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Três Passos

Veja como foi a semana no julgamento do caso Bernardo

Depoimentos, acusação e defesas tiveram cinco dias para se manifestar
15/03/2019 19:39 15/03/2019 20:25

Foto por: Divulgação/TJRS
Descrição da foto: Defesa de Leandro e o réu se posicionam em frente aos jurados. Pediam absolvição
Durante cinco dias, o País esteve voltado para o município de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, para acompanhar o julgamento dos réus no caso Bernardo Boldrini: Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e Edelvânia e Evandro Wirganovicz. A sentença, na noite desta sexta-feira (15), foi o término de uma semana marcada por lembranças do episódio. Veja cronologicamente como foi a sessão do Júri, com trechos de falas de defesa e acusação.


SEGUNDA-FEIRA:

Caroline Machado: delegada de Três Passos na época do caso, disse que Bernardo "era torturado psicologicamente" e que Graciele pagou R$ 6 mil como recompensa pela ajuda na realização do crime. Outros R$ 90 mil teriam sido prometidos.

Cristiane Moura: a delegada regional que participou da investigação da morte foi ouvida. Segundo ela, quando informou sobre chances remotas de encontrar o filho vivo, Leandro teria dito “a minha vida continua”.

TERÇA-FEIRA:

Juçara Petry: ex-vizinha da família de Bernardo deu seu depoimento. “Eu odeio a minha casa", respondia Bernardo, segundo a testemunha.

Ariane Schmitt: psicóloga que tratou do menino. Segundo ela, a impressão que teve foi de Leandro ser um pai sem empatia pelo filho. Autoridade era exercida com violência, com certo sadismo, disse.

Andressa Wagner: secretária de Leandro na clínica à época do fato. Na clínica, Graciele, em momento de irritação, disse que não aguentava mais o menino e que dinheiro tinha para dar "um fim" nele, declarou Andressa.

Lore Heller: ex-empregada na casa de Leandro enquanto ele vivia com Odilaine. Ele era um bom pai", afirma sobre o ex-patrão.

Marlise Henz: trabalhava diretamente com Leandro no hospital, e disse que relação entre pai e filho era tranquila. "Ele era um pai manso, o guri chegava tranquilo com ele", diz a testemunha sobre Leandro. "Desamor, nunca vi."

Rosângela Pinheiro: também ex-colega de Leandro em 2006. Falou que não presenciou Bernardo no local de trabalho do pai com roupas sujas.

QUARTA-FEIRA:

Luiz Omar: fazia trabalhos de manutenção residencial para Leandro Boldrini, ainda durante casamento anterior do réu. Afirmou que Graciele o proibiu de ter contato com Bernardo. Sobre Leandro, disse que "era um cara mais simples que eu".

Maria Lúcia Cremonese: amiga de Leandro e ex-professora dele, conhece-o desde pequeno. "Nunquinha, nunquinha", responde sobre problemas disciplinares de Leandro na escola.

Luiz Gabriel Costa Passos: perito grafotécnico contratado pela defesa de Leandro. Ele disse ter encontrado "sete divergências significativas em relação aos hábitos gráficos de Leandro” na assinatura em receituário para midazolam usado por Graciele e Edelvânia para comprar o medicamento."Foi uma imitação", disse.

Leandro Boldrini: "Nego veementemente", respondeu à pergunta da juíza se ele participou do ato criminoso. Disse que talvez fosse um pai mais provedor do que presente. "O trabalho afetava". Juíza perguntou se com o provável homicídio, Leandro desconfiou de Graciele em algum momento. Réu disse que não. Bernardo "era um integrante da família. Não era um estorvo", comentou. Leandro descreveu o filho: "Ele tinha um grau de personalidade muito forte. Ele queria uma coisa, tinha que ser agora". Sobre a relação entre madrasta e enteado: "Eles não se dava bem. Se odiavam". No depoimento, acusou Graciele e Edelvânia pelo crime. "O que fizeram com o Bernardo não tem explicação". "Quando tirarem essa algema de mim, a primeira coisa que vou fazer é ir a Santa Maria rezar e ajoelhar onde está sepultado o meu filho", garantiu. "Não consegui iniciar nem terminar um luto."

QUINTA-FEIRA:

Graciele Ugulini: Bernardo "sempre foi uma criança independente. Tinha a vida dele", disse madrasta. "O Bernardo queria atenção, mas a atenção era toda para a Maria (filha que teve com Leandro)". Sobre compra do midazolam, disse que era para consumo próprio, para a dificuldade de dormir. Na viagem à Frederico Westphalen, contou que deu um remédio para enjoo para Bernardo. Lembrou que Bernardo ficou agitado e lhe deu ritalina. Como a agitação continuasse, jogou a bolsa para trás e o mandou tomar mais remédio. Ao chegar a Frederico Westphalen, trocaram para o carro de Edelvânia. Então, percebeu que o menino não reagia, não acordava, estava babando. Diz que teve medo de que iriam pensar, e pediu ajuda à amiga. Edelvânia cedeu e indicou o local para enterrar a criança e cavou o buraco, segundo a ré. Graciele chorou desde o início do depoimento. Disse que não é o "monstro" criado pela "imprensa sensacionalista". "Ela me ajudou a enterrar ele, a abrir o buraco", sobre participação de Edelvânia, em resposta ao defensor da amiga. Disse que nem sabia que Edelvânia tinha um irmão, em alusão ao réu Evandro. "O Leandro não tem nada que ver", defendeu Graciele sobre envolvimento na morte de Bernardo. Sobre ida à festa no sábado, dia seguinte à morte de Bernardo. "Tentei de todas formas agir de forma normal", para Leandro não desconfiar. "Admito que dissimulei", pontuou a ré.

Edelvânia Wirganovicz: "Eu não matei o Bernardo", se defendeu. Acusada disse que comprou midazolam a pedido de Graciele. Nega que tenha comprado soda cáustica. Sobre a pá, admitiu a compra. Contou que, depois da troca de carro, Bernardo começou a ficar agitado e Graciele disse ele para tomar remédio. O menino ficou inconsciente. Disse que queria pedir socorro, mas Graciele disse que não. "Então tu acabou de matar o Bernardo", Edelvânia alterou. Confessou que abriu a cova sozinha, sem a participação do irmão. Sobre decisão de fazer confissão, entendia que o menino merecia um enterro decente ao lado da mãe. " A delegada me coagiu" durante depoimento, afirma a ré. Disse que ditavam o que ela falava. "O Evandro é inocente", garantiu a ré. "Ele foi pescar". Edelvânia afirmou que não recebeu dinheiro de Graciele, e que pagou prestação de apartamento com o próprio salário. Edelvânia comentou que Graciele sempre falou mal de Bernardo. Ela passou mal e foi retirada do plenário, não retornando para continuar depoimento.

Evandro Wirganovicz: "Não fiz nada, não sabia de nada", disse o réu sobre acusações. Contou que mentiu ter estado no local do crime por medo, e que soube dos fatos pela imprensa. Garantiu que não conhecia Graciele e que a irmã, Edelvânia, jamais comentou sobre ela. "Eu nunca fiz nada de errado", pontuou Evandro. Juíza perguntou sobre eventual problema financeiro da irmã, mas ele citou um empréstimo. Emocionado, Evandro disse que quer voltar para os filhos. "Eu não devo. Eu não fiz. Eu perdi tudo". "Não sou contra a Justiça, mas eu não fiz, eu não devo".

Promotor Bruno Bonamente: disse a jurados que as provas são mais do que suficientes para pedir a condenação e penas máximas, pelos requintes de crueldade. Foi apresentado extrato de ligações entre Graciele e Edelvânia. Sobre Leandro, "ele sabia que estavam faltando medicamentos". Promotor mostrou imagem da pá. Promotores acrescentam que pá foi limpa, o que explica a falta de vestígios de terra ou soda. "Ele vai para lá para cavar a cova", defendeu promotor sobre Evandro, que teria cavado o buraco na quarta, dia 2, e no dia seguinte Edelvânia foi conferir a cova. Morte ocorreu no dia 4. O promotor reconstituiu os fatos em Frederico Westphalen, mostrando imagens congeladas de vídeo gravado em posto de gasolina, ao lado da casa de Edelvânia. São as últimas imagens de Bernardo vivo. Ele parece bem. "O homicídio que elas fizeram é repugnante", lamentou o promotor antes de mostrar fotos do corpo do menino, encontrado dentro de um saco. "Por dez dias ,ele pereceu dentro dessa cova". O menino estava sem roupa pra que a soda cáustica fosse mais eficiente em contato com o corpo, disse promotor. O corpo apresentava manchas de queimaduras, o que confirmaria o uso da soda cáustica. "Depois de botar o menino na cova, ela vai lá compra uma televisão", diz promotor sobre passos de Graciele após o crime, para criação de álibi. "Traços de frieza e psicopatia". Na criação de álibi de Leandro, uma ligação para Bernardo no sábado, ida à balada, e duas no domingo. Porém, "escorrega" ao dizer para as pessoas que o filho saiu sem o telefone, disse promotor. "É tudo uma fraude", sobre atividades de Leandro após o desaparecimento do menino.

Promotores Silvia Jappe e Éderson Vieira: mostram imagens das rés passando de carro pela propriedade próxima onde Bernardo foi enterrado, confirmando a confissão de Edelvânia. Funcionário da loja declarou que Edelvânia perguntou por ferramenta para abrir buraco. Foi lido trecho de exame de Leandro feito pelo Ministério Público. "Não tem condições psiquiátricas de ser pai", disse o promotor. Leandro sabia da ocultação e "fez a polícia de joguete". Promotores pediram pena máxima para os acusados.
Advogado Ezequiel Vetoretti (defesa Leandro Boldrini): A madrinha de Bernardo dizia que o menino sempre chegava e ia embora de sua casa faceiro, mostra defensor. "Qual o mal de ir a uma festa?", indaga. Vetoretti disse que Leandro, àquela altura, pensava que o filho estava em um amigo. "Qual criança é maltratada e continua achando o pai um herói?", perguntou. Foi apresentado aos jurados rol de ligações entre Leandro e Bernardo. O único final de semana em que não se falaram foi o do crime. Defensor disse que confissão de Graciele exclui Leandro de participação no crime, mas que isso não foi divulgado. “Tem muita prova que abona Leandro", pediu defensor a jurados. "Leandro é inocente".

Advogado Vanderlei Pompeo de Mattos (defesa de Graciele Ugulini): "Cadê a comoção social?", perguntou o defensor, sinalizando para os bancos do público no Salão do Júri. Sobre as expressões usadas por Graciele em relação a Bernardo, disse que entre a verbalização e a prática há diferença, que estão no campo da teoria. "Foi uma atitude insana" sobre a ocultação do cadáver. "A confissão da Graciele foi de fundamental importância", contribuindo grandemente para a investigação. Ao lembrar que Graciele é ré confessa, pediu, no entanto, que a acusação apresente provas sobre aspectos do caso, como o pagamento dos R$ 6 mil a Edelvânia, uso da soda cáustica e de que ela injetou a substância em Bernardo. Também pediu a jurados que afastem qualificadoras de motivo torpe, pois não vê dinheiro envolvido nas razões do crime, e de motivo fútil, pois o menino não seria um estorvo para a unidade familiar.

Advogado Gustavo Nagelstein (defesa de Edelvânia): Defensor questionou pagamento para Edelvânia. Também disse que uso do midazolam injetável não está comprovado. Delegadas fizeram "inquérito capenga". Pediu a jurados que acreditem na versão de Edelvânia ou que vejam que a participação dela é muito menor que a do pai e da madrasta do menino.

Advogado Jean Severo (defesa de Edelvânia): "Nesse homicídio, ela não tem participação", diz de Edelvânia. "Vi acusação leviana". "Sei que tu fez uma baita burrada em enterrar e ser covarde", disse a Edelvânia, mas acrescentou que ela não poderia ser condenada por homicídio. "Cadê o dinheiro", sobre acusação de que Edelvânia recebeu para ajudar a matar Bernardo. Severo ressaltou importância da confissão de Edelvânia para a materialidade do caso. Disse que processo tem muita mídia e muito folclore, e gente "surfando nessa onda".

Advogado Luis Geraldo dos Santos (defesa de Evandro): "Eu tenho que provar que o bicho não existe, quando ninguém provou que existe." Disse que processo está baseado em "achismos" e interpretações equivocadas. Defendeu a atuação dos advogados criminalistas. Argumentou que Evandro é "estranho no ninho", pois não foi citado pelos outros réus. "Caiu de paraquedas no processo". Advogado disse que não há elementos, interceptação telefônica, imagem com eles no carro, que liguem Evandro a envolvidos no caso. Citou falta de comprovação de que o réu tenha recebido dinheiro.

SEXTA-FEIRA:

Ministério Público e defensores tiveram duas horas cada para finalizar a exposição de suas teses, em réplica e tréplica.

Promotores: apresentaram áudios de telefonemas como prova de que Evandro não estava em férias dois dias antes da morte de Bernardo. Réu era apontado como responsável pela abertura da cova. Áudio reproduz conversa de Leandro e Graciele com padrinho de Bernardo, no dia 11. Homem pergunta para a madrasta se ela voltou com o menino de Frederico Westphalen, e ela responde que sim, "com certeza". "Os três são psicopatas", diz Promotor Maia Vieira sobre Leandro, Graciele e Edelvânia. Promotor Bonamente acresentou que participação de Evandro foi fundamental na trama dos outros três. Promotor Bonamente diz que foram anos de trabalho árduo para juntar "provas suficientes para a condenação desses quatro". "Hoje Bernardo grita por justiça, justiça, justiça!"

Defesa de Leandro: "Ele quis ser julgado aqui, por que aqui as pessoas o conhecem", disse sobre Leandro. Defensor rebateu afirmação do MP. "Um psicopata que, desde 2003, salva vidas de pessoas que vocês conhecem", disse a jurados. Acrescentou que o réu era profissional bem sucedido, sem razão para desejar a herança deixada por Odilaine, a mãe de Bernardo.

Defesa de Graciele: "Tem hora dos desajustes", que acontece em toda boa família, em alusão à relação de Graciele com Bernardo. Defensor sugeriu a jurados como devem votar nos quesitos dos crimes pelos quais Graciele era acusada, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Advogado não pede clemência, mas justiça. "Para atirar pedra temos muitos lá fora".

Defesa de Edelvânia: reclamou por prova que aponte a psicopatia dos réus. Rasgou cópia de laudo que considera ter sido ignorado pela acusação. Edelvânia e Evandro, se condenados, "não podem receber as mesmas penas do pai e da madrasta". "Preciso individualizar condutas". Pede a absolvição de Edelvânia pelo crime de homicídio.

Defesa de Evandro: "O crime é bárbaro", disse, mas que a respeito de Evandro "não há qualquer vinculação dele no processo". Transcrição de telefonema entre os irmãos mostra que Evandro não conhecia Graciele, contou defensor. Advogado leu carta de Edelvânia negando participação de Evandro. Também leu depoimentos que colocariam Edelvânia nos dias 2 e 3 de abril de 2014 no local onde Bernardo foi enterrado. "É óbvio que a Edelvânia foi lá para cavar o buraco". Condenação de Evandro "não é justiça, é vingança".


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