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Notícias | Região História

Heranças do tempo da monarquia permanecem até hoje na região

Mais de um século após a proclamação da República no Brasil, celebrada nesta sexta (15), cidades ainda guardam vários vestígios do período imperial

Por Débora Ertel, Alecs Dall' Olmo e Rodrigo Becker
Última atualização: 16.11.2019 às 09:10

Foi em 15 de novembro de 1889, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que o Marechal Deodoro da Fonseca liderou um golpe de estado que tirou a família real do poder. Assim foi instaurada a República no Brasil que completou 130 anos. Mas quais foram as marcas e heranças deixadas pela monarquia que ainda estão presentes no dia a dia da região nos tempos atuais? A historiadora e professora das Faculdades Integradas de Taquara Dóris Fernandes é certeira ao responder a pergunta. "A primeira coisa é o projeto da imigração. Foi executado por Dom Pedro I e depois houve continuidade. É a implementação da pequena propriedade, da mão de obra livre, da policultura. Essa é a nossa herança maior", define.

Dom Pedro II doou 30 contos de réis para a obra em Ivoti, que foi batizada de Ponte do Imperador Foto: Débora Ertel/GES-Especial

A partir da chegada dos europeus, houve um avanço da colonização das terras em direção ao leste, para o lado de Sapiranga, e depois para região chamada de "Mundo Novo", onde fica Taquara. Conforme Dóris, essa nova maneira de ver o Brasil, de querer modernização da mão de obra, também trouxe dificuldades para o império. "Com a chegada dos colonos o poder é descentralizado, pois estava nas mãos dos estancienses, essa área vai se urbanizar de forma rápida, gerando cidades, como São Leopoldo, e núcleos rurais."

Já a historiadora e docente da Universidade Feevale Roswithia Weber destaca que a manutenção da unidade territorial do Brasil é herança da monarquia, pois foi durante o governo monárquico que se consolidou a unidade territorial do País. "A discussão sobre federalismo e a autonomia regional era uma reivindicação dos opositores da monarquia e hoje continua sendo uma questão a ser pensada no País", analisa Roswithia. Ela lembra que a bandeira brasileira mantém as cores ligadas à monarquia: verde, que remete à Casa de Bragança (a família de dom Pedro I); amarelo, a cor da Casa de Lorena (da arquiduquesa dona Leopoldina, esposa de dom Pedro I); e o azul, também presente na bandeira portuguesa do Império. Ela ainda lembra das ruas com nomes de líderes da proclamação da República: Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Quintino Bocaiúva.

Roswithia observa que em 1865 o imperador D. Pedro II esteve em viagem por vários locais do Rio Grande do Sul. Ruas enfeitadas e festas foram a marca para a recepção. "A imprensa local usava como acompanhamento ao seu nome os termos Augusto, Excelso, entre outros que expressavam a superioridade hierárquica do imperador", relata. 

Fonte do piriri

Reza a lenda que Dom Pedro II passou pelas terras que viriam a ser o município de Gravataí. Ele e sua comitiva teriam parado próximo de onde estão as novas pontes do Parque dos Anjos. Ali ficavam as oficinas de ferragem - daí o nome, Passo dos Ferreiros - para trocar a ferradura de um dos cavalos. Ocorre que o monarca teve um "piriri": uma indisposição estomacal que teria o levado a um capão. Dessa maneira, ele acabou visitando a Fonte do Forno, que era um famoso ponto de coleta de água. Depois disso, o monarca teria ordenado às autoridades que construíssem sobre a fonte a abóboda que a protege. Também mandou que colocassem à frente do local uma cancela de ferro para impedir que animais sujassem a água.

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