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Notícias | País ELEIÇÕES 2022

A um ano da eleição, partidos pegam a onda das pré-campanhas

Por enquanto, apenas PP, PSB e PT anunciaram seus prováveis candidatos ao Piratini; outras siglas aguardam o "momento certo" para definir nomes e confirmar alianças

Por João Carlos Ávila
Publicado em: 02.10.2021 às 22:23 Última atualização: 02.10.2021 às 22:41

Se a gente falar que faltam 365 dias para as eleições gerais de 2022, parece muito tempo. Diminui a distância se a referência for 52 semanas. Menos ainda, 12 meses. Agora, pode arregalar seus olhos: hoje estamos a apenas um ano do pleito que vai escolher deputados estaduais, deputados federais, senador, governador e presidente da República.

Urna eletrônica: falta um ano para as eleições
Urna eletrônica: falta um ano para as eleições Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
Uma eleição que trará ingredientes conhecidos, como a polarização "direita x esquerda" e a associação da imagem aos presidenciáveis Bolsonaro e Lula. E outros desconhecidos, a citar, se as ondas bolsonaristas e lulistas voltarão a tomar conta do processo. Os primeiros partidos a pegar a onda na direção da praia chamada Piratini foram PP, PT e PSB, que já indicaram seus pré-candidatos.

Aqui na Província de São Pedro, o Progressistas largou na frente. Vai apostar no senador Luiz Carlos Heinze, que tem mandato garantido para mais quatro anos no Senado, caso não se eleja. Nada a perder. Na sequência, o PSB anunciou o ex-deputado Beto Albuquerque e o PT confirmou o deputado estadual Edegar Pretto. Estes são pré-candidatos. Já encontraram a onda e estão com suas pranchas direcionadas. Outros partidos também acenam com candidaturas próprias e aguardam a próxima onda para embarcar de vez nesta competição.

Importante antecipar

Conforme Everton Rodrigo dos Santos, cientista político e professor da Universidade Feevale, se antecipar é importante. "Não adianta construir um nome de última hora. Planejamento é a palavra", adianta. "Quanto mais antecedência (para indicar o pré-candidato), melhor."

A mesma opinião tem a socióloga Margrid Sauer, diretora do Instituto Amostra de Pesquisa. "Um candidato escolhido com antecedência unifica os diretórios municipais, tem tempo de organizar as lideranças e arrumar a casa para enfrentar essa disputa", defende.

Este planejamento consiste, primeiro, na necessidade de se ter diagnóstico da situação brasileiro, "através de pesquisas qualitativas e quantitativas", observa Santos. Esta análise, para o cientista político, não deve ser apenas política e econômica, "mas das demandas sociais". "Sem esta análise, não entra no jogo. É preciso sintonizar os partidos com o sentimento da população", sustenta Santos.

O cientista e professor entende que ao fazer a escolha, o partido tem que ter em mente a percepção do sentimento do eleitor e em que pontos o próprio partido se encaixa nas demandas apresentadas.

Polarização nacional tende a influenciar aqui no Estado

Para o cientista político, a polarização será inevitável uma vez que são dois polos produtores de candidatos. "Tem o Lulismo e o Bolsonarismo. A terceira via acaba prejudicada", entende. Mesmo assim, não descarta a possibilidade de construção de uma candidatura alternativa a estas duas.

Sobre a repetição em 2022 da onda bolsonarista de 2018, Santos não arrisca. "É a pergunta de um milhão de dólares." Para ele, neste ano "muita água vai rolar". Mas acredita que, pelo que mostram as pesquisas, a esquerda deverá emplacar segundo turno, neste caso na figura do ex-presidente Lula. "A terceira via terá mais chances se apresentar um nome de centro-direita", diz. E cita nomes como o governador Eduardo Leite, o ex-ministro Luiz Henrique Mandeta, a senadora Simone Tebet e o governador de São Paulo, João Doria. Sobre a declaração recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da necessidade de construção de uma frente ampla, inclusive com participação do PT para vencer o atual presidente, Santos entende que é tardia. "Lideranças de vários partidos não foram enfáticas em 2018, mas agora estão vendo que o Bolsonaro é uma ameaça ao sistema democrático."

Visibilidade

Margrid Sauer
Margrid Sauer Foto: Divulgação
A socióloga Margrid Sauer, diretora do Instituto Amostra de Pesquisa, avalia que antecipar a divulgação dos pré-candidatos é vantajoso para os partidos, pois amplia a visibilidade dos indicados. "O pré-candidato acaba ocupando um espaço de mídia ainda num período anterior ao pleito". Leva-se em consideração, aqui, que as regras eleitorais passam a vigorar em 1º de janeiro.

Nesta fase, as pesquisas se tornam importantes, especialmente quando os partidos têm mais de um nome com condições de disputar o cargo de governador, por exemplo. "Essas são valiosas para ajudar o partido a tomar uma decisão mais acertada, escolhendo o nome com melhor desempenho junto ao eleitor", observa a socióloga. Aí entra em cena outra regra. É errado pensar que nomes desconhecidos têm pouca chance. "É preferível um nome desconhecido do eleitorado do que um nome rejeitado", diz. "O candidato desconhecido terá oportunidade de conquistar o eleitor e crescer ao longo da disputa, enquanto um candidato com rejeição já inicia o pleito com restrições de crescimento." Ela conclui observando que todas essas questões precisam e devem ser consideradas na escolha do candidato.

PP garante que Heinze estará nas urnas em 2022

Luis Carlos Heinze
Luis Carlos Heinze Foto: Juarez Machado/ GES/Juarez Machado
Quem largou na frente na corrida ao Piratini foi o PP. "Heinze é o nosso pré-candidato", sentencia o presidente progressista gaúcho, Celso Bernardi. A pré-candidatura do senador foi anunciada em 14 de junho. "(Heinze) É trabalhador, competitivo e tem luz própria. Estará nas urnas em 2 de outubro de 2022", antecipa Bernardi. O PP trabalha agora para compor futura coligação. "O bloco do governo (estadual) tem vários partidos. Estamos buscando os que têm identidade conosco", diz. Bernardi adianta que vai deixar reservado os cargos de vice-governador e senador para os futuros aliados. "Nossa composição não é apenas para ganhar, mas para governar o Rio Grande", esclarece. Bernardi reconhece que o PP está mais "apressado" que os demais. Mesmo assim, se não formalizar alianças, o PP pode concorrer sozinho, "mas não é o nosso desejo". A tendência do PP é apoiar Jair Bolsonaro na disputa presidencial.

PT anuncia Pretto e defende uniãoda esquerda

Edegar Pretto
Edegar Pretto Foto: João Víctor Torres/GES-Especial
Outro partido com pré-candidato é o PT. O deputado estadual Edegar Pretto foi oficializado mês passado. O deputado federal e presidente do diretório estadual, Paulo Pimenta, antecipa que o PT estará no movimento nacional para construir unidade da esquerda. "Nosso esforço é para que esta união possa oferecer uma alternativa ao Estado", antecipa. "E o PT tem condições de oferecer candidato e ainda oferecer palanque a Lula", acrescenta. Programar um futuro para o Estado, com a oficialização de Pretto, é a meta. Para Pimenta, não é hora para falar no nome do vice. "Tem que definir o programa de governo e as questões nacionais." Entre elas está afastar o nome do ex-presidente Lula das denúncias de corrupção dos últimos anos. "O Lula já teve 19 vitórias judiciais, demonstrando que grande parte das denúncias são falsas", defende. Para o presidente petista, "Lula é o único que tem condições de fazer um governo de unidade".

PSB entende que chegou a vez de Beto Albuquerque

Beto Albuquerque
Beto Albuquerque Foto: Divulgação
Quem também se antecipou em anunciar pré-candidatura foi o PSB. A escolha foi pelo nome de Beto Albuquerque, ex-deputado estadual, federal e secretário de Estado por duas oportunidades. "O propósito é nos tornar ainda mais conhecidos", diz o próprio escolhido. O PSB está aberto ao diálogo para alianças, mas adianta: só com candidato do campo progressista. Beto diz, ainda, que não tem chance alguma de recuar. "Tenho 58 anos, trajetória exitosa, respeitada. Chegou a vez do PSB ser protagonista." Ele já elegeu a Educação como prioridade. "Não tem como dissociar a Educação do Desenvolvimento", afirma. Beto Albuquerque diz, ainda, que não sobe no palanque com candidato que não tem compromisso com a democracia e com as instituições. Por fim, não acredita que a onda de 2018, que o país para a direita, vai se repetir. "Muita gente já está arrependida e as condições para a terceira hipótese aumentam."

PSDB quer continuar o projeto de Leite

O governador Eduardo Leite já anunciou que não tentará a reeleição. Pensa no Palácio do Planalto. Uma das possibilidades é aliança, mas a ideia é candidatura própria, informa o deputado federal e presidente do diretório estadual, Lucas Redecker. "PSDB é partido que tem o governador e a perspectiva é que tenha candidatura própria", antecipa. O substituto de Leite na disputa, no entanto, não está definido. "Temos várias pessoas que podem ser candidatas e a gente acredita que o projeto do Eduardo (Leite) tem que ter continuidade, com as transformações que o Rio Grande precisa." Redecker vai procurar líderes dos partidos que compõem a base atual para conversar no sentido de manter o atual projeto.

MDB acena com candidatura e busca alianças

Derrotado em 2018 pelo PSDB, hoje o MDB integra o governo tucano no Estado. Mas adianta: terá candidatura própria no ano que vem. Quem garante é o deputado federal e presidente do diretório estadual, Alceu Moreira. "Estamos discutindo com os companheiros projetos para apresentar ao povo gaúcho", diz. No dia 4 de dezembro o partido faz seu congresso estadual, quando então o nome do pré-candidato será anunciado. "Hoje não temos nome", resume. Mas dá um indicativo, ao lembrar das agendas comuns dos governos Sartori e Leite. "Eles trabalharam de forma contínua", observa. Sobre coligações, diz que é cedo, mas promete diálogo com partidos que tem afinidade.

PDT aposta nas afinidades para buscar aliados

Depois de Alceu Collares, eleito em 1990, o PDT não emplacou mais no Piratini. Para o ano que vem, a meta é apresentar candidato. O presidente do diretório estadual, Ciro Simoni, não fala em nomes, mas diz que o partido "tem filiados de projeção". O pedetista revela conversas com partidos que têm afinidade política para construção de um projeto, mas no momento vê dificuldades. "O Ciro (Gomes) é nosso candidato ao governo federal e no primeiro turno tendência é de candidaturas individuais para dar palanque", explica. "Coligação no primeiro turno, só com muito acerto", adianta. O presidente do Grêmio ex-prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior, é o nome que todos querem dentro do PDT.

Democratas focado em apresentar o ministro Onyx

Nos próximos dias o Democratas deverá oficializar fusão com o PSL. Previsão é que no dia 6 de outubro isso ocorra. Mas nem por isso o diretório estadual deixa as eleições de 2022 para segundo plano. O presidente Rodrigo Lorenzoni diz que o foco das lideranças está na apresentação de candidatura, "e o ministro Onyx (Lorenzoni, do Trabalho) é o nosso preferido para o Piratini". Rodrigo, filho de Onyx, garante que o partido está "unificado em torno do nome dele". O DEM ainda trabalha na construção de nominatas para deputado estadual e federal.

Novo tenta construir candidatura

O partido Novo trabalha para construir candidatura própria ao governo do Estado. O presidente do diretório gaúcho, Alexandre Araldi, diz, no entanto, diz que ainda não tem nada confirmado. Sobre coligações, lembra que o partido é criterioso. "Um dos lemas que sempre repetimos é que não coligaríamos por tempo de TV ou para aumentar nossas chances eleitorais. Essa segue sendo nossa filosofia, logo, não temos interesse em coligações no Rio Grande do Sul."

PSD focado nas eleições proporcionais

O PSD não tem discutido a eleição majoritária. O foco para 2022 é a ampliação da participação na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. "Sobre a disputa ao Piratini, cabe dizer que estamos com diálogo aberto com os partidos do nosso campo político, bem como devemos esperar a definição do diretório nacional para fecharmos esta questão aqui no Rio Grande do Sul", se manifestou em nota.

PSol pode vir com vereador de Pelotas

O PSol, outro partido criterioso quando o assunto é aliança, decidiu em seu congresso estadual que vai ter candidatura própria. "Ainda não temos deliberação, mas foi apresentado o nome de Jurandir Silva, vereador em Pelotas", adianta a presidente do diretório estadual, deputada Luciana Genro. "Até abril, na conferência, outros nomes podem surgir", acredita.

Sobre as alianças, diz que os partidos com maior afinidade são PCB, UP (Unidade Popular) e PSTU. "Não sendo um destes, é mais difícil de compor", afirma. "Os (partidos) de centro-esquerda já tem seus candidatos apresentados."

Luciana garante que não foi procura nem conversou com lideranças do PT ou PCdoB. "Não vejo muito como progredir. Para o segundo turno a união tem como finalidade combater o mau maior", sentencia. A candidatura própria, entende ela, impulsiona o partido e também as candidaturas proporcionais.

PCdoB também quer unidade do campo ideológico

Antes de falar na corrida pelo Piratini, o presidente do PCdoB do Estado, Juliano Rosso, fala na prioridade: "Estamos focados em desmascarar, isolar e derrotar Bolsonaro". Para isso, defende a criação de uma frente ampla "capaz de construir uma unidade do nosso campo político para 2022". A antecipa que partido também devemos apresentar candidato. "O importante agora é construir a unidade de nosso campo para que o Estado volte a crescer."

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