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Notícias | Canoas Educação

Trabalho de formiguinha na busca pelos estudantes

Ofensiva Busca Ativa teve nova etapa, nesta segunda-feira, em Canoas

Por Leandro Domingos
Publicado em: 24.08.2021 às 03:00 Última atualização: 24.08.2021 às 08:19

É um trabalho de formiguinha, na avaliação dos próprios profissionais envolvidos. No início deste mês, a Prefeitura de Canoas lançou o projeto Busca Ativa. Trata-se de uma procura de porta em porta por estudantes da Rede Municipal que perderam, durante a pandemia, o completo vínculo com as instituições em que estavam matriculados.

23/8/2021 SEC EDUCAÇÃO MUNC - BUSCA ALUNOS EM CASA Foto: PAULO PIRES/GES
O número de alunos é expressivo. Eram 3.400 matriculados que perderam completamente o contato com a educação, seja ele presencial ou remoto. Mais de 2 mil foram resgatados por meio do projeto Busca Ativa. Restam 1.072 à deriva.

A manhã desta segunda-feira (23) foi de operação. Um grupo formado por profissionais ligados à Secretaria Municipal de Educação (SME) e à Coordenadoria de Relações Comunitárias foi reunido na Escola Municipal Rio Grande do Sul, no bairro Mato Grande, para dar início a mais uma ofensiva pelo ensino de Canoas.

Atendendo a 682 estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, a Rio Grande do Sul tinha nada menos que 50 alunos fora das salas de aula. A meta do trabalho organizado, portanto, era descobrir o que aconteceu com cada um deles.

Esforço

Uma média de 100 visitas são feitas ao longo do dia em cada edição da operação. Como explica a coordenadora Geórgia Fábia dos Santos, as razões em torno das ausências são diversas. Contudo, uma grande parte diz respeito a mudança de cidade diante do cenário econômico criado pela pandemia. "Não vamos até as residências dar um ultimato, mas sim dialogar e explicar a importância do retorno da criança à escola", esclarece. "A adesão pode ser híbrida ou mesmo remota, mas é necessário garantir este vínculo".

De acordo com Geórgia, o diagnóstico surgiu quando a Secretaria Municipal de Educação começou a organizar as entregas de uniformes e materiais escolares para os estudantes. As ausências também foram notadas nas entregas de cestas básicas para crianças de baixa renda. Muitos não apareceram.

Ainda segundo a assessora pedagógica, houve até mesmo o caso de um estudante que retornou com os pais para a República Dominicana, onde vivia o restante da família. "A mudança foi algo comum que aconteceu, mas foi necessário conversarmos em espanhol para descobrir o que houve", explica.

Retorno

O resultado do trabalho é positivo. Ao entrarem em contato com parentes da criança, garante-se um interesse extra para que o estudante retorne. Ruan Gabriel Machado, 7 anos, entrou no roteiro da Busca Ativa. Ele não foi achado no endereço de referência junto à instituição. Tinha se mudado com a mãe. Quem estava na casa era o avô dele. O vendedor de churrasquinho Ilson Roberto, 66 anos, garantiu a volta do neto. "Vou ter uma conversa hoje mesmo com a mãe dele", avisou.

Atenção também a crianças que não estão na lista

O trabalho da Busca Ativa não se resume somente a identificação de estudantes cujo vínculo com as escolas ficou perdido. Ao irem atrás dos alunos, os profissionais também aproveitam para identificar se não existe alguma criança longe da escola na casa. Ontem encontraram um menino de 4 anos que poderia estar na creche, mas não estava. "Passamos a solicitação para que a mãe procure a Secretaria Municipal de Educação o mais rápido possível", explicou Geórgia.

Trabalho de campo acaba facilitado

Para garantir o bom resultado da Busca Ativa, a Secretaria Municipal de Educação buscou apoio do setor da Mobilização Social, ligado à Coordenadoria de Relações Comunitárias e ao gabinete
do prefeito Jairo Jorge. São homens e mulheres que estão com contato direto com as comunidades de cada bairro. “Nosso pessoal conhece bem as comunidades e auxilia no contato em campo”, explicou a coordenadora Rocheli Gonçalves.

Tratamento de respeito dado a cada caso que é atendido

Trabalhando há 30 anos na Escola Municipal Rio Grande do Sul, sendo que 13 deles somente como diretora, Márcia Pinho conhece bem a comunidade do bairro Mato Grande. Ela elogia o trabalho dos profissionais da Busca Ativa que, em sua avaliação, fazem um serviço que ela mesma gostaria, mas não tem perna para fazer. "Estou ligada há muito tempo a esta comunidade e posso dizer que ela é maravilhosa", defende. "Confesso que gostaria eu mesma de bater de porta em porta para saber o que está acontecendo com os estudantes. Alguns, perdemos contato até pelo telefone", diz. "Temos recebido um excelente retorno do Busca Ativa, porque o trabalho não é de cobrança. É, sim, de compreensão da situação de cada um no meio desta pandemia. Ao tratarem com respeito e carinho a cada família, existe o retorno à escola. Pais e responsáveis estão vindo e retomando o contato com a gente".

Iniciativa da SME faz parte do Programa Cidade do Cuidado

A SME integra o "Programa Cidade do Cuidado", uma iniciativa intersetorial e integrada, que visa a prevenção a qualquer modalidade de violência. O Programa, coordenado pela Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP), reúne diferentes projetos dos órgãos municipais que se ocupam desta temática. "A ideia é promover não só acolhimento, mas ações voltadas ao cuidado das pessoas", explica a titular da Secretaria de Educação, Sônia da Rosa.

O projeto Busca Ativa, explica ela, está contido no Programa Cidade do Cuidado e ocupa-se, justamente, pela busca dos alunos que estão sem nenhum contato com o contexto escolar (presencial/remoto).

Na primeira etapa do projeto foram trazidos ao convívio escolar 2 mil alunos. Na segunda etapa, a SME, de forma intersetorial, com outros órgãos do Poder Executivo, vem realizando visitas in loco, notificando as famílias quanto à importância e à obrigatoriedade quanto ao retorno das crianças e adolescentes às atividades escolares. "É nesse sentido que entendemos a educação municipal de Canoas: um compromisso de todos. Dos 1.400, já resgatamos 328 alunos da Rede Municipal de Ensino", destaca Sônia.

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