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Viver com Saúde

No Brasil, uma a cada cinco meninas vai engravidar ainda na adolescência

Conforme o Ministério da Saúde, apenas em 2015, nasceram 547.564 filhos de mães adolescentes
11/03/2019 03:00 11/03/2019 13:57

Foto por: Dragana_Gordic/Freepik
Descrição da foto: Taxa de gravidez em jovens entre 15 e 19 anos da América Latina e do Caribe é a segunda mais alta do mundo
Nove meses. Quarenta semanas. Duas pessoas - papai e mamãe - ansiosos. Estes números que retrataram uma espera tão feliz são, diariamente no Brasil, substituídos por dados que mostram uma triste realidade. Segundo o Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sisnac), registro coordenado pelo Ministério da Saúde, em 2015 no Brasil nasceram 547.564 filhos de mães adolescentes - um nascimento por minuto. Deste total, 10% das meninas tinham até 13 anos - um nascimento a cada 1,5 horas -, idade considerada estupro em nosso País.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a taxa de gravidez em jovens entre 15 e 19 anos da América Latina e do Caribe é a segunda mais alta do mundo. O relatório da OMS mostra que a taxa brasileira de gravidez na adolescência é estimada em 68,4 nascimentos para cada 1.000 adolescentes de 15-19 anos e está acima da média latino-americana e caribenha.

Nova gravidez

Em um esforço para mudar este cenário, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Sogirgs) em união com a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (Sogia-BR) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desenvolvem estudos e ações de apoio e prevenção da gravidez precoce. Para a ginecologista Liliane Diefenthaeler Herter, membro da Sogirgs e delegada da Sogia-BR, os dados são alarmantes e apontam que 1 a cada 5 adolescentes irão engravidar. A médica cita que a gravidez não planejada, e mais ainda as indesejadas, estão associadas à redução de escolaridade, entre outras questões. "Além disso, uma gravidez na adolescência não protege de uma nova gestação não planejada. Ao contrário, ela tem 40% de chance de se tornar novamente grávida nos próximos dois anos."


Riscos físicos e psicológicos

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"Nesta faixa etária há grande impacto psicológico. Neste momento da vida, as adolescentes ainda não têm maturidade psíquica, o que agrava a responsabilidade de cuidar de outro (do bebê). Além disso, o convívio com outros jovens é muito importante para elas, o que fica reduzido em função das atividades maternas", ressalta a ginecologista.

Liliane ainda reforça que há diversos riscos para a saúde da jovem gestante. "Nesta faixa etária, há maior risco de doença hipertensiva específica da gestação, de prematuridade, de anemia e de baixo peso para a idade gestacional ou ganho de peso materno inadequado, transtornos alimentares, doenças sexualmente transmissíveis e infecções urinárias. Além disso, a taxa de mortalidade do bebê no primeiro ano de vida é quase o dobro entre mães adolescentes do que com mães maiores de 20 anos. No entanto, as maiores dificuldades costumam ser psicossociais", explica, detalhando que estas dificuldades incluem abandono escolar, ausência do companheiro, desgaste familiar, abandono do bebê e até mesmo abandono pela família ou companheiro. "Quando as pacientes adolescentes são muito jovens - menores de 15 anos -, há maior chance de cesariana por desproporção cefalopélvica ou por imaturidade psíquica [que não colaboram no trabalho de parto]" acrescenta.

Rede de apoio à jovem mãe

Liliane lembra que o pai da criança, mesmo adolescente, tem papel muito importante no processo. "O fato de a adolescente já estar vivendo com o pai do bebê é um fator que aumenta a adesão ao pré-natal e reduz o risco de doenças biológicas. O valor e presença desse pai durante todo o processo de pré-natal e nascimento deve ser estimulado para que se criem laços afetivos e protetivos entre o pai e o bebê, independentemente do casal estar junto ou não", informa.

Ainda tem importante participação nesta rede de apoio os avós. "Eles devem por um lado apoiar a filha, criando um ambiente afetivo e seguro. Por outro lado, não devem tomar o bebê para si. Durante o pré-natal, sejam nas consultas ou nas atividades em grupo, é importante iniciar a discussão do papel dos avós, da mãe e do pai", detalha.

Cuidados diferentes no pré-natal

A médica lembra a necessidade de uma abordagem diferente à mãe adolescente. "É necessário melhorar a aderência ao atendimento do pré-natal, estimulando o vínculo da mãe com seu bebê e auxiliar os avós nesta importante tarefa de apoio à gestante, o que minimiza muitas dúvidas e os medos próprios da idade. Sempre que possível, o pré-natal deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar e com experiência no atendimento de adolescentes. O atendimento em grupo para esse público jovem também é uma ferramenta muito útil na troca de experiência e informações sobre o pré-natal, parto e puerpério", destaca.

A especialista ainda lembra que, com frequência, o pré-natal da adolescente inicia tardiamente, quando a barriga não consegue ser mais disfarçada. "Na maioria das vezes, é uma gestação não planejada e, algumas vezes, até mesmo não desejada. O obstetra deve ter muita habilidade em vincular a gestante ao pré-natal, explicando sempre a importância destas consultas. O acesso às consultas de pré-natal também deve ser facilitado para que a jovem não abandone o acompanhamento. Quanto maior o número de consultas - mínimo de seis -, menor será o risco biológico desta gestação", cita.

Atendimento pelo SUS

Conforme a médica, hospitais e postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) devem facilitar o atendimento pré-natal desta gestante adolescente. "Elas podem ser referenciadas para um atendimento de alto risco para gestante adolescente quando vítimas de abuso sexual, vulnerabilidade psicossocial, comorbidades clínicas crônicas ou agudas, institucionalizadas ou com medidas protetivas. Na chegada à Unidade Básica de Saúde, após confirmar a gestação (exame de urina, sangue ou ecografia), a paciente já é encaminhada para a realização do teste rápido para várias infecções que afetam a vida do bebê (HIV, sífilis, hepatite B e C) além do posterior encaminhamento dos demais exames de rotina do pré-natal. Em vários locais, há atendimento especializado e multidisciplinar para adolescentes."

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