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Notícias | Canoas Saúde

Falta de insumos no HNSG preocupa médicos e pacientes

Crise financeira no hospital referência do SUS em Canoas é história e, mais uma vez, coloca em risco atendimento da população. Médicos também estão com salários atrasados

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 16.10.2020 às 08:20

Gestão do Graças será devolvida no próximo ano para sua mantenedora, a ABC Foto: PAULO PIRES/GES
Que o Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), referência do Sistema Único de Saúde (SUS) em Canoas, vive uma crise financeira história não é novidade para ninguém. Entretanto, as faltas constantes de medicamentos, insumos e materiais hospitalares preocupa pacientes e corpo médico, que chegou a ameaçar paralisação em agosto deste ano alegando falta de condições de trabalho e pagamentos de salários atrasados. Conforme a diretora do corpo clínico do Gracinha, como também é conhecida a instituição de saúde, Renata Rockenbach, as atuais reclamações são procedentes e, infelizmente, não há previsão de soluções. “Aqui no Graças vivemos um dia de cada vez. Às vezes tem material, às vezes não têm. Faltam coisas básicas, como papel higiênico, e outras de extrema necessidade como adrenalina, medicamento que usamos na tentativa de ressuscitação de pacientes no bloco cirúrgico”, desabafa a médica. Além da insuficiência de itens para funcionamento do hospital, os profissionais da saúde queixam-se da questão da folha de pagamento, que segue sendo paga de forma parcelada. “Este mês recebemos cerca de 30% do salário de julho”, relata Renata. De acordo com o presidente da Associação Beneficente São Miguel (ABSM), gestora do hospital, Rafael França, os repasses da Prefeitura estão em dia, mas por conta da Covid-19, aumento dos preços por parte dos fornecedores e queda na arrecadação da área privada do hospital, a crise financeira do Graças foi agravada. Segundo Melissa Fuhrmeister, diretora administrativo financeira do hospital, há uma estratégia em tratativa para rever processos, melhorar fluxos e diminuir custos a fim de evitar prejuízos aos pacientes, mas a falta de medicamentos e insumos é uma realidade antiga no local. “Praticamente todos os dias compramos materiais e medicamentos, mas às vezes demora 24 horas, 48 horas para o fornecedor entregar e algumas áreas ficam defasadas, mas ainda nesta quinta chegaram materiais e estamos sempre tentando preencher as lacunas”, explicou. A gestão do Graças será devolvida para a Associação Beneficente de Canoas (ABC), mantenedora da instituição, a partir de 2021.

Pacientes levam materiais de casa

A professora Elis Regina Caldana, moradora do Centro de Canoas, viveu dias difíceis com a mãe Dercy de Sousa Caldana no Graças no início de outubro. Com glicemia alta, a idosa, que faleceu aos 90 anos de parada cardiorrespiratória na última quarta-feira (14), precisou ficar internada por cerca de uma semana. Para administração da insulina, a glicose da paciente precisava ser medida várias vezes ao dia. Contudo, ao questionar uma enfermeira recebeu a resposta de que não havia lancetas. “Saímos imediatamente e compramos uma caixa, que custou R$ 111,00, para que pudessem fazer o exame”, contou Elis. Além disso, a família precisou levar de casa papel higiênico e dividir com a equipe médica o algodão que levou para fazer as unhas de dona Dercy. Elis garante que as enfermeiras e médicos fizeram um bom trabalho, mas que a situação é muito grave. “Atendimento exemplar, mas fico indignada de deixarem o hospital chegar nesse estado, falta tudo. Vi uma menina pedindo remédio para dor, tipo paracetamol, e nem isso tinha”, desabafou.

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