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Cotidiano | Viver com saúde Saúde

Amamentar é possível mesmo sem engravidar, afirma ginecologista

No mês do aleitamento materno, conheça a técnica que beneficia mães que tiveram bebês por adoção ou barriga de aluguel

Publicado em: 15.08.2020 às 14:24 Última atualização: 15.08.2020 às 15:11

Uso de medicamentos galactogogos, ou seja, que estimulam a produção da prolactina, ajudam mães que não engravidaram e querem amamentar Foto: Adobe Stock
Um dos vínculos mais especiais e cheio de saúde e afeto entre mamãe e bebê é a amamentação, motivo pelo qual muitas mães que não geraram seus filhos desejam viver a experiência. A possibilidade existe e é uma opção para aquelas mulheres que têm seus filhos por barriga de aluguel ou adoção. Segundo a ginecologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Luana Ariadne Ferreira Zanchetta Souza, a produção do leite é possível por meio de tratamento que envolve o uso de hormônios, medicamentos e estimulação mecânica.

A combinação é considerada a opção mais assertiva, principalmente em termos de volume de leite. Isso se deve ao estímulo para a produção do hormônio prolactina, responsável pelo processo de lactação. Apesar da eficácia, Luana explica que o tratamento ideal é escolhido de forma individualizada por existirem casos em que não são recomendados o uso de medicamentos.

“Todo caso é único. Precisamos escolher sempre a forma mais segura e que priorize o vínculo da mãe com o bebê. Por isso, para algumas mulheres, o mais indicado é a relactação, ou seja, o uso de fórmula infantil via sonda, permitindo que o bebê abocanhe toda a aréola da mama e a sonda juntas, o que estimula a produção de leite”, explica a ginecologista.

A mãe irá produzir leite suficiente?

Apesar do uso de medicamentos galactogogos – ou seja, que estimulam a produção da prolactina - ser rotineiro, ainda não existe um remédio específico para aumentar a produção de leite. Luana lembra que é preciso que o corpo da mulher se adapte a esse tratamento, que envolve também ações mecânicas. A escolha de medicamento é sempre baseada em experiências e protocolos com drogas já estudadas e que são pouco excretadas no leite materno, para garantir que elas não tragam qualquer risco à saúde do bebê.

A mãe irá produzir um leite saudável?

Ainda existem poucos estudos que estabeleçam essa comparação, mas os existentes mostram que o leite produzido de forma induzida não é igual ao colostro - o primeiro leite produzido pela mãe. Mesmo assim, o leite obtido de modo induzido é muito similar ao leite materno maduro – aquele gerado após o período inicial de amamentação. A ginecologista explica que, caso o bebê tenha duas mães, é importante priorizar a amamentação com leite natural no início da vida do bebê, para que ele tenha acesso ao colostro. Depois da fase inicial, o bebê pode ser amamentado pelas duas, já que as características do leite produzido de modo induzido e do leite materno madura são muito semelhantes.

Perigos na amamentação cruzada

A neonatologista e integrante da diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Celia Magalhães, explica que há riscos em entregar o bebê para mamar em uma outra mulher sem a devida orientação médica. "Antigamente, era comum a amamentação cruzada, com as amas de leite, mas a prática não é mais recomendada devido ao risco transmitir doenças, como o HIV, ao bebê", explica. 

Conforme a especialista, a prática ocorre com frequência, pois há mamães que acham que seu leite materno é "fraco". "No imaginário das mulheres e de algumas famílias, dependendo do aspecto do leite, têm-se a fantasia de que ele é fraco. O que difere, de fato, é a textura e quantidade produzida, o que pode ser interpretado de forma equivocada", detalha a médica. 

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