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Aniversário Diário de Canoas

Minhas duas histórias de cachorro

Contato com esses animais pode ser surpreendente e transformador até para quem não é do tipo "cachorreiro"
12/06/2019 10:34 12/06/2019 10:34

.Cachorros não são apenas aqueles pequenos vira-latas que correm tresloucados para morder um pneu do nosso carro. São os melhores amigos de homens e mulheres. O contato com esses animais pode ser surpreendente e transformador até para quem não é do tipo “cachorreiro”. Claro que eu tenho o meu amigo de estimação, o cusco Bento, que é um integrante da minha família. Mas eu nunca fui do tipo de fazer campanhas para angariar recursos para vacinas e ração para animais de rua. Ainda assim, a história de hoje é sobre dois caninos: uma pequenina que emocionou a todos numa pauta de alagamento no bairro São Luiz em 2013 e “um homem que amava os cachorros”, entrevista de 2015, que foi um divisor de águas para intensificar o meu amor pela Literatura.

Fazia uns sete meses que eu tinha entrado no Diário de Canoas como repórter. No inverno de 2013, as cheias do Rio do Sinos no São Luiz estão complicadas, talvez afetadas pelas obras da BR-448. Foi uma semana inteira andando de barco pelas ruas (sim, pelas ruas) da região com o fotógrafo Vinícius Thormann. Fiquei tão impactado pelas dificuldades das famílias, casas inundadas com móveis inutilizados, e animais tentando sobreviver, que escrevi um relato ficcional em um e-book chamado “O Rio Desperta do Leito”, disponível no site da Amazon para Kindle.

Vamos à primeira história. Entramos de barco, eu e o fotógrafo, no chamado Beco da Comunidade, no São Luiz. Era água pela cintura, e olha que eu tenho 1,87 metros de altura. Estamos com alguns moradores atingidos que retornavam para tentar salvar alguns pertences. De repente, avistamos um cãozinho no capô de um carro dentro do estacionamento coberto de uma casa. O animal havia sido deixado para trás pelos donos. Nos aproximamos para tentar fazer alguma coisa, iniciar um resgate, e ele começou a latir para a gente, como se estivesse nos chamando. Atracamos o barco no muro da residência, porém foi angustiante ver que em vez de o animal tentar vir para perto da gente ele correu para o pátio dos fundos, inundado. Por alguns instantes o cão desapareceu, deixando todos angustiados. Só que o cãozinho não era bobo nem nada, não queria ser abandonado pela segunda vez. Eis que ele reapareceu na outra lateral da casa, dando um verdadeiro rasante para dentro do barco, mais precisamente para dentro do meu casaco novo. Queria apenas ficar aquecido, e até fez carinho no repórter com o focinho, em sinal de gratidão. O instante singelo e crucial foi registrado pelo Vinícius, da maneira mais espontânea possível. Claro que o casaco ficou cheio de pulgas e teve que ir para a lavanderia depois. Semanas adiante, retornamos ao local, já seco, e lá estava ele, o cãozinho, na verdade, uma cadelinha chamada Bella, cheia de energia. Sã e salva.


Um escritor cubano em Canoas
.Era 2015. Quem esperava um intelectual cheio de cerimônias, estava enganado. O primeiro contato do escritor cubano Leonardo Padura com a reportagem foi despreocupado, em frente ao hotel em que estava hospedado, ao lado do Shopping Canoas. O cubano estava por aqui para a Feira do Livro. Estavam eu e o fotógrafo Paulo Pires. Padura abriu um largo sorriso. Fumava seu cigarrinho tranquilamente, sem pompa nos trajes, nem a pretensão de intelectual. Antes de atender a repórteres de todo o país, o autor do livro “O homem que amava os cachorros” (sobre o assassinato de Trotski em Cuba e as relações dos personagens com os cães) passeou por autores, pensamentos célebres, técnicas de escrita, rotina de trabalho e liberdade de pensamento na então Havana de Fidel Castro. Desfilou influências. Citou Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, J. D. Salinger, Julio Cortázar, Rubem Fonseca e o inigualável Ernest Hemigway. “Hemigway dizia que escritor é como um poço que se tira água. Não se pode tirar toda a água em um único dia. Tem que deixar água no fundo, para ela voltar a subir mais intensa.

Escrever é difícil. Escrever bem é extremamente difícil”, ensinou Padura. As dicas de mestre ressoam na minha cabeça até hoje, afinal, não é todo dia que se tem um professor que até série da Netflix criou.

Diário de Canoas
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