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Notícias | Canoas Motociata

Bolsonaro passa por Canoas e diz: "Só Deus me tira da cadeira"

Presidente reuniu apoiadores em passeio de moto pela BR-116 e participou de almoço com empresários

Publicado em: 12.07.2021 às 03:00 Última atualização: 12.07.2021 às 08:12

Em um momento de queda na popularidade, tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF) e em meio a denúncias de ilegalidades na negociação de vacinas por membros do governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passeou de moto por Porto Alegre e Canoas e almoçou com empresários gaúchos sábado. Milhares de motociclistas expressaram forte apoio ao presidente, mas ele também viu - e ouviu - críticas pelo caminho de aproximadamente 70 quilômetros. Uma mulher chegou a ser detida enquanto batia panelas na Cidade Baixa. O governador Eduardo Leite (PSDB) disse que a ação da Brigada Militar no caso será apurada. Foi o único incidente do dia, segundo ele.

Ao lado, Bolsonaro puxa motociata pela BR-116, em Canoas; acima, presidente retorna ao estacionamento da Fiergs após passeio Foto: Igor Müller/GES-Especial
A concentração de motociclistas em frente à Federação das Indústrias (Fiergs), na zona norte da capital, começou antes de o sol nascer. A maioria das placas era de Porto Alegre, região metropolitana e litoral, mas havia muita gente da Serra e de cidades mais distantes, como Santa Maria, Pelotas e Passo Fundo. Cláudio Costa, 58 anos, saiu às 5h30 de Campo Bom. "Não poderia deixar de participar. O presidente pega pesado às vezes, mas é o jeito dele. Melhor do que outros que já tivemos", resumiu.

Pátio lotado

Quando o helicóptero militar que transportou o presidente desde Bento Gonçalves sobrevoou a Fiergs, às 9h30, milhares de motociclistas e pedestres já lotavam o estacionamento. Todos foram revistados antes de entrar. A quinta motociata em apoio a Bolsonaro realizada este ano no País começou pontualmente às 10 horas, com Bolsonaro à frente. O presidente estava sem máscara, assim como boa parte dos apoiadores. Da Fiergs, o comboio passou por Canoas e após seguiu em direção à zona sul de Porto Alegre pela Rodovia do Parque, Castelo Branco e orla do Guaíba.

Foram ao menos três paradas no caminho. Uma delas sobre o viaduto próximo ao Hospital Mãe de Deus, onde Bolsonaro fez rápido discurso de agradecimento aos motociclistas, e outra no início da free way, perto da nova ponte do Guaíba - a obra foi parcialmente inaugurada por ele no fim de 2020.

De volta à Fiergs, perto do meio-dia, Bolsonaro fez de uma escadaria um palanque improvisado. Era acompanhado de deputados, do senador Luis Carlos Heinze (PP) e três ministros - Onyx Lorenzoni, Marcos Pontes e Tarcísio Gomes de Freitas (ele anunciou que, no futuro, motos deixarão de pagar pedágio pelo País). O presidente falou por 12 minutos, com pausas para aplausos e palavras de ordem.

Críticas a Barroso

Bolsonaro voltou a defender "voto impresso e auditável", atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, e a CPI da Covid, criticou decisões do governador gaúcho na pandemia e defendeu as liberdades. "Mais importante que a própria vida é a nossa liberdade", citou, chamando os apoiadores de "meu exército". Disse que não há corrupção no governo, que é "imorrível, imbrochável e incomível também" e que "somente Deus me tira da cadeira presidencial".

Da Fiergs, Bolsonaro foi de helicóptero para casa de eventos ao lado do aeroporto Salgado Filho, onde almoçou com cerca de 60 empresários e recebeu dois pedidos do prefeito de Porto Alegre e presidente da Granpal, Sebastião Melo: desonerações para o setor do transporte coletivo e doação do prédio da Usina do Gasômetro. O cardápio oferecido pela Associação da Classe Média (Aclame) foi churrasco de carnes nobres. Bolsonaro fez rápido pronunciamento sobre economia, mas nenhum anúncio importante. Por volta das 16 horas, embarcou de volta a Brasília.

Veja como foi a motociata

MUITA MOTO

Oficialmente não houve uma contagem de público na motociata, mas era muita gente. Aberto
desde antes das 8 da manhã, o estacionamento da Fiergs ficou tomado de motos. Os veículos
levaram 15 minutos para sair do local após a passagem do presidente. Mais apoiadores foram
se juntando ao passeio durante o percurso, tanto que na Praça do Avião, em Canoas, as motos tomaram a rodovia no sentido capital-interior durante cerca de 45 minutos.

TRANQUEIRA

O efeito colateral do passeio de moto do presidente foi uma tranqueira em série no trânsito de Canoas e de Porto Alegre. À medida em que o fluxo de veículos era bloqueado para a passagem da motociata, filas iam se formando nas vias laterais e transversais. O trânsito voltou ao normal na capital e região metropolitana somente depois do meio-dia, quando Bolsonaro e apoiadores já estavam de volta à Fiergs.

SEGURANÇA

A motociata contou com forte aparato de segurança, garantido por forças federais, estaduais
e municipais (Porto Alegre e Canoas). Havia policiais por todo lado, tanto na rua quanto na Fiergs. Em Canoas, a maioria das passarelas sobre a BR-116 foi bloqueada antes da passagem do presidente. No ar, helicópteros da BM e da PRF acompanhavam.

PÚBLICO NA RUA

Além dos motociclistas, muita gente foi a pé manifestar apoio a Bolsonaro. Em Canoas e Porto Alegre, as calçadas ficaram cheias. Boa parte do público com bandeira do Brasil e ao menos algum adereço verde-amarelo. Foi o que fez o comerciante Jéferson Rodrigues, 65 anos. “É a primeira vez que verei o presidente. Desejo que ele tenha sucesso. Ele está tentando fazer uma
boa gestão, embora esteja difícil”, disse. A auxiliar de educação infantil Flávia da Silva Santos, 31, diz que foi por curiosidade. “É a primeira vez que vejo um presidente”, comentou. Na capital, cidadãos contrários ao presidente exibiam cartazes com críticas e xingamentos. Não houve registro de tumultos.

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