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Notícias | Novo Hamburgo TRANSPORTE COLETIVO

Demanda por ônibus cresce em Novo Hamburgo, mas longe de atingir o patamar pré-pandemia

Em setembro, 419 mil pessoas usaram o transporte. Antes da pandemia, eram quase 800 mil. Passageiros cobram reforço de veículos especialmente nos fins de semana

Por Ermilo Drews
Publicado em: 04.11.2021 às 16:33 Última atualização: 04.11.2021 às 17:25

Ainda que a demanda venha subindo, com eventuais oscilações, o transporte coletivo em Novo Hamburgo está longe de atingir patamares pré-pandemia. Foi em julho, depois de 15 meses de pandemia, que a cidade conseguiu ultrapassar a marca de 400 mil passageiros transportados num mês. Em setembro, dado mais recente disponível, chegou aos 419.054. No entanto, isso representa pouco mais da metade dos 795 mil passageiros que utilizavam o serviço antes da pandemia.

Na última quarta (22), novos horários foram acrescentados à grade
Na última quarta (22), novos horários foram acrescentados à grade Foto: Inézio Machado/GES

Mas o cenário de avanço da vacinação, queda nas mortes e hospitalizações, e retirada de restrições tem acentuado a procura pelos ônibus. Com a demanda crescendo, a Prefeitura articula com as empresas o aumento na oferta de veículos. Na última quarta-feira (22), novos horários (10 saindo do Centro e 12 dos bairros) começaram a ser oferecidos. No fim de agosto, 36 horários já haviam sido incluídos na grade.

“À medida que a população nos procura ou que a nossa fiscalização constata que há muito passageiro em determinada linha, a gente vai adequando e avaliando se a demanda irá se manter”, explica a secretária de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Novo Hamburgo, Roberta Gomes de Oliveira.

Atualmente, 32 linhas são oferecidas pelas empresas que atuam em contrato emergencial, com 1.026 horários nos sentidos Centro/bairro e bairro/Centro. A título de comparação, em março de 2020 eram 1.674 horários. A média rodada em setembro deste ano ficou em 281 quilômetros. Em dezembro de 2019, eram 506 mil quilômetros.

Coro dos descontentes

Nas paradas de ônibus, a população admite que a oferta do serviço vem evoluindo, mas percebe o que os números mostram: há muito a ser feito para voltar ao que era. “Durante a semana melhorou, mas é complicado para quem trabalha no final de semana. Precisa de mais ônibus aos sábados. Eu chego a esperar mais de uma hora linha para Canudos, Aeroclube. Na parada, reclamam que também falta para o São Jorge, para o Kephas”, reclama a auxiliar de cozinha Dilce Rodrigues, 50 anos.

A aposentada Belinha Fagundes da Silva, 62, segue com o coro do descontentamento. “No meio da semana é um pouquinho melhor, mas podia ser menos espaçado. Demora muito o ônibus para o bairro Petrópolis aqui no Centro. E final de semana, pelo amor de Deus, a gente espera mais de uma hora. Agora que está voltando tudo ao normal e com o preço do Uber aumentando, está todo mundo querendo ônibus.”

A auxiliar de limpeza Regina Machado, 55, conta que no começo da pandemia teve que abrir mão de um emprego por causa da escassez de veículos. “Era num hospital e eu moro na Roselândia. Conseguia ir de ônibus, mas não voltar. Peguei uma escala de feriado e final de semana, tiver que ir e voltar de Uber. Não tive como manter isso e acabei desistindo.” Ela considera a oferta de horários ainda insuficiente. “Não vai voltar mais ao que era? De manhã e à tardinha precisa ter mais ônibus. E final de semana, então. Acham que pobre não sai no final de semana?”

Número de passageiros transportados

*Janeiro 2020 (751.629)
Janeiro 2021 (354.404)

*Fevereiro 2020 (727.909)
Fevereiro 2021 (343.756)

Março 2020 (617.919)
Março 2021 (322.627)

**Abril 2020 (176.388)
Abril 2021 (321.622)

Maio 2020 (239.493)
Maio 2021 (355.597)

Junho 2020 (247.573)
Junho 2021 (374.539)

Julho 2020 (239.000)
Julho 2021 (401.489)

Agosto 2020 (266.416)
Agosto 2021 (422.532)

Setembro 2020 (305.419)
Setembro 2021 (419.054)

*OMS ainda não havia declarado pandemia
*Ápice das medidas de restrição em Novo Hamburgo

Atrasada, licitação deve sair só no fim do ano

Previsto para ser lançado em outubro, o edital da licitação do transporte coletivo, que se arrasta há mais de dez anos, deve ficar para o fim do ano. Roberta explica que o atraso se deve à demora da análise do edital por técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

“Isso postergou um pouco. Estamos focados em fazermos os ajustes e lançar o edital até o final do ano”, aponta.

Sem previsão para reajuste na passagem

Costumeiramente, o valor da passagem de ônibus em Novo Hamburgo é reajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) na virada do ano. No entanto, a secretária  Roberta Gomes não crava que isso irá ocorrer. “Tivemos um reajuste em abril. Não estamos pensando nisso no momento. O assunto da vez é abrir a licitação ainda em 2021.”

Por dois anos, o valor da passagem em Novo Hamburgo ficou congelado em R$ 3,85. Em 25 de abril de 2021, a passagem passou para R$ 4,60. O principal argumento para o aumento foi a defasagem no preço dos insumos, em especial o diesel, que subiu mais de 17% naqueles dois anos.

A secretária admite, no entanto, que existe pressão das empresas para que sejam repassados os custos pelos aumentos dos combustíveis. “A gente não tem como escapar deste tipo de situação. Mas o foco está na licitação”, reitera. Atualmente, as empresas atuam com contrato emergencial.

Passageiros podem sugerir horários

Passageiros com sugestões de novos horários ou reclamações podem encaminhá-las para a Prefeitura pelo WhatsApp (51) 9-9828-2070 e pelo e-mail transportes@novohamburgo.rs.gov.br

Questionada sobre eventual aumento da demanda com a volta obrigatória das aulas no dia 8, a Diretoria de Trânsito informa que monitora a situação e que, ocorrendo aumento de passageiros, irá disponibilizar mais linhas.

 

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