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Voto impresso, Centrão, eleições e horário de verão: os principais pontos da entrevista de Bolsonaro à Rádio ABC

Presidente concedeu entrevista exclusiva à Rádio ABC 103.3 FM na manhã desta segunda-feira

Por João Ávila
Publicado em: 02.08.2021 às 11:05 Última atualização: 02.08.2021 às 20:05

*Colaborou Jauri Belmonte

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o voto impresso, desta vez em entrevista exclusiva, nesta segunda-feira (2), ao jornalista Guilherme Trescastro, da Rádio ABC 103.3 FM. "Queremos eleições democráticas. O que não podemos admitir é que o ministro Barroso (Luiz Barroso, do STF) participa da soltura do Lula e depois da apuração secreta dos votos", disse. Domingo (1°), apoiadores do presidente fizeram manifestações pelo voto impresso e auditável.

Jair Bolsonaro, presidente da República Foto: Agência Brasil

Na entrevista, o presidente voltou a dizer que a contagem de votos deve ser pública. "Estamos oferecendo ao Brasil a possibilidade que o voto do cidadão seja contado". E citou episódio de São Paulo, quando 0,35% das urnas travaram e quando destravaram, "continuava tudo igual, quer indício maior do que isso?"

"No Brasil, várias pessoas dizendo que teclavam a tecla 17 e aparecia a foto de outro candidato. Só fui eleito porque tive muitos votos. Temos que acabar com esta dúvida. E confirmou o que disse no domingo: "Sem eleição limpa não haverá eleição democrática." E voltou a criticar o ministro Barroso: "Quem o senhor Barroso acha que é? Todos temos limites. Alguns do Supremo acham que podem tudo. Ele precisa baixar a crista e se adequar à realidade. Quer eleições que possam ser manipuladas. Queremos eleições democráticas e que desejo do eleitor seja respeitado."

 

CPI da Covid

Bolsonaro disse na entrevista que o relatório da CPI está pronto e vai dizer que ele é genocida. "E não quer a apurar (a responsabilidade dos) governadores". O presidentereconhece que a Comissão atrapalha o governo. "Tem gente que acredita. Estão tentando o tempo me acusar de corrupção pela compra de vacina que não chegou sequer uma dose. Uma CPI que não apresenta alternativa e critica o tratamento precoce."E voltou a defender a hidroxicloroquina.

Veja outros pontos

Tratamento precoce

Segundo Bolsonaro, continuam a satanizar o tratamento precoce. Sem comprovação médica, ele afirmou que várias pessoas se curaram com esse tratamento. "Eu fui um que me curei usando esses remédios". O presidente também salnetou que no combate à pandemia deve-se tentar descobrir a origem do vírus.

Centrão

O presidente disse na entrevista que as mudanças no ministério são pelo "melhor funcionamento do Poder Executivo". Voltou a elogiar Onyx Lorenzoni, "meu amigo de muito tempo e meu coringa" e que caberá a ele comandar o ministério do Trabalho. "Estamos com problemas de empregos no Brasil", disse. E não poupou críticas ao governador Eduardo Leite. "O governador do Rio Grande do Sul fechou o Estado, colocando pessoas em situação da miséria. E não era para salvar vidas, era pelo poder. Os informais foram jogados na lona. Em um ano de auxílio emergencial para amparar essas pessoas, nós pagamos o equivalente a dez anos de Bolsa Família."

A aproximação com o Centrão, reconhece, é pela governabilidade."Vem aqui e governa sem os votos do dito Centrão! Aprove! É fácil, de forma pejorativa, criticar o Centrão. É o que eu tenho para governar. Noventa por cento do que quero fazer dependo do Parlamento. Quem fala sobre o 'centrão', senta aqui na minha cadeira, aprove PEC, projetos de lei e outros projetos como a PEC de liberdade econômica sem esse pessoal. É fácil falar de fora."

Alimentos mais caros

Bolsonaro também falou sobre os problemas climáticos e como eles podem castigar a produção agrícola nos próximos meses e, consequentemente, o bolso do brasileiro. "Temos a estiagem forte em vários pontos do Brasil e o frio excessivoem outras regiões, como no Rio Grande do Sul. Neve forte, geada, isso vai 'lamber' o pasto e produção de milho, soja. Com certeza castigam a agricultura e a produção e o produto ficará mais caro.

Infraestrutura

A estrutura também foi pauta. "Em Bagé queremos fazer uma barragem. Não sabia que lá tínhamos problemas com abastecimento. Sem contar que aí no Rio Grande do Sul o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, temos projetos para a BR-116, RS-240 e outras rodovias", disse o presidente.

Crise de energia

Bolsonaro acredita que o País não sofrerá uma crise de energia. "Lá atrás alguns parlamentares me procuraram para colocar fim no horário de verão. Pedi um estudo e chegamos a uma conclusão que o horário de verão não gerava a tal economia como se falava. Até o momento, para a maioria da população, o horário de verão não é bom. Mas se a maioria quiser a volta eu topo. Se for a vontade popular, voltamos."

Sobre a bandeira vermelha na tarifa da luz: "é para poder pagar a energia que vem das termelétricas, que sai caro demais para o nosso País."


Vacinas

Sobre o processo de imunização, Bolsonaro elogiou o Brasil. "Tirando países que produzem vacina, somos o melhor. Ano passado não tinha vacina para vender e o pessoal me critica. Sem contar que me criticam que não comprei a Pfizer, que tinha um termo dizendo que 'não se responsabilizaria por qualquer efeito colateral'. Aí pergunto: como eu iria comprar?", explica. "Seria irresponsável se comprasse e não passasse pela Anvisa."


Pré-candidatura de Leite

Sobre o fato do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ter lançado o nome como pré-candidato à presidência, Bolsonaro disse que é um direito dele concorrer, mas fez críticas. "O povo vai julgar se ele agiu corretamente obrigando as pessoas a ficarem em casa por meses. A rede hoteleira, por exemplo, e o trabalhador que saía de casa de manhã para ter comida à noite vai saber se ele agiu certo."

 

Onyx ou Heinze?

Tanto Onyx Lorenzoni quanto Luis Carlos Heinze já se colocam como candidatos à disputa do governo do Estado. Ambos são apoiadores e amigos de Bolsonaro. Questionado sobre quem apoiar, o presidente não tomou lado. "Me dou bem com os dois há muito tempo. O Heinze era meu companheiro do PP e o Onyx é meu fiel escudeiro. Ambos têm crédito com a população gaúcha. Sou heteramente apaixonado pelos dois."

Sobre Mourão

Questionado sobre a relação com o vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro preferiu não transparecer rusgas. "Mourão não tem atrapalhado. Às vezes ele atropela o governo, mas não atrapalha", disse Bolsonaro.

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