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Notícias | Canoas Cada um com a sua cuia

Novos hábitos, as mesmas tradições e um amor: o RS

Apesar da distância física causada pela pandemia de coronavírus, tradicionalista incentiva que famílias comemorem o 20 de Setembro no melhor estilo gauchesco, com um bom churrasco e chimarrão individual

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 17.09.2020 às 07:50 Última atualização: 17.09.2020 às 09:52

Chimarrão é preparado de forma individual Foto: PAULO PIRES

Não tem tempo ruim, nem pandemia ou qualquer outra coisa capaz de impedir os apaixonados pelas tradições gaúchas de celebrarem o 20 de Setembro. A varanda de casa vira acampamento, a janela estampa a bandeira do Rio Grande do Sul, a roda de chimarrão só com os de casa e cada um com a sua cuia e o churrasco nem que seja pra comer sozinho. Seja como for, o importante é manter viva a memória e a história do nosso povo. Foi na tarde chuvosa desta quarta-feira (16) que a tradicionalista e diretora cultural da Associação das Entidades Tradicionalistas de Canoas (AETC), Carmen Gianini Caldeira Damasco, recebeu a reportagem do DC em sua casa para compartilhar um pouquinho de sua trajetória e como está vivendo o mês farroupilha num ano tão atípico como este. Foi anos 12 anos de idade que Carmen entrou em um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) pela primeira vez, na cidade de Pedro Osório. Ao ver os bordados que já se faziam, se encantou. “Nunca esqueço, foi o CTG Fogo de Chão, que existe até hoje. Ali comecei a participar do movimento mesmo sem entender e me apaixonei”, relembra ela. O tempo foi passando e o interesse pela cultura aumentando. Decidiu estudar História e depois da faculdade fez diversos cursos de especialização em História do Rio Grande do Sul. Até hoje sua grande paixão é passar o conhecimento adquirido ao longo dos anos para as novas gerações de gaúchos. “Dou aula nos CTGs e durante o Acampamento Farroupilha faço oficinas culturais para transmitir esse amor pelo Rio Grande às crianças e jovens”, conta Carmen.

Pandemia e festejos

16/9/2020 CASAL DO CHIMARRÃO Foto: PAULO PIRES
O sentimento de Carmen provavelmente é o mesmo de todos os gaúchos: ninguém imaginava viver um Dia do Gaúcho, onde celebra-se a Revolução Farroupilha, sem a agitação dos acampamentos, desfiles e outros festejos. O que a empolga é saber que as raízes vão muito além de um espaço físico. Prova disso, o tema oficial da Semana Farroupilha 2020 do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) é “Gaúchos sem Fronteiras”, que busca lembrar que independente de onde estiver no mundo, o gaúcho leva consigo as tradições. “Eu achei espetacular! Nos deu ânimo para pensar alternativas para celebrações apesar da falta do ajuntamento. Estamos realizando atividades virtuais e fiquei tão apaixonada que mesmo depois vou seguir fazendo lives”, comenta a nativista. A saudade do Acampamento Farroupilha, realizado anualmente no Parque Eduardo Gomes, localizado no Centro da cidade, é inevitável. Tanto que uma das primeiras coisas que Carmen falou ao chegarmos em sua casa foi “a essas horas a gente estaria lá fazendo festa”. Contudo, sem perder a esperança, Carmen já deixa avisado aos canoenses: “Quando a pandemia passar, podem se preparar porque independente do mês vamos fazer o acampamento”. Enquanto as atividades presenciais não são liberadas no Estado e no município, com objetivo de manter o distanciamento social, a AETC está fazendo ações em sua página no Facebook.

Celebrem e compartilhem

Casados há 52 anos, Carmen e Martim compartilham o amor pela cultura e tradições Farroupilhas Foto: PAULO PIRES
Companheiro de chimarrão há 52 anos, o marido Martim Guterres Damasco, que é vice-presidente de Esportes Campeiros do MTG, é quem tem composto a roda atual de Carmen. É com ele também que ela vai viver esse 20 de Setembro diferente. “Vamos celebrar, fazer um bom churrasco e reviver nossas tradições”, confirma Damasco. Para combinar com os vestidos de prenda e as pilchas e se vestirem a caráter e com estilo, Carmen também aproveita suas habilidades como costureira para confeccionar máscaras de proteção facial decoradas. Para receber a reportagem, ela escolheu um modelo de traje azul bebê e uma máscara azul royal com detalhes em flores. Com a criatividade e inovação que o momento exige, o pedido de Carmen para os gaúchos de todas as querências é só um: “famílias, se reúnam, assem o costelão, peçam para cada um já preparar sua cuia pro chimarrão e compartilhem esses bons momentos”, diz ela.


Cresce número de vendas de erva e cuias de chimarrão

Com a orientação dos órgãos de saúde para que as pessoas não compartilhem a cuia nas tradicionais rodas de chimarrão, a fim de diminuir o risco de contágio da Covid-19, as vendas de erva e cuias cresceram no Rio Grande do Sul. Em relação à erva, principal ingrediente da bebida gaúcha, o presidente do Sindicato da Indústria do Mate do Estado (Sindimate-RS), Álvaro Pompermayer, estima que a comercialização do produto teve um aumento de 20%. A procura por cuias individuais também ampliou, o que indica que as pessoas têm se conscientizado nos cuidados com a saúde.

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