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Grupo Gamp

Três são pesos por desvios milionários em contrato da gestão da saúde em Canoas

Ministério Público fez operação nesta manhã de quinta-feira
06/12/2018 07:56 06/12/2018 10:12

Foto por: Divulgação/MP/RS
Descrição da foto: Quatro mandados de prisão foram cumpridos na manhã desta quinta-feira
Sofrendo uma das maiores crises financeiras da história, a Saúde de Canoas virou caso de Polícia. O Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), que administra hospitais e unidades de saúde no município, é alvo de uma grande operação nesta quinta-feira (6). Quatro pessoas ligadas à entidade tiveram mandados de prisão decretada e outros 70 mandados de buscas são cumpridos em cinco Estados. Três já haviam sido presas até as 9 horas – duas em um hotel de luxo em Porto Alegre e uma terceira, em São Paulo.

A operação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Núcleo Saúde, do Ministério Público, juntamente com a Promotoria de Justiça de Canoas e o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, o grupo receberia mais de R$ 1 bilhão durante os cinco anos de contrato, que está sob suspeita.

A investigação do MP detectou, entre as inúmeras irregularidades, o superfaturamento de medicamentos em até 17 mil por cento, a utilização de laranjas e testas de ferro do chefe do esquema na direção do Gamp, a cooptação de agentes públicos, o desvio de dinheiro da saúde pública para os envolvidos na fraude, além do pagamento de viagens de férias pagas com dinheiro público da saúde de Canoas.

Na análise do MP, o Gamp, travestido de entidade assistencial sem fins lucrativos, se trata de uma típica organização criminosa voltada para a prática de inúmeros delitos, em especial peculato e lavagem de dinheiro, entre outras fraudes que esvaziam os cofres públicos.

Contratos suspensos

Os agentes cumprem quatro mandados de prisão preventiva contra quatro pessoas ligadas ao Gamp. Dois agentes públicos da Secretaria Municipal de Saúde de Canoas foram afastados de suas funções pelo período de 120 dias. O Gamp e outras 15 empresas também tiveram decretada a suspensão da contratação com o poder público.

Além dos mandados de prisão, também são cumpridos 70 mandados de busca e apreensão em cinco Estados: no Rio Grande do Sul, em Canoas (incluindo a Prefeitura e as sedes do Gamp), Porto Alegre, Gravataí e São Francisco de Paula. Em Santa Catarina, em Balneário Camboriú. Em São Paulo, os mandados são cumpridos na capital, em Cotia, Itatiba, São José dos Campos, Caieiras, Santa Isabel e Santo André. No Rio de Janeiro, os mandados são cumpridos na capital e, no Pará, nas cidades de Belém e Altamira.

Serviços restritos sem necessidade 

Ao deferir os mandados, o juiz destaca o fato de que o Gamp anunciou, no último dia 14, o cancelamento de consultas eletivas e atendimento e que apenas iria atender casos de urgência e emergência no Hospital de Pronto Socorro de Canoas e Hospital Universitário, sob a alegação de falta de repasses da Prefeitura e do Estado. No entanto, as investigações sugerem que isso não seria necessário se não tivessem ocorrido sistemáticos e milionários desvios de valores da saúde de Canoas em benefício dos suspeitos.



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