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Notícias | Canoas Arte se reinventa na pandemia

Aos 75 anos, canoense Lorena Steiner terá seu trabalho exposto presencialmente na Capital

Já vacinada, ela permanece trabalhando no atelier que tem em casa e segue criando obras belas e inovadoras

Por Leandro Domingos
Publicado em: 07.06.2021 às 08:57 Última atualização: 08.06.2021 às 18:39

Nas paredes de seu apartamento, Lorena mantém obras criadas durante quase 30 anos de trabalho dedicados à arte Foto: PAULO PIRES/GES
Algumas das maiores obras de arte da história da humanidade foram criadas em períodos de grande turbulência. As dificuldades surgidas em meio a pestes, inquisições, grandes guerras e crises econômicas acabaram inspirando artistas a criarem obras que transcenderam períodos e influenciaram trabalhos posteriores.

A pandemia criada pela Covid-19 mudou a realidade do Brasil e do mundo desde o ano passado. A mudança brusca nos hábitos da maior parte da população acabou inspirando um olhar diferenciado sobre o cotidiano, por parte de muitos artistas. A canoense Lorena Steiner é um exemplo.

Com profundo conhecimento da memória da arte, a artista plástica de 75 anos sabe que a humanidade, desde a pré-história, se vale de pinturas em paredes de cavernas para expressar o momento vivido. A arte é inerente ao ser humano, que sempre terá interesse em expor o que pensa e o que sente.

Já vacinada, ela permanece trabalhando, no atelier que tem em casa, com fios de linha de algodão, lona, papel de jornal, tijolos, rejunte de azulejo, pó de pedra e outros materiais que dão forma a trabalhos que refletem as angústias da sociedade de ontem e de hoje.

Seja monocromático ou multicolorido, em uma tela pintada ou em um prato moldado, Lorena não cria objetivando um pensamento, mas deixa que a intuição seja a verdadeira guia. Temas como a família, o trabalho e a saúde apenas vão surgindo, guiando as mãos da artista em direção ao novo e belo.

"Não costumo pensar em nada antes de começar a pintar, moldar ou tecer. Apenas me deixo ser levada. Em cima da tela, os pensamentos surgem e o trabalho ganha significado", explica.

Confira em imagens um pouco mais do trabalho da artista:

Visibilidade

Porém, não basta apenas criar. É preciso mostrar e comunicar os trabalhos com o público. A pandemia obrigou artistas a se adaptarem, como também aconteceu com diferentes setores. As exposições virtuais passaram a ter uma valorização como nunca antes.

Desde o dia 1º, Lorena integra, junto a um grupo de outros 14 renomados artistas, ligados à Gravura Galeria de Arte, a exposição POA SAO ART, em parceria com a Inn Gallery de São Paulo. Serão novas pinturas e gravuras colocadas à disposição para a apreciação do público. Os mesmos nomes por trás das obras vão participar, presencialmente, a partir do dia 10 de junho, da exposição, na Capital.

"Ao longo de toda a pandemia, mantive contato com artistas e amigos. As redes sociais ajudaram muito. Nós nunca paramos, mas houve uma mudança muito grande no cenário", esclarece. "Foi preciso que cada um se preocupasse não só com a arte, mas principalmente com a saúde. E não só a própria."

Diálogo criado com cada obra

Embora já tenha exposto trabalhos nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Portugal e Grécia, Lorena Steiner é orgulhosamente canoense. A cada seis meses, ou uma vez por ano, a artista plástica lançava uma exposição na cidade. Muitas das obras criadas permanecem com ela. Entrar no apartamento da artista, no Centro de Canoas, é como visitar uma belíssima galeria. Ela brinca. "Já está faltando espaço em minhas paredes", se diverte. Há quadros de diferentes tamanhos; enormes pratos de papel machê, em proporções e cores variadas; fios transpostos em tela e objetos que não podem ser explicados à primeira vista. Há também esculturas, gravuras e fotografias. O tempo e a memória passeiam por cada trabalho. "Cada um tem um significado e me traz uma lembrança. Conversam comigo", diz.

Assinatura visual e pessoal nos trabalhos

Especialista em pintura e tela acrílica, com textura em pó de mármore, Lorena Steiner se vale de temas diversificados e materiais idem para criar obras pessoais. Uma tela que traz a impressão digital de pés em cada “tijolo” em argila expressa os passos e a caminhada de cada um. Porém, o trajeto é falho e há pedras faltantes pelo caminho. “Por maior que seja nosso esforço, nós sempre acabamos dando um passo em falso”, esclarece a artista, que admite: “Fiquei feliz por fazer parte de uma exposição presencial em Porto Alegre. É um recomeço em meio a esta pandemia.”

Querida por arquitetos e decoradores

A paixão de Lorena Steiner pela arte começou muito cedo. Ainda adolescente, se arriscou na pintura. No entanto, foi somente quando se aposentou como professora, em 1994, que a carreira como artista plástica ganhou fôlego renovado. Passou a dedicar seis a oito horas diárias, além de estudos intensos.

No apartamento, os livros de bordas desgastadas denotam a medida em que foram lidos e relidos. Hoje já consagrada, Lorena garantiu espaço junto a arquitetos e decoradores ainda na metade da década de 90. Trabalhava em parceria com alguns dos maiores profissionais do ramo de Porto Alegre e Canoas.

"Sempre trabalhei com arte contemporânea e diziam que meu trabalho eram perfeitos para decorar residências", lembra. "Cheguei a vender cinco quadros em uma semana", continua. "Porém, meus contatos no ramo acabaram se aposentando. Conhecia meus clientes através de arquitetos. Isso quase não acontece mais."

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