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Notícias | Canoas Absorventes

Dignidade menstrual é acolhida pelas escolas

Doações são distribuídas para alunas e moradoras de Canoas

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 20.10.2021 às 03:00 Última atualização: 21.10.2021 às 08:41

Mesmo antes de se tornar assunto nacional, após o veto do presidente Jair Bolsonaro a um projeto de lei para distribuir absorventes gratuitamente para mulheres em situação de vulnerabilidade social, Canoas já se movimentava para garantir dignidade menstrual às alunas da rede municipal.

Além dos absorventes, alunas são acolhidas para conversar sobre menstruação
Além dos absorventes, alunas são acolhidas para conversar sobre menstruação Foto: FOTOS PAULO PIRES/GES
Em agosto, em um grupo de combate à violência contra a mulher da Secretaria Municipal de Educação (SMED), a supervisora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dr. Nelson Paim Terra, do bairro Rio Branco, Sonsearai Pereira, lançou a ideia de expansão do trabalho que já vinha sendo desenvolvido no colégio.

"Cada mulher durante os anos em que fica menstruada passa pelo ciclo mais de 400 vezes. Absorvente custa caro. Imagina, por exemplo, em famílias com seis mulheres, menstruadas ao mesmo tempo? É inviável para pessoas de baixa renda sustentar essa necessidade", destaca ela.

Na Paim Terra existe uma caixinha com os produtos de higiene íntima há anos. Com a ampliação do debate acerta da pobreza menstrual, as doações aumentaram e a campanha foi adotada por 21 das 44 Emefs de Canoas.

"No momento, atendemos mensalmente cinco alunas da escola. Esta semana, duas moradoras da comunidade também vieram buscar. Professores, pais, alunos e até uma fábrica têm contribuído para ampliar o estoque, que está disponível para todas as mulheres da cidade", enfatiza Sonsearai.

Calcinhas

Dependendo do fluxo de sangramento, podem acontecer vazamentos. Pensando nisso, a escola também disponibiliza calcinhas e calças para que as meninas não precisem perder aula. Além disso, lenços umedecidos e outros itens de higiene, como sabonetes e desodorantes, estão sendo acrescentados ao kit.

"Estamos desmistificando a menstruação, algo natural que acontece com todas as mulheres. Fortalecendo o diálogo temos visto, inclusive, mais consciência e respeito por parte também dos meninos", diz a supervisora.

Um caso de saúde pública

Entre os motivos para a não aprovação da lei, Bolsonaro citou que o projeto não prevê fontes de custeio para a compra dos absorventes. Além disso, por determinar beneficiárias específicas - por exemplo, estudantes da rede pública e mulheres presidiárias - não atenderia ao princípio de universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Escola também oferece calcinhas e lenços umedecidos
Escola também oferece calcinhas e lenços umedecidos Foto: PAULO PIRES/GES
No entanto, a pesquisa 'Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil' revela que cada estudante perde, em média, 45 dias de aula por ano em razão da menstruação, bem como que mais de 700 mil meninas vivem sem acesso a chuveiro e banheiro no país.

"A pobreza menstrual, que é quando as mulheres e meninas não conseguem comprar material básico de higiene íntima, causa, literalmente, desconforto, insegurança e estresse. Menstruar acaba se tornando um fardo. Essa é uma questão de saúde pública e, principalmente, de dignidade", ressalta a secretária da Coordenadoria de Mulheres, Vani Piovesan, que atua em parceria com a SMED.

A lista de escolas participantes - onde podem ser entregues ou retiradas doações - pode ser conferida no site da Prefeitura.

Primeira vez foi na sala de aula

Vitória Montagna, 15 anos, é uma das 12.609 alunas do ensino fundamental da rede municipal de Canoas. Engajada na campanha de dignidade menstrual, ela conta que teve o primeiro sangramento em sala de aula, aos 11 anos. "Não estava esperando. Tive que ir pra casa, pois não era comum ter absorvente nas escolas".

Apesar do susto, é grata por ter sido orientada pelos pais e não passar necessidade para comprar o item. "Estudando mais sobre o assunto, percebi o quanto é difícil para muitas mulheres. Me sinto representada e orgulhosa de poder ajudar", afirma. Lavinnya Rodrigues, 11 anos, ainda não ficou menstruada, mas se sente mais pronta. "Falar abertamente sobre isso ajuda".

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