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Cotidiano | Entretenimento Cinema

O ano em que o Kikito lutou com a Covid

Festival de Cinema de Gramado, que termina neste sábado (26), teve edição diferente com sessões pela tevê e encontros em modalidade virtual

Por André Moraes
Publicado em: 26.09.2020 às 10:00 Última atualização: 26.09.2020 às 10:50

48º Festival de Cinema de Gramado 2020 - 22/09/2020 - Procedimentos diários de higienização das instalações do Palácio dos Festivais e Rua Coberta Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto/Divulgação
Neste sábado, 26, é a cerimônia de premiação do 48o Festival do Cinema de Gramado, que já está acontecendo desde 18 de setembro. Como outros eventos neste ano de pandemia, a festa na Serra teve formato híbrido em 2020, acontecendo tanto de forma remota quanto presencial. Houve debates e apresentações transmitidos ao vivo, sem público, e a própria exibição dos filmes concorrentes aconteceu em um formato inédito, com exibição nacional pelo Canal Brasil em horários definidos. A própria cerimônia de entrega dos Kikitos, a partir das 21 horas deste sábado, será transmitida ao vivo pelo Canal Brasil, Facebook, site do festival, Youtube e TVE-RS.

Organizadores e participantes avaliaram a edição e falaram sobre aprendizados e descobertas com o novo formato – alguns deles, inclusive, surpreendentes. O cineasta Felipe Bragança, diretor de “Um animal amarelo”, comentou sobre a experiência multimídia de exibição de seu filme. “Acho que modifica a experiência, não é uma questão de prejudicar. Foi curioso porque já passei filmes em diversos festivais, já tive filmes em cartaz, já estive em festivais muito grandes… E aconteceu uma coisa muito curiosa, que não significa uma conclusão, mas foi uma sensação muito bonita. Eu cresci no Centro do Rio, mas sou de família periférica, minha família é toda da Baixada Fluminense. E foi a primeira vez que meus primos e minhas primas assistiram à primeira exibição de um filme meu no Brasil. Só tenho isso pra dizer.”

Persistência

Outros comentaram que o Festival também representa uma resistência do cinema à crise. “O Canal Brasil ter aberto esse portal para passar o filme em 2020 é como uma bandeira fincada dizendo que vai ter cinema, sim. Vai ter cinema e ele vai chegar”, disse a atriz Sophie Charlote. A palavra “resistência” foi reiterada por debatedores e participantes, apontando a importância de mostrar a persistência da indústria do audiovisual mesmo em um contexto de crise e pandemia.

A inovação do formato de exibição acabou tendo benefícios inesperados, por ter, justamente, ampliado o alcance do Festival. Rafael Carniel, presidente da Gramadotur, autarquia municipal responsável pela realização, destacou “o redimensionamento de alcance” do festival, “atingindo os lares dos cinéfilos brasileiros onde quer que eles estivessem”. Ele comentou que a próxima edição deve inclusive seguir alguns dos legados da edição atual. “O festival na sua essência é presencial, ele vai continuar sendo presencial, mas com certeza a democratização dos debates e do conteúdo que o festival gera vai estar presente.” Carniel projeta mais público na cidade de Gramado em 2021. Mesmo este ano, a organização considerou positivo o interesse dos visitantes pelo cenário da festa, com muita gente se informando nos totens e tirando fotos.


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