17 mil no Brasil

Por Jeison Silva
Última atualização: 10.12.2019 às 17:16

Temporada de 2020 vai ser "mil graus" para os atletas com técnico mexicano Foto: PAULO PIRES
“O objetivo é conquistar o território do adversário e não deixar que o adversário conquiste o seu”, resume o defensive lineman do Canoas Bulls, o venezuelano de Winston Ponce, 40.

As regras do Futebol Americano não são das mais fáceis, tanto para reles mortais quanto para praticantes aficionados. “Vários de nós já conhecem 90% das regras, mas não todas, existem muitos termos em inglês.” A arte do mítico quarterback (armador de ataque) do New England Patriots, Tom Brady, vem conquistando devotos em plena terra do futebol. E já chegou à cidade.


Nosso país tem 442 equipes federadas e mais de 17 mil praticantes, de acordo com a Confederação Brasileira de Futebol Americano (que participou de audiência pública na metade do ano na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados). Os números são conflitantes, mas dois institutos internacionais de pesquisa de mercado, Global Web Index e Statista, colocam o Brasil na terceira posição do ranking mundial de torcedores (19,7 milhões de fãs) da National Football League (NFL): na liderança absoluta, claro, os EUA (115 milhões de fãs), seguido do México (23,3 milhões de fãs).

Conta-se que o esporte surgiu no século XIX, no meio universitário norte-americano, mesclando rugby e futebol europeu. No Brasil, a transmissão da NFL pela TV a cabo encheu os olhos de torcedores e motivou a formação de times, primeiro no RJ, a partir do início dos Anos 2000.

Bola oval no Parcão

Bulls querem popularizar o esporte e mostrar que todos podem jogal Foto: PAULO PIRES
Criado em 2007 da junção de duas equipes da Capital, a Porto Alegre Predadores e a São José Bulls, o Canoas Bulls treina todos os domingos (das 9 às 12 horas) no Parque Eduardo Gomes, o nosso Parcão. Os fundadores são Cristiano Leão, Junior Colman e “Gordo” André. “Às quartas, o treinamento é das 22 às 24 horas, na HD Farrapos, em Porto Alegre”, conta Winston, um “armário” de 1,96 de altura e 122 quilos. “O ritmo de preparação deve ficar mais intenso com a chegada do novo treinador mexicano, Oscar Capuchino, contratado para a temporada 2020.” Com 70 atletas no elenco, de toda a região, desde 2015 batizado de Canoas Bulls, a equipe vem beliscando colocações no ranking nacional. É um esporte caro: uma única partida custa R$ 9 mil para ser realizada.


Atualmente o Bulls joga na PUCRS da Capital e em São Leopoldo, no estádio do Nacional. “Só não jogamos em Canoas oficialmente porque a Ulbra tem uma ótima estrutura, mas não dispõe de arquibancada”, aponta o defensive lineman. “Somos o terceiro time do Estado, atrás do Santa Maria Soldiers e do Armada Lions, de Porto Alegre.”


A virada de chave em busca do grupo de elite é a chegada de um head coach consagrado pelo trabalho na comissão técnica do Gaspar Black Hawks, de Santa Catarina. “Resolvemos buscar o mexicano Oscar Capuchino, que já foi profissional Offensive Lineman na Condors (LFA – México)”, explica Winston. “Além de ter 'sangue no olho', Capuchino tem didática e pode levar nossa equipe para outro nível.” Os jogadores daqui estão se preparando também psicologicamente, pois conciliam outras profissões com o esporte do coração: os treinos físicos e táticos vão ser mais intensos do que já eram.

Forma física
Não é que seja um esporte violento, como se pensa. Mas, de acordo com a fisioterapeuta da equipe, Jéssica Quadro, as lesões mais recorrentes são de joelho, tornozelo e coxa. “Tem a questão das corridas fortes, do choque e até do capacete do adversário do joelho de outro jogador”, explica. “Por enquanto, estamos tratando das lesões, mas o trabalho a partir de 2020 é preventivo.”
O Canoas Bulls realizará um try out em 19 de janeiro, uma seletiva para buscar novos jogadores. “O pré-requisito é estar em boa forma física”, destaca Winston. “E a condição física é independente de peso e estatura.” Quem passar nos testes precisa suar para manter o nome do Bulls, pois a equipe foi vice-campeã da Copa Sul 2018 e semi-finalista BFA acesso 2019. Para conferir tudo sobre a seletiva e assistir à transmissão de jogos da próxima temporada, acesse a fanpage do Facebook “Canoas Bulls”. A estreia do técnico Oscar Capuchino é em março, mas a Federação Gaúcha de Futebol Americano (FGFA) não montou a tabela de jogos até o momento.

Palavra do Head Coach

Capuchino já foi jogador e quer levar Bulls à elite nacional Foto: Arquivo Pessoal
“Um dos meus principais objetivos no time do Canoas bulls é transmitir e reforçar efetivamente conhecimento do futebol americano através de um programa de treinamento bem planejado e bem executado. Portanto se o staff e os jogadores da equipe tiverem um desempenho eficaz e com muita dedicação no treinamento alcançaremos com certeza um dos principais objetivos do time que é ser campeões nacionais da Conferência Sul, para chegar a liga de elite da Brasil Futebol Americano (BFA). Algo muito importante que eu e a equipe do Bulls queremos fazer na comunidade é incentivar a prática do Futebol Americano. É um dos melhores e mais completos esportes que existem, pois envolve muita inteligência, disciplina, caráter e também deixa lições que se pode aplicar ao longo da vida. Esse é um dos compromissos sociais que eu e a equipe temos com a comunidade de Canoas que nos apoia muito. Envio uma saudação e peço que nos apoiem e estejam atento ao Bulls, pois daremos o que falar.” (Oscar Capuchino, novo técnico do Canoas Bulls para 2020)

Para entender as regras
O campo tem 91,44 metros de comprimento por 48,76 metros de largura. São 20 zonas de cinco jardas cada uma. As traves têm uma distância entre si de 5,63 metros. O jogo é dividido em quatro tempos (quartos) de 15 minutos. Disputam a partida dois times com 11 jogadores cada. O touchdown é o grande momento, equivale a seis pontos e ocorre quando um jogador chega à linha final com a bola em mãos ou encosta a bola nessa linha. O tackle (derrubar) é quando um defensor precisa travar o adversário, cena icônica do esporte. O Ypslon é a “goleira”. As informações são da mestre em Ciências da Motricidade Paula Rondinelli.

Algumas jardas pelo Centro

Brasil é a terra do soccer, mas NFL tem fãs e curiosos por aqui Foto: PAULO PIRES
Para a sessão de fotos desta reportagem, os jogadores do Canoas Bulls foram convidados a demonstrar algumas jogadas em três pontos do Centro da cidade, bem integrados com a comunidade. Em todos os lugares visitados, na Rua Domingos Martins, no Parque dos Rosa e no Calçadão da Tiradentes, os equipamentos, os uniformes e a estranha “bola oval” chamaram muita atenção. Não faltaram selfies e olhares atentos a toda a parafernália de segurança que os atletas precisam vestir para saírem integros do field no final de uma partida.

Do baseball para o futebol

Winston trocou baseball pelo Futebol Americano Foto: PAULO PIRES
Winston Ponce é venezuelano e mora há 18 anos no Brasil. Em Caracas, jogava Baseball. “É o esporte nacional, só depois vem basquete, vôlei e o futebol (soccer)”, conta. “Vim para estudar na Ufrgs, acompanhava o Superball pela TV e decidi me tornar jogador.” Segundo ele, o Futebol Americano é um dos esportes mais democráticos, dentro das linhas, pelo menos. “Pode jogar tanto o cara que tem cem quilos, quanto os baixos e ágeis por serem bons corredores”, explica. “Caro é o equipamento, capacete, etc: é acima de R$ mil reais, usado.” Além de futebol americano, Canoas também tem um time de Rugby, o Minuano. Ambos treinam no Parcão. O atleta mais parrudo do Bulls tem 1,96 de altura e 160 quilos. O mais leve e mais rápido tem 1,60 de altura e 60 quilos.


Apoiadores e patrocinadores: O patrocinador oficial é a Líder Aco de Canoas, que está ajudando com todo o traslado e Patrocínio do Coach Capuchino. Entre os apoiadores, a Secretaria de Esportes de Canoas. Lifetime Academia, Lucas Klafke Quiropraxista, Fly Academia e HD Farrapos. Também a fisioterapeuta Jessica Quadro e a fotógrafa Karin Mendes.

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