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Notícias | Canoas No gosto do canoense

Com previsão de safra recorde, pinhão é sinônimo de tradição no Estado e fonte de renda

Cozido, na chapa ou em alguma receita, o que vale é apreciar essa marca registrada do frio gaúcho

Por Bruna Aquino
Publicado em: 08.06.2021 às 08:37 Última atualização: 08.06.2021 às 18:37

Pinhão é o que não falta na fruteira de Elenice e família Foto: PPAULO PIRES/GES
Com previsão de safra recorde e gostinho de inverno com aquele toque de festa junina, o pinhão é marca registrada durante a temporada do frio no Estado e vai bem apenas cozido (o tradicional), na chapa ou como protagonista de alguma receita. Em Canoas, a relíquia escondida dentro de pinhas - às vezes, imensas - tem sido bastante procurada e, claro, é fonte de renda para quem comercializa.

"Temos vendido bastante e principalmente quando é muito frio, vem muita gente comprar. Neste ano, está bem barato porque deu uma safra muito boa", conta Elenice Teresinha Wieczynski Gollo, proprietária de uma fruteira no bairro Igara juntamente com o marido, Ildomar, e o filho Doglas. Segundo ela, o pinhão representa cerca de 10% das vendas do estabelecimento nesta época. "Este ano tem mais gente comprando, até porque esse ano o pinhão está muito bonito." No estabelecimento, o pinhão é vendido a R$ 6,90 o quilo, mas a reportagem chegou a encontrar a R$ 8,90 em um supermercado.

O pinhão vendido pela família vem de dois produtores tradicionais: Antônio Prado e Cambará do Sul. Aliás, as regiões dos Campos de cima da Serra e das Hortênsias são referência no cultivo no Estado. A colheita, transporte e comercialização tem início em 15 de abril - antes disso, o fruto não está maduro. A data foi definida em Portaria Normativa do Ibama.

Apesar de não apreciar tanto assim o pinhão, Elenice come, até para saber falar aos clientes se está bom. "Eu não sou muito fã, mas consumo. Nessa época, pelo menos uma vez na semana eu faço. A gente tem que provar porque os clientes perguntam se é bom", comenta. Em meio a risos, ela revela que já bateu o recorde de consumo - e o inverno ainda nem chegou: "Já fiz na chapa, fiz cozido. Já fiz umas três vezes".

Fonte de renda

Parte significativa das vendas na fruteira da família de Elenice, o pinhão é fonte de renda bem antes de chegar a estabelecimentos com o deles. Nas regiões tipicamente produtoras, é de suma importância para quem atua no extrativismo da semente.

Basicamente manual, a colheita é feita diretamente no solo, explica Adelaide Juvena Kegler Ramos, engenheira florestal da Emater/RS-Ascar. "Os pinhões caem naturalmente com a maturação das pinhas, ou pela derrubada das pinhas com auxílio de utensílios como varas de bambu ou ainda através da escalada das árvores com uso de ferramentas como as 'trepas' e os cintos de segurança."

"A cadeia produtiva do pinhão apresenta poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento, o que restringe a sua comercialização basicamente aos meses de produção, que se concentra no período que vai de abril a junho", afirma a especialista.

Curiosidades

Semente da pinha - o verdadeiro fruto da Araucária, o pinhão leva dois anos para estar pronto para ser colhido. Conforme Elenice, o pinhão vendido agora começou a ser produzido em 2019. "Este ano já tivemos seca e, provavelmente, o pinhão ano que vem vai ser pouco e mais caro", comenta. "Muita gente não sabe sobre a produção do pinhão. Eu também não sabia, aprendi, e por isso tem muita gente que questiona o motivo de num ano estar barato e no outro caro", acrescenta.

A Araucária angustifolia, ou pinheiro-brasileiro, está ameaçada de extinção, de acordo com o Decreto Estadual 52.109/2014 e a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. A legislação cita a proibição do corte da Araucária nativa, portadoras de pinhas, nos meses de abril, maio e junho, diz a Emater-RS.

Previsão de safra recorde no Estado

A safra de pinhão neste ano deve ser maior do que em 2020, favorecida pelas condições
climáticas no período de desenvolvimento das sementes, conforme dados da Emater-RS. Estima-se que o volume seja entre 30% a 100% maior na comparação com a safra anterior, havendo uma grande variação dos índices de aumento na produção entre municípios e regiões produtoras.

Em São Francisco de Paula, cidade considerada a maior produtora no Rio Grande do Sul, a projeção da entidade para este ano, baseada nos produtores, é de cerca de 120 toneladas.

Municípios produtores e preços praticados

Além das cidades já citadas, também são fortes produtoras de pinhão Muitos Capões, São José dos Ausentes, Bom Jesus, Jaquirana, Vacaria, Pinhal da Serra e Esmeralda, segundo a Emater-RS. "O produto também é tradicional na região de Gramado, Canela e Nova Petrópolis, integrado à cadeia do turismo", complementa Adelaide.

De acordo com a entidade, os preços oscilam conforme a modalidade de comercialização do produto. Se o pinhão for vendido diretamente ao consumidor pelo extrativista/produtor, o quilo sai a R$ 5, podendo chegar a R$ 8. Em supermercados, fruteiras e feiras, já fica mais caro, variando entre R$ 7 e R$ 12. Adelaide chama a atenção para feiras virtuais, que vendem a R$ 7 e até a R$ 10.

"O beneficiamento da semente na forma de pinhão moído ou de paçoca representa uma excelente forma de agregação de valor ao produto, com valores estimados entre R$ 20 a R$ 29 o quilo", completa.

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