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Notícias | Canoas Transporte

Grupo de trabalho é criado para evitar greve dos ônibus

Anúncio de paralisação colocou em alerta mais de 8 mil canoenses

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 09.08.2021 às 03:00 Última atualização: 09.08.2021 às 08:29

A semana começa mais tranquila para os mais de oito mil canoenses que ficaram assustados com a notícia de uma possível greve dos ônibus intermunicipais.

Transcal assumiu operação metropolitana da Vicasa em Canoas Foto: SAAM/Divulgação
Esse é, de acordo com a Metroplan, o número de passageiros diários que utiliza as linhas metropolitanas da Transcal de Canoas para Porto Alegre, por exemplo. Antes da pandemia, conta o diretor de transporte metropolitano do órgão, Francisco Horbe, chegava a 25 mil por dia.

Com a criação do Grupo de Trabalho Emergencial, que tem como objetivo construir uma alternativa conjunta que permita ao sistema de transporte condições de encontrar soluções para o problema dos trabalhadores do setor e sem prejudicar os passageiros, cerca de três mil motoristas e cobradores representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários Intermunicipais da Região Metropolitana (Sindimetropolitano), decidiram manter normalmente as atividades nesta segunda-feira (9), cumprindo a tabela horária regular.

"Estamos sempre abertos a negociar. A última coisa que os trabalhadores querem é paralisar, causar prejuízos a quem precisa do ônibus, queremos apenas resolver as questões que as empresas não estão cumprindo. Inegavelmente, às vezes a greve é a única saída", ponderou o secretário geral do Sindimetropolitano, Alex Araújo.

Motivação

Falta de pagamento de 1/3 das férias, integralidade do vale alimentação e não reajuste salarial nos últimos dois anos motivaram os funcionários das empresas Transcal (Canoas e Cachoeirinha), Vicasa (Canoas), Sogil (Gravataí e Glorinha), Via Nova (Nova Santa Rita), Soul (Alvorada), Viamão (Viamão) e Guaíba (Guaíba), a pedirem a paralisação dos serviços de transporte metropolitano por tempo indeterminado.

"As empresas pedem compreensão, dizem que estão com dificuldades financeiras, que reduziu muito o número de usuários. Entendemos, mas os trabalhadores também têm suas contas para pagar, famílias para sustentar e não é justo que sejam prejudicados", enfatiza Araújo, ressaltando ainda que as demissões em massa ocorridas nos últimos meses também preocupam a categoria.

Fiscalização

A Metroplan é responsável por normatizar e fiscalizar a operação do transporte rodoviário metropolitano no Estado do Rio Grande do Sul.

"As empresas que atendem essas cidades representam em torno de 70% do sistema metropolitano. Ou seja, 130 mil pessoas por dia poderiam ter ficado sem transporte", aponta Horbe.

O diretor explica, ainda, que a entidade está a disposição para mediar o diálogo e auxiliar na busca de resoluções para minimizar danos para ambos os lados, mas que não pode interferir em questões salariais e de benefícios, por exemplo, entre organizações privadas e seus colaboradores.

Apoio da Granpal

Em nota, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), manifestou preocupação com a situação. "Nos últimos anos, o setor do transporte de passageiros vive uma grave crise, que se agravou com a pandemia. A busca de solução passa pelas prefeituras, pelos governos estaduais e pelo governo federal. Não se justifica ter impostos incidindo sobre o valor da passagem. É preciso ainda encontrar receitas extra-tarifárias e reduzir isenções. O tema deve ser enfrentado no curto prazo para o transporte metropolitano não parar. A médio prazo, o sistema deve ser repactuado com os operadores e, para o futuro, ser desenhado um novo sistema", escreveu. Além disso, reforçou que os prefeitos das cidades envolvidas estão dialogando também com as autoridades responsáveis e empresas de ônibus para garantir o atendimento aos cidadãos que utilizam ônibus para se deslocar.

Sogal não para

O transporte rodoviário municipal de Canoas, atendido pela Sogal, garantiu não parar. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Canoas (Sitrocan), Marcelo Nunes, há um acordo com a Prefeitura para evitar greves. “Usuário paga
uma tarifa cara e merece respeito de todos os envolvidos. Estamos nos esforçando para não deixar os canoenses sem ônibus”, diz ele. 

Vicasa saiu após acúmulo de dívidas

Devido a acúmulo de dívidas e muitas reclamações do serviço prestado aos passageiros, a Vicasa foi substituída em Canoas pela Transcal. A empresa de Cachoeirinha assumiu as 18 linhas de integração e intermunicipais que atendem os canoenses na metade de julho. Vale salientar que ambas as empresas pertencem ao mesmo grupo, da família Biazus.

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