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Notícias | Canoas No Parque Eduardo Gomes

Construção de Centro de Eventos gera controvérsia entre Jairo Jorge e Luiz Carlos Busato

Obra é alvo de polêmica entre atual e ex-prefeito canoense. Jairo aponta que herdou obra inacabada no Parque Eduardo Gomes. Busato defende investimento que considera importante para a cidade

Por Leandro Domingos
Publicado em: 23.04.2021 às 08:49 Última atualização: 23.04.2021 às 13:52

Prefeito Jairo Jorge confirmou que vai concluir a obra no Parque Eduardo Gomes Foto: Leandro Domingos/GES-Especial
A reabertura do Parque Eduardo Gomes na semana passada reacendeu a discussão em torno do Centro de Eventos. Quem visita o Parcão de Canoas, entrando pelo estacionamento, pode observar a cancha de tiro e laço à esquerda. Mais adiante, passando os piquetes, está o Multipalco. As duas obras fazem parte do complexo planejado pelo ex-prefeito Luiz Carlos Busato (PTB). Segundo ele, para melhorar a qualidade dos eventos na cidade.

A pandemia, entretanto, interrompeu os planos de conclusão, prevista para fevereiro deste ano, e a obra está inacabada. Os trabalhos no local continuaram após um período de interrupção devido ao risco de contágio por Covid-19, mas foram interrompidos novamente. Mesmo não estando pronto, o Multipalco chegou a ser inaugurado em 21 de dezembro do ano passado, em uma cerimônia discreta. Pelo custo que representa e pelo arrastar das obras, o projeto tem sido motivo de polêmica na cidade.

De um lado, o prefeito Jairo Jorge (PSD) afirma que não aprovaria o projeto, que vai representar um custo final muito além do orçado. De acordo com a Prefeitura de Canoas, os R$ 7 milhões de empréstimo acessados via Badesul para construção do Centro de Eventos estarão pagos apenas em 2039, gerando um custo total de R$ 16 milhões.

"Nos chamou atenção essa estrutura ser inaugurada sem ter sido concluída. Ao mesmo tempo, seria um desperdício não completarmos a obra. Por isso, estamos finalizando com intuito de expandir o uso desse espaço", esclareceu.

O prefeito confirmou também que a pista de tiro de laço deve ser utilizada para realização não só de eventos ligados ao tradicionalismo, mas sim abrangendo diferentes linguagens culturais. Informou que pretende fazer no local uma feira voltada ao agronegócio, atraindo investimentos.

Histórico do projeto

O projeto foi anunciado pela Prefeitura em 16 de maio do ano passado. O investimento informado era de R$ 1,6 milhão, dinheiro de uma emenda parlamentar do próprio Busato, no tempo em que era deputado federal. A licitação foi aberta no dia 28 de maio. O início das obras foi autorizado pelo então prefeito Busato no dia 17 de junho.

A obra do Centro de Eventos estava planejada para ser concluída em oito meses, conforme o edital, abrangendo a construção do Multipalco e também a cobertura da cancha de tiro de laço. Para isso, o Município pediu um empréstimo ao Badesul no valor de R$ 7 milhões. A cancha de tiro de laço foi licitada por R$ 5.493.939,04, conforme aponta a enorme placa posicionada à esquerda de quem entra no estacionamento do Parcão.

O Multipalco está quase pronto, faltando somente 15% a serem executados. A ligação elétrica da obra tem o valor incluído ao da cancha de tiro de laço. No entanto, restam R$ 240 mil a serem investidos pelo Município para a execução.

Estrutura do Multipalco

O Multipalco tem uma edificação de 470m² em uma estrutura com cinco camarins, sendo um deles para portadores de deficiência, sanitários individuais, sala de apoio, área técnica, rampa de acesso, palco e área para manobras e estacionamento de veículos das equipes técnicas. A pista de tiro de laço proporcionará a cobertura de 11 mil m² em uma estrutura metálica. O local também receberá cercamento em madeira roliça, sistema de irrigação para a pista de areia, reservatório para captar a água da chuva e novas instalações hidráulicas, elétricas e sonoras.

O que diz a população

Muitos canoenses que frequentam o Eduardo Gomes não acreditam na conclusão da obra. O mecânico Dinei Machado, por exemplo, acha que a pandemia eliminou qualquer chance de que se veja a cancha aberta. "A Prefeitura tem que se preocupar com as vacinas. Ninguém tem mais dinheiro para show. Isso pode ficar para depois", afirmou o trabalhador de 38 anos.

Já a professora Mariane Gonçalves fala em "elefante branco". "Eu não sei como é que foram se preocupar com uma coisa dessas em plena pandemia", argumentou a educadora de 33 anos. "Isso poderia ter ficado para depois. Ficou até feio aquilo ali no meio do mato. O poder público tem que pensar antes de investir. Senão, cria elefante branco mesmo."

O que dizem os tradicionalistas

Presidente da Associação das Entidades Tradicionalistas de Canoas (AETC), Juliano Furquim defende que as obras importantes para o movimento tradicionalista. "O Multipalco foi garantido por causa de gastos anteriores do Município no aluguel de estrutura para realizar shows e espetáculos. Vai ser um ganho muito grande quando passar a pandemia."

Ao tratar somente da cancha de tiro de laço, Furquim acredita que o espaço vai transformar Canoas em expoente para o tradicionalismo do Estado e do Brasil. "A nossa Semana Farroupilha já é muito forte, mas vai se tornar um modelo a partir da abertura desta cancha. O ganho vai ser muito grande não só para o movimento tradicionalista. Quem ganha é Canoas."

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