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Notícias | Canoas Saúde

Mesmo na pandemia, HPSC amplia captação de órgãos

Canoas está entre as cidades gaúchas que mais captam órgãos no Estado

Publicado em: 27.09.2021 às 03:00 Última atualização: 27.09.2021 às 14:15

Setembro é o mês de conscientização sobre a doação de órgãos. O chamado Setembro Verde instituiu o dia 27 como o Dia Nacional de Doação de Órgãos.

De janeiro a julho deste ano foram autorizados 13 doadores, resultando na captação de 27 órgãos
De janeiro a julho deste ano foram autorizados 13 doadores, resultando na captação de 27 órgãos Foto: FOTOS Laira Souza/HU
Atualmente existem no Rio Grande do Sul 2.074 pessoas na fila de espera por um transplante de órgãos. Apesar de os hospitais de Canoas não realizarem transplantes, o município está entre os que mais captam órgãos no Rio Grande do Sul, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde.

Mesmo durante este período de pandemia, as captações no município não pararam e ainda registraram aumento. No Hospital de Pronto Socorro Prefeito Dr. Marcos Antônio Ronchetti (HPSC), somente de janeiro a julho deste ano foram autorizados 13 doadores, resultando na captação de 27 órgãos.

No mesmo período de 2020 foram 9 doadores e 21 órgãos captados. De janeiro a julho de 2019, quando não estávamos em pandemia, os doadores foram apenas seis, contabilizando 20 órgãos para doação. Os órgãos mais captados no HPSC foram rins, fígados, córneas e pele.

Para o diretor técnico do HPSC, Dr. Vitor Alves, o aumento é muito significativo, principalmente ao levar-se em conta o período de pandemia pelo qual ainda estamos passando.

O diretor atribui parte destes resultados à equipe do HPSC, que desempenha um trabalho cuidadoso que vai desde a identificação de um possível doador, até a entrega do órgão na instituição que fará o transplante. "Além de sermos referência em trauma, a equipe realiza um trabalho contínuo de busca ativa, que resulta em muitas captações."

Destaca que uma das missões de um hospital que atende traumas está ligada à doação de órgãos. "Mesmo em situações do término da vida, nossa missão nos leva a ver que essa perda pode contribuir para a expectativa de vida de outras pessoas que estão necessitando de órgãos."

Em meio à dor, um gesto pela vida

Quando recebeu, na véspera de seu aniversário, a notícia de que seu pai estava em morte cerebral, a fisioterapeuta Caroline Citolin Verlindo viu seu mundo desabar.

Caroline: "Meu pai se foi.  Mas alguém vai ser feliz  a partir deste gesto"
Caroline: "Meu pai se foi. Mas alguém vai ser feliz a partir deste gesto"
A dor dividida com a mãe e as duas irmãs com aquela perda repentina, virou em parte esperança, quando foram questionadas sobre a possibilidade de doarem os órgãos de Éverton, de 61 anos.

"Quando a equipe veio conversar conosco foi um momento muito delicado pois estávamos sem chão e, ao mesmo tempo, nos trouxeram uma questão muito importante que poderia definir entre a vida e a morte de outras pessoas."

Lembra que ela, uma das irmãs e a mãe aceitaram doar quase que de imediato. Porém, para a outra irmã, aceitar que o pai estava com morte encefálica foi algo complicado. "Para quem é da área da saúde entender a morte encefálica é algo complexo. Para quem não é, é muito mais difícil".

Abordagem

Depois de muita conversa com os profissionais do hospital a família autorizou a doação. "Dar a autorização é um conforto, pois tu esqueces um pouco a dor da perda. Meu pai se foi. Mas alguém vai ser feliz a partir deste gesto que tomamos", conta Caroline ao falar que o pai era um homem alegre, generoso e que gostava de ajudar as pessoas.

Para a fisioterapeuta, a abordagem da equipe foi fundamental para a decisão. Recorda que a segurança e empatia que a equipe passou ajudaram para darem o sim. "Eles estão preparados e, mesmo assim, ouvem diversas negativas. No nosso caso, pensamos que existem muitas pessoas nas filas de espera querendo viver."

Para quem se deparar com situações semelhantes, Carolina deixa um recado. "Não deixem a vida acabar naquele instante. Deixem ela continuar, mesmo que em outras pessoas que nem conhecemos, mas que também têm uma família para amar."

No caso do seu Everton foram captados pele e córneas. "No momento que soube pensei: como assim? Só isso? Mas depois me explicaram que a pele beneficia dezenas de pessoas, inclusive crianças que sofrem queimaduras, por exemplo. E isso me deixou muito feliz."

Apesar de não saber quem de fato recebeu os órgãos doados, a família foi avisada pela equipe de transplante nos dias em que aconteceram os transplantes.

"Depois de um tempo da morte do pai, nossa mãe nos mostrou que ele tinha uma carteirinha, de quando tinha 18 anos e servia o exército, no qual dizia que queria ser doador de órgãos. Isso nos deu ainda mais certeza de que fizemos a coisa certa", conta emocionada.

Mitos e verdades da doação

A médica emergencista e intensivista Caroline Lahude Salim, responsável técnica pelas UTIs do HPSC, esclarece mitos e verdades sobre a doação de órgãos. O objetivo é chamar atenção para este um tema que pode mudar o futuro de muitas pessoas que aguardam por uma nova chance de viver.

- Para ser um doador de órgãos é necessário deixar por escrito em documento.

MITO: O importante é conversar com a família e deixar clara a vontade de ser doador. No Brasil há uma Lei que regulamenta a doação de órgãos e dá o direito de autorização da doação para os familiares de 1º grau. A legislação brasileira não reconhece documentos, mesmo que registrados em cartório.

- A doação de órgãos beneficia muitas pessoas.

VERDADE: Um único doador de órgãos e tecidos pode beneficiar pelo menos 10 pessoas.

- A doação deixa o corpo do doador deformado.

MITO: A retirada dos órgãos é feita seguindo uma série de protocolos que incluem, além de questões médicas e éticas, o respeito pelo doador e por sua família. A retirada é feita através de processos cirúrgicos, semelhantes aos realizados em pacientes vivos.

- Após a doação de órgãos o corpo precisa ser sepultado em caixão lacrado.

MITO: O corpo pode ser velado ou cremado normalmente e não precisa de preparo especial.

- A família do doador não precisa arcar com os custos relacionados à doação.

VERDADE: A doação não envolve custos nem para a família do doador, nem para o receptor. Todo o processo é realizado pelo SUS. O receptor é escolhido através de uma lista única nacional.

- Idosos ou pessoas com histórico de doenças não podem ser doadores.

MITO. Todas as pessoas, independente da idade e de histórico médico, são consideradas potenciais doadores. O que determinará a possibilidade de transplante será uma avaliação, realizada através de diversos exames, no momento da morte encefálica.

- É possível que um paciente em morte encefálica volte a viver.

MITO. A morte encefálica é irreversível, sendo atestada por dois médicos diferentes, seguindo os critérios do Conselho Federal de Medicina.

- Para constatar a morte encefálica são realizados diversos exames.

VERDADE. A legislação determina a realização de dois exames clínicos e um exame de imagem, que mostra se há circulação de sangue no cérebro. Os exames são feitos por dois médicos com experiência em morte cerebral.

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