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Notícias | Especial Coronavírus Apesar dos números da pandemia

Prefeitura de Canoas reabrirá parques caso governo gaúcho confirme bandeira laranja

Conforme o secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, melhora nos índices permite tomar essa decisão. Médica sanitarista alerta que o risco está nas aglomerações

Por Bruna Aquino
Publicado em: 17.09.2020 às 07:36 Última atualização: 17.09.2020 às 19:46

Apesar de praças e parques fechados, sempre há alguma movimentação Foto: PAULO PIRES
Fechados por determinação da Prefeitura desde abril como forma de tentar frear o aumento no número de pessoas infectadas com o coronavírus, os parques de Canoas podem reabrir na próxima terça-feira. A definição depende da classificação preliminar das bandeiras dentro do modelo de distanciamento controlado, informação divulgada sempre no final da tarde das sextas. Confirmando-se novamente a bandeira laranja, os parques Eduardo Gomes e Getúlio Vargas poderão receber público a partir do dia 22.

“Eu acho que temos que começar a permitir algumas coisas com controle. Vamos abrir or parques colocando pessoas para fiscalizar o movimento. Abrimos o comércio com responsabilidade, depois fomos avançando. Então, agora, estamos abrindo os parques para as pessoas. A vida tem que começar a ser retomada, mas monitorando. As pessoas estão se juntando em alguns locais. Não adianta a gente querer manter fechado e as pessoas se aglomerarem no entorno”, afirma o secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, comentando também a presença de público em locais como o estacionamento do Eduardo Gomes, como publicado na edição impressa de ontem do DC.

Segundo Ritter, a melhora nos indicadores do município sobre coronavírus serve como base para decidir pela reabertura destes espaços públicos. “Os nossos índices melhoraram. A média móvel está mostrando redução no número de infectados e as mortes também têm diminuído, apesar de ter mortes diariamente. Já chegamos a ter 11 mortes em um mesmo dia. A taxa de ocupação de leitos clínicos e leitos de UTI também diminuíram e a taxa de recuperação está em 92%. Isso mostra uma evolução importante. É um passo a passo, não podemos tomar todas as decidões ao mesmo tempo.”

Pelo olhar da médica sanitarista Leticia Ikeda, que coordena aqui a pesquisa dirigida pela UfPel para demonstrar a prevalência do vírus no Rio Grande do Sul (Epicovid19), a iniciativa de reabrir os parques públicos não equivale diretamente a um possível aumento da transmissão do coronavírus na cidade, mas pode incentivar as pessoas a sair de casa, desrespeitando a orientação de isolamento social. "Se o secretário enxerga possibilidade de dar conta da epidemia, ele está legitimado para fazer isso de uma maneira consciente. Se há essa redução de casos e se o sistema de saúde comporta, isso deve estar pautando essa decisão, mas realmente as pessoas devem circular mais e o grande perigo são as aglomerações." Segundo ela, a decisão certamente também passa pela quantidade de testes já realizados no município. "Proporcionalmente a outros municípios da região metropolitana, Canoas está testando muita gente. Isso é um bom indicador em termos de saúde pública porque escapam menos pessoas infectadas que não tenham sido vistas e orientadas. Isso, de certa forma, autoriza o secretário."

Em outras entrevistas concedidas ao DC, Leticia já havia comentado o fato de respeitar as individualidades e as prioridades de cada pessoa, mas sempre recomenda que a população respeite as orientações das autoridades de saúde para conter o avanço do vírus. Desta vez, mantém a conduta, ressaltando que quem julgar fundamental ir aos parques não deve esquecer de cuidados básicos em tempos de pandemia: "Quanto mais distante as pessoas estiverem umas das outras, menor o risco de novas infecções, mas quanto mais sair, mais circular, maior o risco. O ideal é não sair, mesmo que seja aberto. Se sair, tomar cuidados como máscara sempre, álcool gel, lavar a mão, evitar de coçar os olhos e evitar de comer na rua porque vai levar a mão na boca". A médica compara o parque a um cinema, por exemplo, e aí afirma que, por ser ao ar live, é um local mais adequado para aqueles que sentem necessidade de sair. "Eu entendo que cada pessoa deve se autoavaliar o quanto vale a pena sair. Se tem muita gente no lugar, não vale ir", destaca.

Baixo isolamento: muita gente ainda sai sem necessidade

Na última rodada do Epicovid19, Canoas liderou novamente o número de testes positivos. Foram 19 nesta fase - e na penúltima, ocorrida em maio, a cidade já havia liderado, com 12 casos confirmados na pesquisa. A taxa de isolamento por aqui caiu para 12%, enquanto o percentual de pessoas que afirmam sair diariamente foi para 34%. Para Leticia, ainda há muita gente saindo sem precisar. "Tem bastante gente saindo sem necessidade. Não adianta o idoso, que é vulnerável, não sair e as outras pessoas da família saírem e trazerem esse vírus para dentro de casa. Esse é o nosso grande desafio hoje. Apesar do jovem ter menos risco de adoecimento grave, ele infecta as pessoas de maior risco." Ainda de acordo com a médica, é importante haver uma organização com relação ao "sair à rua": "Organização do cotidiano das pessoas: obviamente eu respeito as escolhas individuais, mas se tu tem quatro pessoas que não trabalham e duas que trabalham, quem deveria fazer as compras? As pessoas que trabalham. Mas a gente tem visto que quem não precisa é que sai para fazer as coisas".

A média móvel e os números atuais

Conforme o secretário Ritter, é necessário considerar a média móvel quando se fala em casos confirmados e número de óbitos. "A média móvel dos óbitos, temos de dois a quatro casos", afirma. "A gente tem sempre comparado nossos números com os municípios da região metropolitana, principalmente aqueles da linha do trem. Na média móvel de casos confirmados, somos hoje o município com menos casos, igual a Sapucaia", acrescenta. 

De acordo com o último boletim da Prefeitura, Canoas tem 6.402 casos confirmados de coronavírus e 240 óbitos. A taxa de ocupação de leitos de UTI Covid é de 85%.

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