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Canabidiol

Sai a decisão mais aguardada da vida de Carol

Família canoense é a primeira gaúcha a obter autorização que libera plantio de maconha medicinal
15/04/2019 14:05 15/04/2019 14:29


Paulo Pires/GES
Carol mostra o documento que permite à família o cultivo de maconha medicinal
Aos 9 anos, a canoense Caroline Pereira da Silva é, assim como sua família, muito guerreira. Portadora da Síndrome de Dravet - doença rara que se manifesta no primeiro ano de vida e muitas vezes é confundida com convulsões febris ou epilepsia, a pequena passou todos os anos da vida convivendo com cerca de 40 episódios de convulsão diários, que por consequência trouxeram outros danos. O quadro só se alterou quando ela passou a fazer uso de maconha medicinal e a liberação para o plantio legal foi comemorada pela família na última quarta-feira, data em que a Justiça concedeu o primeiro habeas corpus para um paciente gaúcho – e o 34º no Brasil. Na prática, o documento significa uma autorização para o plantio.

A notícia foi, sem dúvida, uma das maiores conquistas na vida da professora Liane Pereira. “Concedo salvo-conduto em favor de Liane Maria Pereira e José Juarez Gomes da Silva proibindo que as autoridades policiais procedam a autuação em flagrante dos mesmos pelo cultivo, semeio e colheita de 'cannabis sativa'”, leu, emocionada, a mãe de Carol. O diagnóstico da síndrome, relativamente nova dentro da medicina, veio somente em 2015. Até 2016, foi internação atrás de internação e o uso de diversos medicamentos, fora a triste realidade de conviver com uma baixa expectativa de vida dada por especialistas. No mesmo ano a menina começou a usar o canabidiol, termo da substância medicinal. Como a família só conseguiu duas verbas para importação da substância de três meses cada, o jeito foi fazer rifas, vaquinhas e empréstimos para bancar o tratamento – tudo supervisionado pela neurologista que acompanha a criança.

A vida de Liane, mas principalmente de Carol, mudou em 2017. “Vendo o prognóstico, não tínhamos como ficar parados. Não existe cura para o Dravet”, argumenta a mãe. As coisas começaram a melhorar quando Liane viajou a São Paulo após ver a mesma história contada na TV por outra mãe que havia conquistado a tão sonhada autorização. “Fui atrás dela na Marcha da Maconha, em plena Avenida Paulista, e encontrei. Ela me deu duas mudas da planta e eu trouxe, não podia desperdiçar.”

Convulsões e dilema

A primeira convulsão veio aos 25 dias de vida. Desde então, foram muitas internações no Hospital da Criança Santo Antônio, complexo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e também no Hospital da PUC. “As crises de convulsão bagunçam os neurônios”, citou Liane ao lembrar a fala de um dos médicos. Chegando da viagem onde ganhou as mudas, Liane se viu em um dilema: plantar ilegalmente a maconha para a melhora da filha ou ignorar o presente. A primeira opção certamente era a mais correta, apesar de tudo. A decisão favorável vista por Liane no site do Ministério Público às 6h30 da última quarta começou a correr em 2017. Desde então, o cultivo era feito com muito medo. “Eu ouvia sirenes porque tem hospital aqui perto e já imaginava que podia ser a polícia para levar as plantas”, conta.

Em São Paulo, Liane e o marido aprenderam, durante um curso, a extrair o óleo da maconha. Das duas plantas, extraiu a substância e armazenou 12 vidrinhos de 30 ml.

A evolução do quadro clínico

“A Carol teve um boom no tratamento.” A declaração mais do que feliz da mãe atesta a eficácia da substância e mais: o alívio que a decisão da Justiça inédita no Rio Grande do Sul proporcionou. Desde agosto de 2018, Carol faz uso do óleo extraído das plantas cultivadas em casa pelos pais e reduziu drasticamente o uso de outros medicamentos. Além disso, ela está há seis meses sem crises convulsivas. 

A grande conquista

Oléo extraído em casa rendeu uma melhora impressionante a Carol“Existem fornecedores de óleo clandestino no Brasil”, comenta Liane, ao dizer que cada vidro do óleo medicinal é vendido por até R$ 500. Fabricado na casa da família em um cômodo exclusivo para isso – com utensílios próprios e todo cuidado com a higiene, o óleo é amarelo claro e tem um leve cheiro de chá, que em nada lembra o “convencional” da maconha. “Esta planta é rica em CBD e pobre em THC, que é o que dá o barato”, explica Liane sobre a diferença entre o uso medicinal e o conhecido como “recreativo”. O que se vê agora é uma menina de 9 anos sorridente e levemente sapeca – disse, durante a entrevista, que estava 'trolando' a mãe, para felicidade total de Liane. “Para nós, a maconha é simplesmente o remédio da minha filha. É uma grande vitória porque estávamos infringindo a lei, mas por um filho a gente faz qualquer coisa. A luta continua, mas agora com mais perna para caminhar.”



  • Carol mostra o documento que permite à família o cultivo de maconha medicinal
    Foto: Paulo Pires/GES
  • Oléo extraído em casa rendeu uma melhora impressionante a Carol
    Foto: Paulo Pires/GES

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