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Notícias | Região Polícia

Há exatos dez dias, bandidos mascarados cometeram o mais ousado dos assaltos em Canoas

Delegado que coordena a investigação do roubo ao Banrisul da Rua 15 de Janeiro, João Paulo de Abreu revela tudo o que a polícia sabe sobre o caso até agora

Por Leandro Domingos
Última atualização: 12.09.2019 às 14:16

PAULO PIRES/GES
NO COMANDO DA INVESTIGAÇÃO: delegado João Paulo conduz a apuração do mais audacioso roubo registrado em Canoas em 2019
Mensagem 1: assaltaram um banco em Canoas. Mensagem 2: assaltaram a agência do Banrisul que fica na Rua 15 de Janeiro. Mensagem 3: mataram dois durante o roubo. Mensagem 4: mataram dois durante o roubo e ainda levaram reféns durante a fuga. Quem mora em Canoas e usa o WhatsApp, pode ter recebido este tipo de mensagem no final da tarde do último dia 2, uma ensolarada segunda-feira, quando um crime ousado mobilizou a polícia no coração da cidade. Verdade seja dita, muito do que foi divulgado instantes depois do crime era falso. Fake news, como dizem. Agora, de uma coisa não se duvida. Os bandidos mascarados que invadiram a agência cometeram o mais ousado dos assaltos registrados em Canoas em 2019. E quem diz isso é a própria polícia.

Nossa reportagem foi até Porto Alegre conversar com o homem por trás da investigação do caso: o experiente delegado João Paulo de Abreu. "Não foi um crime comum", classifica. De saída, vale lembrar, a ocorrência foi parar na 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas, mas não demorou muito para que fosse encaminhada para a Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que "abraçou" a investigação nas palavras do próprio delegado. Infelizmente, ainda não há suspeitos, porém, eles devem surgir, conforme aponta o homem da lei que já levou duas dúzias de assaltantes de quadrilhas especializadas neste tipo de roubo à cadeia. "Acredito serem criminosos da Região Metropolitana mesmo e que conhecem muito bem Canoas", avalia. "Então é possível sim que sejam identificados e presos", avisa.

Confira abaixo os esclarecimentos a respeito de um dos casos mais notórios da recente crônica policial canoense:

O Sr. assumiu a investigação do roubo do Banrisul. Encontrou alguma semelhança entre o caso em Canoas e outros investigados pela Delegacia de Roubos?

Delegado João Paulo - Canoas tem uma Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). São especializadas equipadas para agir contra quadrilhas que roubam bancos, cargas, etc. Isso significa que o caso poderia ser apurado pela Polícia Civil em Canoas mesmo. Contudo, estamos abraçando crimes que envolvem roubos a banco porque, embora cada crime tenha suas características e peculiaridades, há elementos em comum que podem ligar alguns casos. Às vezes, um grupo que assaltou uma agência no interior do Estado comete um crime semelhante na Região Metropolitana e vice-versa. Como lidamos diariamente com este tipo de delito, fica mais fácil apontar quem fez o que e quando. Infelizmente, não há nada na ação que ligue o que aconteceu em Canoas com outro caso recente que investigamos.

Então ainda não há suspeitos para o crime?

Delegado João Paulo - Não. Ainda não temos nada que indique quem entrou na agência do Banrisul.

O Sr. não gostou das comparações do caso com a série de TV 'La Casa de Papel', certo?

Delegado João Paulo - Acho que não tem nada a ver.

Mas o que aconteceu em Canoas também foi um crime perfeito ...

Delegado João Paulo - Aconteceram outros assim. Só em Porto Alegre, neste ano, houve cinco casos. Entendo que fazia tempo que ninguém roubava uma agência em Canoas, fazendo com que isso rendesse todo o tipo de comentário, porém continuo achando não existir relação.

Em Canoas,também foram bandidos mascarados, mas com máscaras cirúrgicas, não é mesmo?

Delegado João Paulo - Sim, mas repito que isso é mais comum do que se pensa. Infelizmente, quem vive em Porto Alegre está mais acostumado com este tipo de ocorrência. Já houve crimes este ano com bandidos usando máscaras cirúrgicas.

E o que diferencia o caso ocorrido em Canoas de outros que são investigados pela Delegacia de Roubos?

Delegado João Paulo - Acontece que grande parte destes crimes acontece logo cedo, ainda pela manhã, com os funcionários sendo rendidos enquanto chegam na agência. Nunca no finalzinho de expediente, à tardinha. Isso foi bastante peculiar.

A agência fica no Centro de Canoas e havia vários brigadianos na área durante a ação dos criminosos ...

Delegado João Paulo - Mas será que eles se sentiram intimidados pela presença da Brigada Militar? Em um outro caso que estamos investigando, aqui mesmo em Porto Alegre, os criminosos invadiram uma agência no bairro Moinhos de Vento, onde também havia policiais militares. Acabaram roubando do mesmo jeito.

É por isso que o Sr. mesmo classificou o crime em Canoas como "audacioso" ...

Delegado João Paulo - Principalmente por ter sido cometido no final de tarde. Muita coisa poderia ter dado errado durante o roubo, mas não aconteceu. Houve o roubo e fugiram. Ponto. Felizmente, ninguém foi ferido.

Mas foram ameaçados?

Delegado João Paulo - Com certeza. Criminosos armados com pistolas arrombaram a porta e ameaçaram a vida de funcionários do banco. Nem todos foram rendidos, porque foi uma ação muito rápida, mas houve sim uma grave ameaça à vida.

Eram quantos homens, afinal?

Delegado João Paulo - Entre quatro e cinco. Conseguimos imagens das câmeras de segurança da área, mas elas não são claras o suficiente. Não dá para ver e apontar com certeza. As imagens vêm de cima dos prédios. E infelizmente ainda não foi possível conseguir características de nenhum dos suspeitos.

Vocês estão atrás de outras imagens?

Delegado João Paulo - Sim, mas o mais importante é o trabalho técnico que foi feito dentro do banco. A análise que foi feita após o roubo de digitais e etc. Este trabalho ainda não está pronto e pode sim nos levar até um suspeito.

Não ficou claro a quantia levada. Falaram em torno de R$ 10 e R$ 50 mil retirados da agência.

Delegado João Paulo - Eles não conseguiram chegar ao cofre. Então pegaram o dinheiro que estava fechado em malotes nos caixas e fugiram. Acreditamos que alguém fora da agência estivesse monitorando a movimentação. Ao perceber algo, se comunicou com quem estava dentro do banco, dando o comando para a fuga. Então dá para dizer que pegaram o que deu tempo. Não sabemos o valor exato.

E fugiram a pé? Rumo a BR-116? Não precisaram nem correr, certo?

Delegado João Paulo - Caso fugissem correndo, chamariam a atenção. Então saíram andando e se espalharam entre as pessoas na rua. Embora fossem assaltantes perigosos, pareciam pessoas normais andando pela rua, acima de qualquer suspeita.

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