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Esportes Até quando?

'Isso nunca havia acontecido comigo', diz zagueiro Eduardo Bauermann após ser vítima de racismo

Atleta estanciense é jogador do Paraná Clube; a injúria partiu de um torcedor do Atlético Goianiense em partida válida pela Série B

Por Jauri Belmonte
Última atualização: 17.11.2019 às 15:45

Atleta de Estância Velha tem 23 anos; injúria racial aconteceu na sexta-feira (15), durante o jogo entre Atlético-GO e Paraná Foto: Geraldo Bubniak/AGB

O ano é 2019, o campeonato e a paixão envolvida também, mas algumas coisas nem se retrocedermos alguns séculos - ou até mesmo ao marco zero da humanidade - conseguiríamos compreender. Ainda que o futebol, por si só, consiga unir povos e culturas diferentes lado a lado, em poucos metros de cimento ou de assentos, constantemente precisamos nos deparar com situações lamentáveis. Do ódio ao preconceito, da xenofobia à imbecilidade. No Brasil, um país onde a miscigenação é latente, os casos de injúria racial se repetem numa escalada que assusta qualquer um que acompanha o nosso esporte mais popular. O mais recente foi contra o zagueiro Eduardo Bauermann, 23 anos e natural de Estância Velha.

Na última sexta-feira (15), durante a partida entre Atlético Goianiense e Paraná Clube, pela 36ª rodada da Série B, vencida pelos goianos por 1 a 0, ele foi a vítima da vez, mesmo estando entre os suplentes que, tranquilamente, aqueciam na beira do campo. Enquanto ele e outros atletas do time paranista estavam ali, num estreito espaço entre o gramado e as arquibancadas do Estádio Antônio Acciolly, torcedores do Dragão xingavam, provocavam, porém, tudo dentro da normalidade de uma partida. Mas no momento em que o relógio bateu os 26 minutos do segundo tempo, coincidindo com a perda de um pênalti por parte do time local, vem à tona um tipo de grito que infelizmente não cala: o do racismo. "Isso nunca havia acontecido comigo", manifestou o jovem zagueiro revelado pelo Inter, mas que também teve passagens pelo Tiradentes, de Estância, e pelo Novo Hamburgo. 

"Ouvimos tanta coisa que não ligamos, seguimos aquecendo. Mas a partir do momento que vi aquele cara (torcedor) descendo a  arquibancada e vindo na nossa direção, aparentando raiva, sabia que ele ia fazer alguma coisa", ponderou o atleta. Bauermann relata que alguns xingamentos, com veemência, aconteceram, até aquele que lhe feriu mais. "A partir do momento que gritaram macaco, eu e o Fabrício (companheiro de time) olhamos pra trás pra ver quem gritou, e na hora esse cara fez gesto de macaco. Foi nessa hora que chamei os policiais", disse. 

A reação e a ação policial

A reação do jogador, que não poderia ser outra, era um misto de raiva e tristeza. "Na hora fiquei com uma vontade de correr para vestiário e, ao mesmo tempo, ir pra cima do cara, mas me controlei e fui direto aos policiais". O policiamento, no momento da injúria, não estava perto do local onde os atletas aqueciam. Apenas os profissionais habilitados para a aplicação dos testes antidoping.

"Avisei o pessoal que estava trabalhando ali e, com isso, eles comunicaram o delegado da partida. Em seguida, um policial foi avisado". Bauermann, inclusive, pensou que nada aconteceria, mas a ação policial aconteceu. "Quando voltamos para o campo, após o fim do jogo para o treinamento final, um policial me chamou e disse que se eu identificasse o cara era para avisar ele, que dariam voz de prisão a este homem. Então, antes de começarmos a treinar, eu e o Fabrício vimos ele (o torcedor) e na hora avisamos os policiais. Quando ele viu que apontamos para ele, tentou ir embora sem ser visto, mas os policiais o cercaram e deram voz de prisão a ele", complementou.


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