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Notícias | Canoas Saúde

Hospitais de Canoas podem perder R$ 84 milhões

Proposta do Estado deve entrar em vigor a partir de janeiro de 2022

Por Daniele Farias
Publicado em: 30.09.2021 às 03:00 Última atualização: 30.09.2021 às 08:47

A Secretaria Municipal de Saúde de Canoas buscou apoio do Fórum de Entidades da Câmara de Indústria e Comércio de Canoas (Cics) e das associações de profissionais da área para sensibilizar o Governo do Estado com a intenção de rever a previsão de distribuição de recursos do Programa Assistir.

Obstetrícia do HU seria um dos serviços prejudicados
Obstetrícia do HU seria um dos serviços prejudicados Foto: Laira Souza/HU
O projeto, que visa distribuir incentivos hospitalares de maneira proporcional aos serviços entregues à população, observando a regionalização da saúde e a capacidade de cada instituição, poderá gerar a perda de R$ 84 milhões para os Hospitais de Pronto Socorro (HPSC) e Universitário (HU) de Canoas.

O secretário municipal da Saúde, Maicon Lemos, informa que os municípios da Região Metropolitana perdem um aporte de R$ 250 milhões. Ele lembra que os prefeitos da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) já tiveram encontros com o governador Eduardo Leite e manifestaram preocupação sobre o projeto.

"Nós estamos solicitando que seja revisto o cálculo para a distribuição dos recursos. Para Canoas, seria o maior prejuízo, desde 2005, quando iniciou a Gestão Plena da Saúde pelos municípios", destaca o secretário.

Referência em Canoas

Para o presidente da Associação Médica de Canoas (Somédica), e vice-presidente do Fórum de Entidades da Câmara da Indústria Comércio e Serviços (Cics), Luciano Zuffo, o programa penaliza não só Canoas, mas também as cidades da Região Metropolitana e aquelas que buscam aqui os atendimentos especializados. Segundo ele, com a perda destes investimentos do Estado, não seria possível manter os serviços de alta complexidade no Hospital de Pronto Socorro (HPSC) e no Hospital Universitário (HU).

"São atendimentos e procedimentos das áreas de obstetrícia e neonatal, cardiologia, neurologia, traumatologia e ortopedia e urologia, entre outras especialidades, que teriam que ser reduzidos ou, simplesmente, não poderíamos ofertar mais nos hospitais de Canoas", destaca Zuffo.

Problema na região

O presidente da Somédica concorda com o posicionamento do secretário municipal da Saúde, Maicon Lemos. "A proposta pode criar um problema maior ainda, pois os pacientes de outras cidades continuarão procurando atendimento em Canoas. Muitos municípios menores, infelizmente, não possuem estrutura para procedimentos de alta complexidade", explica.

Outra preocupação de Zuffo é o retorno dos procedimentos eletivos, que estavam represados em função da pandemia. "Neste momento, nos preocupa também que estamos recomeçando muitos exames e cirurgias eletivas que precisaram ser remarcados por conta das restrições hospitalares durante o período de pandemia. Não podemos prejudicar o atendimento à população", ressalta.

Município teria que aportar R$ 80 milhões por ano

Segundo Lemos, o HU que tem recursos de R$ 4,8 milhões, passaria para R$ 1,6 milhão. O HPSC seria equiparado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), passando de R$ 4,2 milhões para R$ 540 mil.

O secretário ressalta que os cálculos realizados pelo programa não retratam a realidade de atendimento na cidade.

"O Município teria que entrar com um aporte de R$ 80 milhões por ano para continuar com os atendimentos de alta complexidade nos nossos hospitais. Sendo que continuaríamos a atender outras cidades da região que tem Canoas como referência em Saúde", destaca o secretário.

Lemos diz que a cidade ainda não teve um aceno positivo do Estado. "Por isso estamos buscando apoio de nossas entidades e associações, além da Granpal, para tentar pressionar para uma nova alternativa", informa o secretário.

Avaliar para evitar colapsos

Lemos, que também é presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde, participa esta semana do encontro do Conselho Nacional dos Secretários (Consems). Durante o evento, os representantes dos estados tratam sobre as situações da pandemia, Atenção Básica em Saúde e o Programa Mais Médicos. Segundo o secretário, os dados apresentados pelos estados que participam do encontro mostram que, momentaneamente, a pandemia está sob controle. "Mas é preciso avaliação permanente, para não corrermos o risco de novos colapsos no sistema de saúde", alerta.

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