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Moradores da região que vivem na China relatam tensões sobre coronavírus

Epidemia já deixou pelo menos 18 mortos e mais de 600 pessoas infectadas no país asiático

Reportagem Arlete Biasibetti e João Ávila*

Ainda existem muitas dúvidas sobre a nova epidemia de coronavírus que já deixou pelo menos 18 mortos e infectou mais de 600 pessoas na China. O vírus foi identificado em Wuhan, cidade chinesa com 11 milhões de habitantes, em dezembro. Ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que é cedo para decretar emergência mundial, mas que deve ficar alerta para uma "possível epidemia" internacional pelo problema. Quem vive no país asiático tem percebido maiores cuidados de chineses e governo, que decretou o fechamento de províncias.

De Novo Hamburgo, a técnica em curtimento Betina Zilli, 45 anos, trabalha na China há mais de 20 anos e atualmente tem como residência a cidade de Dongguan, na província de Cantão (ou Guangdong), cuja capital é Guangzhou. Ela conta que ontem a companhia em que trabalha distribuiu caixas com máscaras para os funcionários.

Dongguan fica a aproximadamente mil quilômetros de Wuhan, e tem muitos moradores da região vivendo lá, especialmente a trabalho pelo setor do couro e calçados. Embora distante do epicentro, a orientação para o uso de máscaras se espalha pelo país e o mercado já tem falta do produto. "No Taobao, o maior site de compras na China, não havia mais disponíveis", conta Betina. O adereço já está nos rostos. Ontem, quando foi em uma loja de conveniência que vende comidas importadas, viu estrangeiros usando máscaras.

*Com informações das agências AFP, Agência Estado e Agência Brasil

Preocupação

Preocupada, Betina lembra que, devido ao Chinese New Year, a tendência é que o vírus se espalhe, já que é período de viagens internacionais e momento do ano em que os chineses visitam as suas famílias. Ontem a companhia em que ela trabalha liberou os funcionários para a festividade.

 

Alarde

Um gerente técnico na área calçadista, que preferiu não se identificar, considera que é só alarde. "As máscaras, aqui, eles (chineses) usam sempre! O governo só está evitando a viagem de muita gente para a região onde teve os casos do vírus. Pois agora (ano-novo chinês) o pessoal foi todo para a terra de origem. Aqui em Dongguang está ótimo! Um deserto, dá para andar de carro tranquilo (risos)." Ele comentou que o governo passa poucas informações.

Nove países têm confirmações de infecções

Até o fechamento desta edição, eram nove países com casos confirmados de infecções por um novo tipo de coronavírus: China, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Vietnã, Cingapura e Arábia Saudita. Hong Kong e Macau também confirmaram pacientes com o vírus.

Milhões isolados para controlar vírus

Desde ontem, nenhum trem ou avião deixou Wuhan. Com 1,1 milhão de habitantes, a vizinha Ezhou já fechou sua estação. A oeste, uma outra localidade, Xiantao, bloqueou os acessos a uma autoestrada, e ao sul, Chibi, suspendeu o transporte público. A Cidade Proibida de Pequim, o antigo palácio dos imperadores, também anunciou seu fechamento.
Esses comunicados fizeram o casal Monique Ávila, 25 anos, e Werner Wentz, 26, cancelarem a viagem no ano-novo. Iriam para as montanhas por três dias, mas desistiram por medo de o governo chinês fechar mais províncias. Ela admite estar assustada com a situação. "Com o aumento de casos, não tem mais máscaras e álcool gel no mercado e a gente está tendo que recorrer a aplicativos." Ela conseguiu comprar, mas não sabe se o item que adquiriu é a adequado. Álcool gel eles já tinham em casa. A social media está há um ano e meio na China com o namorado Wentz, que atua no setor calçadista com o pai.

Sem casos aqui

Coronavírus: Ministério da Saúde convocou coletiva de imprensa para falar sobre doença Foto: Erasmo Salomão / ASCOM MS
Diante dos casos de doença respiratória na China, causada pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde instalou, nesta quinta-feira (23), o Centro de Operações de Emergência (COE) - Coronavírus 1. O comitê tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil.

Até o momento, não há infecção relacionada aqui. Havia suspeitas sobre cinco brasileiros, mas em todas foram descartadas a possibilidade de serem pelo vírus. O País tem realizado monitoramento diário da situação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), que acompanha o assunto desde as primeiras notificações.

É considerado como caso suspeito do novo coronavírus paciente com sintomas da doença, como febre, tosse e dificuldade para respirar. Além disso, a pessoa precisa ter viajado para área com transmissão ativa do vírus nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas. As áreas com transmissão local serão atualizadas e disponibilizadas diariamente no link: saude.gov.br/listacorona.

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