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Dólar alto deixa a refeição mais salgada e preço da carne dispara

Carne bovina já registra aumento médio de 12% no mês de novembro, segundo a Agas, mas na prática a reportagem constatou de 25% a 52% de alta em açougue Reportagem: Susi Mello

O tradicional churrasco, escolhido por muitos como prato principal na confraternização de fim do ano em empresas e famílias, está mais caro. Quem compra carne está precisando desembolsar bem mais do que o mês passado, o que afeta também as refeições diárias. A Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas), por meio do presidente Antônio Cesa Longo, revela que a carne bovina teve variação de 12% em média no mês de novembro em relação a outubro, com relatos de picos de 30%. Em um açougue, porém, a reportagem constatou até 52% de aumento. No entanto, declara Longo, para os próximos meses ainda não há estimativa sobre essa variação, já que o mercado tende a se autorregular.

O aumento do ingrediente principal do prato preferido dos gaúchos é uma consequência indireta da alta do dólar comercial, que na segunda-feira subiu 0,53%, atingindo o patamar de R$ 4,22 para a venda, valor mais elevado desde o início do Plano Real. Conforme a Agas, ainda não se confirma aumentos em outros produtos. "Em função do grande aumento na carne, o mercado não conseguirá absorver todas as altas que se fariam necessárias. Então os preços estão sendo segurados mesmo com a alta do dólar. O consumidor já está com o poder de compra diminuído em função da questão da carne", antecipa Longo.

Proprietário de um açougue no bairro Ouro Branco, Sandro Gabriel da Silva Lopes, 42 anos, conta que o movimento em seu estabelecimento caiu 30% neste mês comparativamente a outubro. Não é por acaso. O comportamento do consumidor é reflexo do preço disparado da carne. Em seu celular, Lopes recebe a evolução semanal dos valores. É na pesquisa da tabela de preços que ele confere o que ocorreu no início do mês e nesta semana. O valor do quilo da costela, no dia 5 deste mês, estava em R$ 15,90 e no dia 18 pulou para R$ 19,90 (25% de aumento). A carne de primeira também subiu: um quilo de bife passou de R$ 18,90 para R$ 28,90 (52,9% de reajuste). O que será do futuro? "Nem fala. Até o Natal acho que vai subir muito", diz, preocupado com os compromissos que precisa cumprir, como manter o quadro de pessoal.

 

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Soma de fatores

O vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, André Momberger, diz que a alta do dólar é explicada por fatores interno e externo. No âmbito interno, a decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que mudou novamente o entendimento sobre a prisão de segunda instância, causou insegurança jurídica. Ainda há saída de recursos de estrangeiros, que forçam a desvalorização do real, e o leilão de seção onerosa do pré-sal que deveria ter alcançado R$ 110 bilhões, mas ficou em R$ 70 bilhões. Já no âmbito externo, a interminável novela da guerra comercial entre Estados Unidos e China trouxe desvalorização em praticamente todos os países emergentes e o Brasil não escapou.

 

Cautela é necessária neste momento

O professor de Economia e Finanças da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura, orienta às pessoas que façam o planejamento de seus gastos essenciais, cuidem com a Black Friday, pois uma oportunidade de compra pode se tornar um problema futuro, acostumem-se com caronas e compartilhem compras em grandes quantidades com família e vizinhos para conseguirem pequenos ganhos que farão a diferença no orçamento mensal.

Por fim, é importante adquirir só o necessário, lembrando que há obrigações de início do ano, como IPVA, IPTU e matrículas escolares.

 

Preço do churrasquinho será o mesmo até dezembro


Éverton Silva afirma que não vai reajustar os lanches Foto: Juarez Machado/GES
O preço do espetinho e o cachurrasco do comerciante Éverton da Silva, 46 anos, deve ser o mesmo até o final do ano, mas se o valor da carne continuar galopante não tem como garantir em 2020. "Vou segurar este ano porque não posso perder o cliente", declara. Ele sentiu no bolso os novos valores da carne, principal ingrediente para venda de lanches em seu ponto próximo à Universidade Feevale.

Além da querer manter a clientela com o valor fixo de seus lanches, o comerciante tem uma preocupação com a qualidade. Ele diz que não tem como ficar mudando o tipo da carne. Sua preferência recai sobre a capa de coxão mole, que é macia, garantindo a satisfação de seus clientes.

 

Da gasolina ao pãozinho

O setor projeta aumento de 3,9% nas exportações da carne, o que vai diminuir a oferta no mercado interno e, consequentemente, alta nos preços. "Alguns cortes nobres devem até faltar no mercado", prevê o professor de Economia e Finanças da Universidade Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura.

O aumento da taxa de câmbio indica que serão necessários mais reais para comprar a mesma quantidade de um bem importado. Além de commodities que estão diretamente vinculadas aos preços internacionais, como petróleo que encarece o frete e as viagens. Ontem, a Petrobras já elevou o preço médio da gasolina nas refinarias em cerca de 4%.

Os remédios não devem ficar fora da lista. A indústria farmacêutica, que tem 95% de seus insumos importados, projetava um dólar a R$ 3,70 no fim do ano, o que não é realidade.

Ele lembra ainda que produtos básicos importados, como trigo para o pão, ficarão mais caros. E em época de Natal, a ceia ficará mais "salgada", exemplificando com o bacalhau e nozes.

O prazo para isso se concretizar pode ser mais adiante. Vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger diz que a influência sobre os preços não é tão direta ainda, pois o atual patamar tem que se mostrar mais constante. Ou seja: a casa dos R$ 4,20 é uma nova faixa e não mais os R$ 3,90 ou R$ 4,00 anteriores."Se esta tendência perdurar por mais de 30 dias, certamente teremos pressão sobre vários produtos importados", acrescenta.

 

Para substituir o ingrediente, parmegiana de beringela

Confira a receita de Daniel Bonho, coordenador do curso de Gastronomia da Feevale:

Ingredientes: 300 gramas de beringela, 200 gramas de tomate italiano maduro, 100 gramas de queijo parmesão, 100 gramas de farinha de trigo, manjericão, 200 gramas de muçarela de búfala, sal, pimenta e azeite de oliva.

Como fazer: Fatie, salgue, lave em água corrente e depois coloque para grelhar as beringelas enfarinhadas. Fatie a muçarela, temperando com manjericão, sal e pimenta. Fatie o tomate. Em um refratário, disponha a beringela, tomate, muçarela e queijo sucessivamente. A última camada deve ser muçarela com parmesão e leve ao forno para gratinar.

 

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