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Notícias | Canoas Crime

Polícia Civil leva onze à cadeia por "gatos" na rede

Operação Electro, executada pela 4ª Delegacia de Polícia, nesta terça-feira, mirou coibir crimes

Por Leandro Domingos
Publicado em: 23.09.2021 às 03:00 Última atualização: 23.09.2021 às 08:21

A empresa Rio Grande Energia (RGE) anotou 3.844 inspeções de fraudes no primeiro semestre deste ano, em Canoas. Foram 578 fiscalizações a menos que o trabalho garantido no mesmo período do ano passado. Contudo, o saldo é maior. No primeiro semestre de 2020, a concessionária apontou 443 fraudes; em 221, somaram-se 554. O número representa um acréscimo de 30% nos crimes de furto nas instalações. Por isso, o combate precisou ser intensificado na cidade.

Técnicos da Rio Grande Energia e agentes da Polícia Civil garantiram os flagrantes
Técnicos da Rio Grande Energia e agentes da Polícia Civil garantiram os flagrantes Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
A Polícia Civil executou, ao longo de toda a terça-feira (21), a batizada Operação Electro, em parceria com a RGE. O objetivo era prender pessoas que estavam furtando energia elétrica ou comprando fios e cabos furtados da concessionária. Ao todo, onze foram levados à cadeia ao longo da ofensiva.

Um total 15 estabelecimentos de Canoas acabaram entrando na mira da polícia. Mercados, lojas, lavagens, boliches e condomínios estiveram entre os alvos da operação. Eles estavam gerando prejuízo para a empresa e risco para a população, de acordo com a delegada Tatiana Bastos, que coordenou a operação.

Aumento

Conforme a responsável pela 4ª Delegacia de Polícia (DP), as denúncias de furto de energia têm crescido na cidade, a ponto que no mínimo duas operações estão sendo necessárias por mês para cobrir as suspeitas de fraude que partem da concessionária. Os populares gatos na rede elétrica são registrados em todos os quadrantes.

A maior parte da demanda são de furtos cometidos em estabelecimentos comerciais, com a luz sendo "puxada" direto do poste da RGE, sem passar pelo tradicional medidor de luz necessário para a cobrança da empresa. "A energia não passa pelo relógio e eles não gastam nada com isso", aponta.

Há anos que agentes ligados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) tem desenvolvido um trabalho em Canoas mirando o furto de energia elétrica. Dezenas de pessoas já foram presas por este modelo de crime. No entanto, a demanda cresceu.

Empresários

De acordo com a delegada, a cada 30 dias surgem novas ocorrências a serem averiguadas, razão pelo qual a Polícia Civil de Canoas está tomando a dianteira na apuração dos casos. "Além do prejuízo, este tipo de crime pode resultar em um acidente grave ou incêndio. Estamos assumindo a apuração".

A delegada também chama a atenção que não entraram, como alvo da ofensiva, pessoas que furtam energia em residências, mas sim proprietários de estabelecimentos com total condições financeiras de pagar pela conta de luz. Pelo menos sete endereços visitados tinham esta característica.

Também um proprietário de condomínio acabou sendo levado à prisão por garantir ligações clandestinas a todos os inquilinos. "O prejuízo causado por eles é muito maior", avalia. "Em alguns casos, os presos eram reincidentes. Haviam sido presos anteriormente por furto.

Risco de acidente e choque elétrico

Rastrear e fazer o desligamento de ligações clandestinas é uma questão de segurança para a população, segundo a RGE. Também ajuda a evitar curtos-circuitos que afetam a rede e que, em muitos casos, provocam o desligamento e a queima de equipamentos e eletrodomésticos de ruas inteiras.

A concessionária aponta que os consumidores que adotam esta prática, popularmente conhecida como "gato", também estão colocando em risco as suas vidas e da população. Pessoas não habilitadas que tentam manipular energia ou realizar ligação direta na rede elétrica correm o risco de choque e acidentes.

Cobrança é retroativa

Fraudes e furtos de energia são crimes previstos no Código Penal com penas que podem chegar a até quatro anos de prisão. Além disso, a pessoa que for flagrada cometendo a irregularidade terá cobrados os valores retroativos referentes ao período em que deixou de pagar pelo fornecimento.

As irregularidades também podem deixar a conta de luz mais cara para todos os consumidores, já que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) reconhece a ação como uma "perda comercial", e este valor é revertido à empresa. Outra consequência das fraudes e furtos é a piora na qualidade do serviço de distribuição.

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