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Notícias | Canoas Doe sangue

Luta diária para conseguir contar a própria história

Internada na UTI do HU por complicações da Covid, a contadora Bárbara Catarina é referência e já substituiu Ziraldo na Feira do Livro

Por Bruna Aquino
Publicado em: 14.01.2021 às 03:00 Última atualização: 14.01.2021 às 15:39

Bárbara contou histórias de Ziraldo na edição de 2017 da Feira do Livro de Canoas Foto: Divulgação/PMC
"Quando minha mãe começa a falar, ninguém consegue fazer ela parar. Nessa, ela conquista todos com o seu kekeké."

A declaração do filho Gabriel, 21 anos, define o quanto a contadora de histórias Bárbara Catarina Ribeiro Camargo é querida por Canoas. Conhecida como a Rainha do Kekeké, ela é tratada como referência na contação, mas hoje luta para continuar narrando sua própria história. Diagnosticada com coronavírus no fim de novembro, Bárbara, 50 anos, está internada no Hospital Municipal (HU) há 40 dias, 32 deles na UTI.

Hipertensa e acima do peso, ela está no grupo de risco para Covid-19 e ontem passou por traqueostomia - abertura cirúrgica na parte anterior do pescoço para colocação de tubo na traqueia, que leva o ar até os pulmões - devido ao grande tempo de intubação. O quadro é grave, mas os médicos iniciaram a retirada da sedação pela melhora na infecção nos pulmões e por não ter febre.

Famosa por seu "kekeké", Bárbara atua como contadora há 30 anos e trabalha com diversas editoras e em feiras de livros. Ela integra a equipe de contadores de histórias da Feira do Livro de Porto Alegre desde 1997 e, em 2013, passou a coordenar o QG dos Pitocos. "É uma das mais requisitadas contadoras de histórias do RS e tem sido convidada para se apresentar em eventos fora do Estado", relata a coordenadora da Área Infantil e Juvenil da Feira do Livro da capital, Sônia Zanchetta.

Ziraldo

Em 2017, Bárbara teve uma importante missão na Feira do Livro de Canoas: nada mais, nada menos do que cobrir a falta do escritor Ziraldo, homenageado daquela edição e que acabou cancelando a participação na abertura do evento por recomendação médica. No lugar, muitas histórias dele contadas por ela.

Vaquinha

Bárbara nem sabe, mas mesmo a distância contou com o apoio de diversos amigos, não só na torcida pela recuperação, mas na prática: um grupo se reuniu e arrecadou verba para contribuir com despesas. "Os amigos se reuniram e fizeram uma vaquinha para ajudar nas despesas iniciais com fraldas e com o custeio das contas da casa dela. Recebi mais de 60 transferências. Se Deus quiser, ela sairá dessa e usaremos esse dinheiro também para ajudar com despesas de remédio e fisioterapia, se for necessário", diz a agente de Bárbara, Raquel Felippe.

Antes da UTI, aflição com a falta de notícias

Casada com o irmão de Bárbara, Jaime, Paula Brieze relata a aflição antes da internação na
UTI. “Quando ela estava no quarto, somente com a oxigenoterapia, foi muito complicado. Depois que foi para a UTI, sabíamos que teria toda a assistência”, diz a cunhada. Sobre a vaquinha, resume: “Amigos são tudo nessa hora. A Raquel tomou a frente e tem sido peça fundamental”.

Doação de sangue para Bárbara

A contadora de histórias precisa de doação de sangue. Familiares e amigos pedem que doadores
de qualquer tipo sanguíneo compareçam ao Banco de Sangue do HU e indiquem o nome Bárbara Catarina Ribeiro Camargo. Não é preciso agendar.

Referência e desejo de breve recuperação

Grande apreciador do trabalho de Bárbara, o ator e poeta Jonatan Ortiz Borges faz menção à
contadora de histórias como uma sumidade no cenário cultural. “O nome dela é referência na Feira do Livro, nos eventos literários. Tu acaba escutando muito falar sobre a Rainha do Kekeké”, conta. Ele atuou ao lado dela na Feira do Livro de Porto Alegre em 2019 e descreve a ocasião: “Foi uma experiência incrível, fantástica. Ela sabe tudo da Feira e dividir esse espaço com ela é um aprendizado. Tu olha pra Bárbara e só aprende”. Agora, ele espera pela recuperação da amiga: “Desejo mandar forças e que ela fique bem. É um ser humano incrível”.

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