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Notícias | Especial Coronavírus Linha de frente

Médico conta rotina de luta para vencer a Covid

Doutor Roberto Guidotti Tonietto atua na linha de frente do combate à doença em Canoas desde fevereiro do ano passado, quando o HU começou o preparo para receber pacientes

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 21.01.2021 às 03:00 Última atualização: 21.01.2021 às 10:49

. Foto: FOTOS PAULO PIRES/GES
Prestes a completar um ano do início da pandemia de Covid-19 no Brasil, o médico pneumologista Roberto Guidotti Tonietto, que atende no Hospital Municipal de Canoas (HU) há dois anos, relembra os primeiros dias de trabalho em torno da doença.

"A experiência com o coronavírus pra mim começou em fevereiro de 2020, quando começamos a preparar o hospital para receber uma ala específica para pacientes com Covid e de terapia intensiva", conta ele.

Tonietto foi o primeiro médico a atender cidadãos infectados em Canoas, em março. Logo depois do primeiro contato com o vírus, se tornou paciente, também contaminado.

"Foi um momento difícil, tive febre, mal estar, falta de ar, precisei ser hospitalizado", recorda. Foram duas semanas afastado do trabalho e depois de ter vivido na pele a doença, afirma que atender se tornou diferente. "Me enriqueceu como médico, me humanizou mais".

Felizes, mas cansados

Desde que retornou à atividade profissional, não parou mais. As férias, previstas para setembro, estão adiadas indefinidamente. Apesar de se sentir feliz por ter vencido esse primeiro ano da pandemia - que não tem previsão de término - e chegar até aqui com saúde e vivo, Tonietto confessa que ele e seus colegas da saúde estão cansados.

A rotina de trabalho mudou. Incontáveis horas e a pressão da responsabilidade com a vida dos pacientes. "Não é uma doença qualquer, não é um resfriado e é uma pena que, talvez por um esgotamento de pensamento, a sociedade parece não dar importância, mesmo sabendo que os hospitais estão sobrecarregados", salienta.

Com mais de 20 mil casos confirmados de Covid-19 e mais de 540 óbitos, o médico não imaginava que a pandemia duraria tanto. E agora, mesmo com a perspectiva da vacina, não vê "soluções milagrosas", e projeta 2021 como um ano muito semelhante a 2020.

"Nunca pensei em desistir, mesmo às custas do cansaço, fadiga, esgotamento, porque considero a medicina minha missão de vida", enfatizou.

Diante do incansável trabalho dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e todos os demais colegas que atuam nos mais diversos setores das casas de saúde, o recado é um pedido de coragem para seguir em frente, mas também um agradecimento pelo esforço de todos:

"Não é fácil ver os colegas adoecendo, chegando ao limite, por isso tentamos manter sempre um espírito de grupo, de nos colocar no lugar do outro, todos os profissionais merecem reconhecimento e gratidão porque estão abdicando de suas próprias vidas para cuidar dos outros".

Os últimos dados da Covid em Canoas apontam 550 óbitos desde março e um total de 20.551 casos confirmados totais. As UTIs Covid estão hoje com 76,74% dos 43 leitos existentes ocupados (são 33 oferecidos só no HU).

Uma perda marcante
Não foram poucos os pacientes que passaram pelas mãos de Tonietto, que atende os casos de moderados a grave no HU, mas um destes marcou a vida do médico, que tem 24 anos de profissão. “Uma senhora de idade teve uma evolução ruim da Covid-19 e solicitou expressamente para não ser levada à terapia intensiva. Ela disse que queria morrer com dignidade, sem respirador, e assim aconteceu”, relembra. Apesar da vasta experiência, nunca é fácil perder um paciente.
“Lidamos com o melhor da capacidade técnica e do humanismo, a partir disso tomamos decisões que nem sempre são fáceis”. Para a população, a súplica é pelo cuidado e compreensão de que a pandemia é um problema real e que não acabou.

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