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Notícias | Novo Hamburgo Empreendedorismo

Protagonismo feminino em ascensão nos negócios

Nesta quinta-feira, 19, é celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino. Like Magazine conversou com mulheres que se destacam em suas áreas de atuação, com muita garra e determinação

Por Adriana Sikora Barboza
Publicado em: 19.11.2020 às 08:17 Última atualização: 19.11.2020 às 10:11

Cada vez mais, as mulheres são donas dos próprios negócios. É o que aponta a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São cerca de 9,3 milhões de brasileiras líderes em seus empreendimentos (34% de todos os donos de negócios formais ou informais no Brasil).
Se à primeira vista este parece um número pequeno, se comparado ao tamanho da população, vale lembrar que, até 1962, o Código Civil Brasileiro vigente (escrito em 1916) definia que, para conseguir um empréstimo, adquirir ou possuir uma propriedade, uma mulher precisava da autorização de um homem. Tal realidade foi bem lembrada na série nacional “Coisa Mais Linda” (2019), em que a protagonista Maria Luíza enfrenta as dificuldades da época para abrir seu próprio bar de música no Rio de Janeiro dos anos 1960.
Por muitos avanços já alcançados e tantos que ainda precisam acontecer, nesta quinta-feira, 19 de novembro, é celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2014.
Apoiadora do empreendedorismo feminino, a Like Magazine celebra a data com orgulho dos projetos que realiza, a exemplo do evento “Mulheres que Inspiram”, em que mulheres compartilham suas histórias de vida e de carreira, sendo exemplos e inspiração para tantas outras. De acordo com a gerente comercial da Like, Larissa Cavalheiro, a publicação pretende valorizar ainda mais as marcas locais lideradas por mulheres no próximo ano. “O protagonismo feminismo nos negócios e em cargos de liderança é um assunto que terá ainda mais espaço nas páginas e ações da revista em 2021”, garante.


REPRESENTATIVIDADE QUE INSPIRA

Inspirando empreendedoras mundo afora, a empresária Ana Fontes foi eleita, em 2019, uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes, sendo a fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e presidente do Instituto Rede Mulher Empreendedora (braço social da RME, que é hoje a maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil, com mais 700 voluntárias e 750 mil integrantes no grupo mulheres da RME no Facebook. É também signatária dos princípios da ONU Mulheres

Para Ana, os dois próximos anos serão de crescimento acelerado para o empreendedorismo feminino. Muito, é claro, em função do alto desemprego ocasionado a partir da pandemia da covid-19. "O mercado de trabalho encolheu no ambiente corporativo e pesquisas mostram que as mulheres estão perdendo mais empregos do que os homens durante a pandemia.  Nesse sentido o empreendedorismo fica como uma alternativa possível, não que seja fácil e tranquilo, mas fica como uma opção real para que consigam seguir na sua carreira e ao mesmo tempo ter a chance de criar algo que faça sentido para elas”, contextualiza a empresária. 

Ana Fontes foi eleita, em 2019, uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes, sendo a fundadora do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME). Foto: Divulgação

Um indicativo segundo Ana é a alta procura por apoio no IRME, que oferece uma série de capacitações voltadas às mulheres que decidem empreender: “Nos últimos meses, recebemos no Instituto um volume absurdo de mulheres buscando informações e conteúdos sobre capacitação para iniciarem seus negócios. Para quem quer começar, não é preciso ter medo de criar o negócio com baixo investimento: é o tipo de negócio que faz a diferença. Planeje, estude, aplique seus conhecimentos e, principalmente, faça!”, explica Ana, que também fala da importância da representatividade que existe hoje. “Atualmente, as mulheres têm mais exemplos de profissionais reconhecidas no mercado, que se tornaram modelos de empresárias que você enxerga e se motiva”, explica a empresária.

Segundo Ana, isso explica o tal "boom" do empreendedorismo feminino atual que movimenta o mercado com inúmeros eventos, cursos e palestras sobre o tema no Brasil e no mundo. 


O GATILHO DA MATERNIDADE

Muitas mulheres decidem empreender após a maternidade. Entre as motivações, Ana relata a necessidade de maior flexibilidade na nova rotina, criando uma configuração de vida mais adequada ao seu momento de vida: "Tem uma frase que falamos muito ao longo dos cinco anos que desenvolvemos pesquisas no Instituto, que define bem essa transformação: 'nasce uma criança, nasce uma mãe e nasce e, quase que simultaneamente, nasce uma empreendedora'. Na verdade a maternidade é um grande gatilho pra empreender. Quando você pergunta para essas mulheres os motivos de estarem empreendendo, um dos fatores é a flexibilidade em sua rotina, ainda muito ligada ao fato de a mulher ainda não ter o equilíbrio ideal entre o trabalho doméstico, o cuidado com os filhos e família, que ainda é de maior responsabilidade feminina nos lares", explica Ana.

Outro fator decisivo também está na falta de adaptação de muitas empresas para entender o novo momento de uma mãe: "Muitas mulheres começam a empreender, principalmente as que vem do ambiente corporativo, entre os 30 e 40 anos, que é exatamente a idade em que as mulheres escolhem para ter filhos nos tempos atuais. É bem importante esse gatilho da maternidade, que tem uma motivação extra, nem sempre das melhores, porque muitas saem do ambiente corporativo sem de fato quererem ter saído. Na verdade elas queriam seguir na empresa mas esta não oferece ambientes acolhedores para as novas necessidades da maternidade, esse é o ponto. Então ela vê no empreendedorismo a forma de manter a flexibilidade e a satisfação pessoal, construindo algo relacionado ao seu propósito.", enfatiza a empresária. O relato vai ao encontro das atuais estatísticas divulgadas pelo IBGE, que mostram que, hoje no Brasil, apenas 14% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.


A seguir, confira depoimentos de empresárias de Novo Hamburgo:


LUCIANA WEBER DIEMMER,
proprietária da Vip Desenvolvimento Humano e Vip Empreendedorismo

Luciana Weber Diemmer, consultora de RH e proprietária da Vip Desenvolvimento Humano e Vip Empreendedorismo Foto: Divulgação
“Ser empreendedor é ser um apaixonado pelo que faz. É lutar diariamente pela realização de sonhos. É ter dias difíceis, e, na maioria deles, dias incríveis. É somar forças. Quebrar tabus. No final do dia ter a sensação de missão cumprida. É começar o mês sem saber o que vem pela frente e isso nos impulsionar ainda mais. Meu maior incentivo é minha filha, para que ela tenha o exemplo e saiba sempre que pode ser o que quiser. Para isso é preciso estudar e se apaixonar pela vida de empreendedora. Meu incentivo é também meu marido, que é um grande homem e me impulsiona a sempre seguir em frente, que me apoia e me admira. Essa admiração deles, me transforma diariamente. Empreender é transformar vidas e exige coragem, determinação, posicionamento ético e de valorização do cliente, vencer preconceitos e ser um (a) apaixonado (a) pelo que faz! Me considero muito forte no meio em que atuo, acredito que a paixão pelo que se faz, quando tem amor, a chance de sucesso é muito grande. Acredite em seu potencial e força interior, empreenda no que te faça feliz e te satisfaça, não apenas pelo retorno financeiro.”


RAQUEL BELLES DA CRUZ,
sócia-proprietária da Ralú Indústria e Comércio de Confecções e Acessórios

RAQUEL BELLES DA CRUZ, sócia-proprietária da Ralú Indústria e Comércio de Confecções e Acessórios Foto: Divulgação

“Sinto muito orgulho de ser mulher e empreendedora, pois enfrentamos desafios diários para empreender aqui no Brasil. E a mulher ainda tem tarefas extras, como ser mãe, esposa e cuidar do lar. O sentimento é de superação e realização. Para as mulheres que querem empreender, digo que tenham em mente seus sonhos e façam um planejamento para dar os primeiros passos, mas que iniciem na vida empreendedora se este for o seu propósito. Que trabalhem muito, não só durante o dia, pois é o que se faz além do expediente é que realmente trará os resultados sonhados. Busquem conhecimento da vida prática do negócio que se quer atuar. Sinto falta de empresas fornecedoras e entidades neste sentido, com capacitações na área em que se deseja atuar. Por este motivo a Ralú procura capacitar as clientes fornecendo e-book grátis de vendas on-line para cada nova revendedora. Este deve ser o pensamento de cada fornecedor com seus clientes: se preocupar com os sonhos e propósitos deles, que são os nossos também. Se estiverem capacitados para iniciar na carreira empreendedora, teremos parceiros de sucesso.”

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