Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Domingos Martins, 400 - Centro - Canoas/RS - CEP: 92010-170
Fones: (51) 3462.7000 - Fax: (51) 3462.7007

PUBLICIDADE
Futebol

Pedro Lucas: uma joia de Vale Real ganhou o Beira-Rio

Centroavante concedeu entrevista exclusiva ao ABC Domingo, falou dos sonhos e do momento no Inter
02/03/2019 21:42 03/03/2019 09:54

A perseverança e a simplicidade levaram o centroavante colorado Pedro Lucas ao momento especial que vive atualmente com a camisa do Inter. O jogador, de 20 anos, que nasceu em Esteio, mas que desde pequeno morou na cidade de Vale Real, vem de uma família do interior e que tem o futebol na veia. A joia das categorias de base do clube da capital, que aos 17 anos de idade já possuía uma multa rescisória de 50 milhões de euros, é sobrinho do ex-lateral-esquerdo Edson Kaspary, o Tida, prefeito de Vale Real, e que foi campeão da Copa do Brasil de 1999 com o Juventude. Tida também foi o primeiro treinador de Pedro Lucas num núcleo de escolinha da equipe caxiense no município do Vale do Caí. A irmã do atleta, Maria Luisa, a Malu, 17, que estava no Santos em 2018, figurando inclusive nas seleções brasileiras de base, nesta temporada assinou com o Inter. O pai, André Schwaizer, 45, também teve seus momentos no esporte, quando jogou por cinco anos na base do Grêmio, ao lado de Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho. Ou seja, a influência familiar era enorme para que Pedro Lucas desse continuidade no futebol.

E após iniciar o ano como titular da equipe comandada por Odair Hellmann no Gauchão, ter feito o primeiro gol como profissional frente ao Juventude, Pedro Lucas comemora agora uma vaga no grupo que inicia a disputa da Copa Libertadores da América na próxima quarta-feira, na Chile. O atacante vem buscando seu espaço e cogita-se a possibilidade de iniciar a competição continental como titular, mas ainda concorre com Rafael Sobis, Tréllez e, em abril, com Paolo Guerrero.

Para falar mais sobre sua carreira, o bom começo no grupo profissional do Colorado, e um pouco da vida pessoal, Pedro Lucas concedeu uma entrevista exclusiva ao ABC Domingo, no CT Parque Gigante, em Porto Alegre. A expectativa do jovem atacante, que desde 2008 veste a camisa do Inter, é já nesta temporada conquistar títulos pelo clube gaúcho.



  • Pedro Lucas está vivendo bom momento no Inter
    Foto: Juarez Machado/GES
  • Pedro com a irmã, Malu, a mãe, Cristiana e o pai, André
    Foto: Arquivo Pessoal
  • Na base do Inter ele já mostrava personalidade forte
    Foto: Arquivo Pessoal

Entrevista

Foto por: Arquivo Pessoal
Descrição da foto: Pedro com a irmã, Malu, a mãe, Cristiana e o pai, André


Pode contar como tudo começou?
Foi com meu dindo, o Tida, que era o treinador da escolinha em Vale Real quando eu comecei. Tenho muito que agradecer a ele, sempre me ajudou muito, me dava todas as dicas, a base de treinamento que tive foi com ele. Após isso fui um ano para o Juventude, fiquei lá de março de 2007 a dezembro daquele ano. Depois disso já vim para o Inter. E aí foi um momento de transição da minha família toda, porque eu fiquei um ano no Inter em 2008, vinha de Vale Real toda sexta-feira para treinar. Após isso, em 2009, a gente se mudou para Porto Alegre, em dezembro vou completar 12 anos de Inter. Já passei por muitas coisas aqui, positivas e negativas também, mas tudo me deu uma bagagem boa para chegar no profissional.

Você teve uma lesão no joelho parecida com a do Ronaldo Fenômeno. Como foi lidar com essa situação?
Foi um dos momentos mais complicados na minha carreira de jogador de futebol. Foi no começo de 2012, tive uma lesão no joelho esquerdo, quebrei a cartilagem do joelho parecida com aquela do Ronaldo, que saiu a rótula e voltou para o lugar depois. Isso foi uma coisa que no começo foi difícil pelo fato do médico falar para mim e para minha família que eu não voltaria mais a jogar futebol, que eu poderia tratar, mas dificilmente voltaria a jogar profissionalmente. A gente tomou um baque no momento, procuramos outros diagnósticos, outros tratamentos. O Inter me deu uma estrutura muito boa para trabalhar, para tratar, pagou a cirurgia, a fisioterapia fiz toda no Inter, o pessoal me acompanhou em tudo, e eu tive uma recuperação muito boa. Então desde 2013 que eu voltei a jogar não senti mais dor, não tive mais problema algum em relação a isso.

Chegou a pensar em parar de jogar?
Cheguei sim, porque eu fiquei o ano todo parado. Eu já vinha de um 2011 não jogando, não sendo titular, não indo para as convocações, passando também por um momento de transição de altura, eu era mais baixinho, daí não tinha força para jogar no ataque. Acabei ficando em separado e de fora dos jogos. Daí no ano seguinte quando estava com uma expectativa boa, tinha crescido um pouco, ganhado mais força, ter essa lesão foi um momento bem complicado. Passei o ano todo indo para Alvorada (no CT Morada dos Quero-Queros, da base do Inter) para tratar, vendo o pessoal treinando e não podendo estar ali jogando foi um momento difícil. Pensei em parar, mas minha família me deu total apoio, sempre junto comigo, não deixando eu desistir porque eles sabiam que eu iria me arrepender se desistisse, e sempre acreditaram no potencial que eu tinha para chegar no profissional.

Você já fez o primeiro gol como profissional, mas fora de casa. Já imaginou como será quando balançar a rede no Beira-Rio?
Acho que são etapas. O primeiro sonho era me tornar profissional e fazer uma partida pelo Inter, eu consegui isso lá em Ijuí. Depois tinha o desejo de jogar dentro do Beira-Rio, com a torcida do Inter apoiando, e eu consegui contra o Brasil-Pel. E aí veio o sonho do atacante, depois da estreia, o maior sonho era fazer o primeiro gol, e eu consegui isso contra o Juventude, e agora sim espero fazer dentro do Beira-Rio um gol para poder ajudar a equipe e ter a torcida aplaudindo, gritando, acho que isso é bacana.

Como é ser elogiado e jogar com renomados atletas como Rafael Sobis, D’Alessandro?
É gratificante ver o pessoal falando do meu trabalho, falando bem de mim. Eu procuro trabalhar muito, desde a base eu venho trabalhando, buscando conhecimentos, sempre para chegar aqui e conseguir fazer o melhor. Cheguei aqui (no profissional) e não mudei minha rotina em nada. Continuei trabalhando cada vez mais forte, porque eu sei que não conquistei nada ainda, tenho muito a conquistar ainda e espero conquistar. Quero pegar um pouco da experiência de cada jogador que está ali, pois tem uma vivência, uma história no futebol, fora do futebol, e ensinamentos que podem me trazer. Procuro aprender com cada um deles um pouco, conversar bastante, e desde que subi eles me deram tranquilidade para trabalhar e confiança. Me ajudam no dia a dia, nos treinamentos, me auxiliando, corrigindo coisas que eu estava fazendo errado, e elogiando o que eu estava fazendo certo. E isso foi muito importante para conseguir fazer esses jogos.

E como fica a briga por um espaço no time? O Guerrero vem aí também...
Isso é muito bom, é positivo ter vários jogadores da mesma posição brigando por espaço. É importante ter essa competição dentro do grupo, isso é saudável. É um fato para o Odair trabalhar, todo o treinador quer ter jogadores qualificados na posição para brigar por vaga.

E o Odair é mesmo um papito dos jogadores?
Ele é. É um treinador muito bom, nos ajuda. Acho que a passagem dele pela base nos ajudou muito nessa transição para o profissional. Ele sabe a hora certa de colocar a gente para jogar, e ele está me ajudando muito, me dando muito apoio, e tranquilidade para trabalhar.

Não são todos os dias que vemos irmãos jogando no mesmo clube, ainda mais quando se fala no futebol feminino. Como é estar atuando no Inter junto da tua irmã, a Malu?
Isso é raro. A gente sempre praticou futebol, mas nunca tínhamos jogado no mesmo clube. Só mesmo na escolinha lá em Vale Real quando a gente começou. Agora é muito legal, quando ela veio pro Inter expliquei como era aqui, que a torcida era muito apaixonada, que o clube era muito bem estruturado. E ela está muito feliz também com a estrutura, com as colegas de equipe dela, e com a torcida que dá muito apoio ao futebol feminino também.

Como é o Pedro Lucas fora das quatro linhas?
É muito tranquilo. Adora ficar em casa com a família, quando dá tempo sempre vai para o interior. Tem treino de manhã e folga de tarde, vai para o interior, fica lá que é tranquilo, gosta de ficar deitado na rede em casa. Acho que sou bem de boa, caseiro mesmo.

E você é fã de Harry Potter?
Sou fã desde 2007, foi o primeiro livro que eu li, acho que foi a magia da primeira leitura, fui me apaixonando cada vez mais pela série. Hoje tenho até uma tatuagem aqui, que é expecto patronum, que é um feitiço e em latim significa proteção e esperança. Mas tatuei isso não só pelo feitiço da série, mas que é importante, é legal, mas por tudo que significa, de estar sempre com uma mentalidade boa, positiva, para trazer coisas boas para mim mesmo.

E você também faz faculdade, é isso mesmo? Como conciliar os treinos e os estudos?
Estou tentando conciliar, estou no quarto semestre de Educação Física. E na verdade foram vários motivos que me fizeram ir para a faculdade. O primeiro é que sempre mantive os estudos perto comigo. Estudei num colégio muito bom em Porto Alegre, ganhei bolsa e foi o Inter que conseguiu. Quase tudo que eu consegui na minha vida foi o Inter que me deu, por isso eu tenho uma gratidão enorme pelo clube. Então o estudo sempre esteve próximo, minha mãe é formada, minha irmã estuda, meu pai começou a faculdade mas não se formou. Foi sempre uma cobrança dos meus pais também, que se eu chegasse no profissional um dia, eu não parasse de estudar. Acredito que a carreira de jogador de futebol é curta, até os 35 ou 40 anos no máximo, por isso procuro ter uma formação para o pós-carreira quem sabe eu manter um caminho.

Foto por: Arquivo Pessoal
Descrição da foto: Na base do Inter ele já mostrava personalidade forte

O que você espera até o final desta temporada?
Eu espero começar a minha primeira temporada como profissional ganhando títulos, acho que isso é mais importante sempre. Espero que eu consiga ajudar a equipe, consiga me firmar no profissional, sei que tem muito trabalho pela frente. Além de poder ganhar muita experiência, conhecimento e ter um ano de muito trabalho e conquistas.

Atacante doou 40 bolas para a antiga escolinha

Conforme os familiares de Pedro Lucas, um dos segredos para ter chegado ao profissional do Inter foi nunca esquecer suas raízes. Na semana passada, o atacante colorado doou 40 bolas para sua antiga escolinha, no campo da Associação Esportiva Aliança, em Vale Real. Conforme o tio Tida, o sobrinho visitou a garotada também para falar sobre sua trajetória, da importância de focar nos estudos, e de respeitar os pais e professores. “É um menino que tem uma cabeça muito boa. Acredito muito no potencial dele, mas tudo tem seu tempo. A pressão é grande, precisa matar um leão por dia, e como jovem da base ele tem consciência disso. Embora tenha 20 anos, ele tem um bom preparo psicológico”, destacou o ex-treinador e prefeito de Vale Real. Entre as histórias contadas por Tida, uma chama a atenção. “Sempre brinco com ele, que graças a Deus ele foi pro Juventude antes de ir para o Inter, porque se ficasse em Vale Real ele seria lateral-direito. Descobriram que ele tinha potencial para jogar de atacante, e hoje é centroavante”, completou o ex-lateral-esquerdo.

 

Futebol como alternativa

De acordo com a mãe de Pedro Lucas, Cristiana Müller Schwaizer, 43, psicóloga, o futebol foi fundamental para o desenvolvimento do filho, pois quando pequeno era hiperativo. “O futebol foi libertador para a gente, coisa que medicação ou terapia nenhuma teria feito”, afirmou Cristiana, que nos últimos dois anos ficou um pouco longe de Pedro, pois estava acompanhando a filha Malu no Santos. Segundo ela, ainda é surreal o momento vivido pela família. “Por mais que tenhamos nos preparado pra isso, quando entramos de cabeça nesse projeto, que mudou completamente nossa vida do interior, para vir pra Porto Alegre, nos damos conta que não nos preparamos”, brincou Cristiana, que não perdeu nenhum jogo do filho no profissional.

“Quase morri chorando de emoção no primeiro jogo no Beira-Rio, estávamos no camarote com a família, e ele correu em direção ao D’Alessandro, que é nosso ídolo”, vibrou. Para o pai André, empresário do ramo hortifruti, é um orgulho que não cabe no peito. “É um orgulho muito grande, da Malu também. Tudo é fruto do trabalho deles, nada é por acaso. Foram períodos difíceis, de lesão grave, mas ele batalhou e recuperou. Não é à toa”, reforçou André.

Diário de Canoas
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS