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Notícias | Região Reportagem

O artista que conecta as pessoas a Deus

Aos 76 anos, Renato Och possui mais de meio século dedicado à religiosidade, como integrante dos irmãos Lassalistas de Canoas.

Por Andrei Fialho
Última atualização: 08.11.2019 às 08:37

A evolução da humanidade tem como base o aprimoramento das sensações dos sentidos. Assim é a culinária quanto ao paladar, os perfumes e aromas para o olfato, a música para a audição, as artes para a visão e o conforto para o tato. Há quem coloque a espiritualidade como sentido de evolução da alma.

Nesse contexto, o trabalho de Renato Och tem muito a contribuir. Aos 76 anos, possui mais de meio século dedicado à religiosidade, como integrante dos irmãos Lassalistas de Canoas. Com talentos especiais para a arte, suas obras e serviços já cruzaram continentes, mas ele garante que seu único dom é o da fé, os demais são resultados do esforço, estudos e dedicação.

Quis o destino que seu sobrenome 'Koch' significasse 'cozinheiro', em alemão. Porém, esse é o menor de seus talentos. "Se eu cozinhar uma panela cheia de água sou capaz de queimá-la", assim ele começa se apresentando à reportagem do DC enquanto abre as portas da capela da Universidade la Salle e já destaca "Aqui, além de uma igreja, é uma sala de concertos".

E é nesse espaço que o 'Irmão Renato', como é conhecido popularmente, decorou e reuniu instrumentos musicais eruditos que transformam as liturgias da capela em cultos que proporcionam uma sintonia de elevação com Deus. Sua formação lhe garantiu a ciência de, por meio da arquitetura, artes plásticas e música, compreender e desenvolver trabalhos sacros.

Buscando no passado as suas origens, tudo se converge em arte. Nascido na cidade de Tapera, no interior do Estado, Renato se criou em uma família de músicos, destacando que sua mãe e irmã possuíam ouvidos absolutos, ou seja, que identificam as notas musicais dos sons. Nesse ambiente também aprendeu a falar alemão, italiano e português, o que foi fundamental para sua formação.

Da sua terra natal relembra de fatos que o marcaram até hoje. A música e a pintura estavam no seu cotidiano e a escola foi um espaço primordial. "Eu tinha prazer em estudar. Me lembro que no ano de 1954, eu cursava o antigo ginásio e não faltei nenhum um dia de aula. Morávamos longe e mesmo com frio e chuva eu fazia o necessário para estudar", orgulhasse.

Na adolescência provou a liberdade quando, aos 14 anos, foi morar sozinho em Palmeira da Missões, onde trabalhou como ajudante de marceneiro com seu tio e também vendeu suas primeiras pinturas para se sustentar. "Quando fui morar sozinho foi como se o mundo estivesse se revelado para mim, ali minha vida mudou para sempre", relembra.

No ano posterior ganhou uma bolsa para estudar no colégio La Salle de Carazinho, onde o destino com a fé lhe abraçou. Renato tinha o sonho de infância de ser padre, até ter uma namorada. "Conheci uma menina e planejamos ter 10 filhos, mas tínhamos uma vocação em comum - a fé. Ela virou freira e eu segui meu caminho com os lassalistas", revelou.

Mesmo assim, seguiu estudando música e veio estudar magistério no La Salle de Canoas. Na cidade, fez parte do grupo de teatro da escola, no qual fazia os cenários e a maquiagem nos atores. "Lembro de uma peça do Shakespeare em que fiz 13 cenários para cenas diferentes, me senti ávido em fazer arte, sabia que era o meu caminho", apontou.

Ainda como estudante lassalista, foi em uma excursão à Igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul onde viu o trabalho de Aldo Locatelli. "Foi um momento mágico eu fiquei em muito impressionado".

Com dois objetivos claros para sua vida - a fé e as artes - e com uma trajetória junto aos lassalistas ele já estudava em Flores da Cunha e estava decidido a fazer sua consagração e fazer seus votos. "Fui falar com o diretor da escola mas eu tinha que ter uma certeza, que eu não precisaria abdicar do meu trabalho com as artes e que eu poderia seguir com eles na irmandade. Ele me garantiu que eu poderia seguir, assim me decidi virar um lassalista", revelou.

A partir da sua conversão, Irmão Renato fez votos como o de pobreza e o de ensinar de graça, fez concertos em diversos países e restaurou inúmeras obras e igrejas sem ser remunerado por isso. "Eu poderia ser milionário com meu trabalho, mas que graça teria isso? Seria tudo vazio sem uma vida de fé". concluiu.

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