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Entretenimento Em tempos de Spotify

A venda de discos e CDs sobreviveu até a pandemia em Canoas

O professor Cláudio Berzagui conseguiu manter sua loja funcionando com um artigos que parecem não sair de moda

Publicado em: 07.10.2020 às 17:04 Última atualização: 07.10.2020 às 17:04

Cláudio Berzagui e o filho César conseguiram sustentar o negócio mesmo em plena pandemia Foto: FOTOS PAULO PIRES/GES
Com delicadeza, Cláudio Berzagui pega em mãos um dos discos da prateleira. Habilmente, os dedos manuseiam o disco para fora da bela capa que ornamenta o álbum. Sem tocar a superfície, ele o coloca gentilmente sobre o prato da vitrola. A agulha desliza, ouvem-se rápidos ruídos e antão a voz de Paul McCartney inunda a sala. O ex-professor de música não consegue ficar parado. Agita-se. Mexe pés e mãos, balança a cabeça e estala os dedos. Inebriado, argumenta com o cliente: "Poucas pessoas no mundo podem ser chamadas de gênios. Uma delas é Paul McCartney." Aos 67 anos, o proprietário da Prisma Discos continua conduzindo seu negócio vendendo vinil e CDs com uma paixão juvenil. O endereço na Rua Tiradentes 130, no Centro de Canoas, é um dos mais queridos pelos amantes da música na Região Metropolitana. O empresário comemora ter conseguido garantir a sobrevivência do negócio durante a pandemia. Não foi fácil. Afinal, ele teve que bancar o aluguel de duas salas comerciais que mantém no local. "Nunca pensei que teria que manter a loja 45 dias fechada", conta. Mesmo em casa, ele vendeu, mas através da internet. "Não era permitido abrir, mas era possível entrar, pegar o material e encaminhar pelos correio até aos clientes."

Uma relação que ultrapassa a sonoridade

Como é que, em tempos de Spotify, uma coisa tão antiga quanto o disco de vinil pode continuar sendo vendida? Quem responde é Cláudio, também ele um dos maiores colecionadores de discos do Estado, com mais de cinco mil álbuns no acervo. "Sempre me destaquei no mercado graças a amantes da boa música e do rock. Há todo um mercado de colecionadores com quem continuamos dialogando", esclarece. "Nosso cliente não quer simplesmente apertar um botão para escutar a música. Há toda uma relação de proximidade com o disco de vinil que ultrapassa a sonoridade. Existe um ritual de intimidade que o cara mantém com determinado artista ou banda que admira."

 

Se reinventando

Foi preciso, mais que nunca, se reinventar para continuar funcionando durante a pandemia. Aos 30 anos, César Berzagui trabalha junto com o paizão na Prisma. Foi ele o responsável por manter os negócios de pé em meio ao ápice do contágio no Estado e em Canoas. Isso foi possível através do monitoramento das redes sociais e o contato direto com a clientela através do WhatsApp, Facebook e Instagram. "Conseguimos vender, mas é claro que não foi fácil, mas valeu a pena", diz. "Pessoal nos acionava e sempre atendemos com o maior prazer."

 

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